Philippe Petit, francês, entre outras coisas, fonâmbulo, cruzou os céus a 7 de agosto por um cabo de aço. Esse cabo e outros instrumentos, foram transportados de forma escondida e ilegal para o WTC, com a ajuda de amigos/cúmplices. Esteve 40 e poucos minutos a "voar" a 400 e muitos metros de altura entre as torres. Realizou um sonho e há poucos capazes de levarem tão a sério sonhos. Por isso está de parábens.
Há mesmo um filme/documentário quee relata esta façanha (nunca vi). Sei que o filme se chama Man on wire.
Man on Wire faz-me lembrar Bird on Wire do Cohen - o músico- que ela me ofereceu. Ela, nasceu também neste dia, 7 de Agosto, mas dois anos depois do feito do Philippe nos EUA, nesse ano nascera eu.
lembro-me de a ver sair do seu twingo à porta da escola em elvas, que me disse depois que me achou magro mas assim que me viu comer e a falar de comida lá me ligou importância, vou falar do tique que tinha de passar a língua nos lábios e que o perdeu, dos seus dentinhos pequeninos de menina, dos seus lábios carnudos, da sua pele cheia como a de um pêssego, do solavanco que dá para trás quando dá uma gargalhada, de como gemia e se remexia na cama quando lhe metia o braço à volta, do mias que me riscou o mostrador do relógio que trago ao pulso, do peixe com espinhas, do casaco azul de pai de família que ela gozava, dos três dias passados com ela quando nos conhecemos e que foram logo, nessa altura, tão naturais, do jeito patético e encavacado de ambos quando fazíamos qualquer reparo ao outro sobre algo que nos desagradava, eu, ao seu cabelo mal arranjado e ela dizia: ópá ou quando ela me dizia que esta ou aquela roupa estava feia, mal arranjada e ela compunha, que tava larga, que eu tinha sempre um cheiro bom. Mas, onde eu me perdia era nas suas mãos. Mãos com atributos de uma deusa grega, lindas, a fazer lembrar o poema de Eugénio (que um dia procuro e aqui coloco em louvor a elas). Lembro-me do primeiro dia que lhas vi arranjadas. Só tinha verniz branco e ao lembrar isto quase me caem lágrimas pelos olhos, lindas, doces doces doces, perfeitas, as suas mãos. E os seus pezinhos de menina grande, direitos, certinhos, harmonia total com as suas pernas carnudas.
Inédito #3
(os outros 2 anteriores, estão nos seus blogs)
A lua,
desenha-se
com a tua pele,
na carne
das tuas pernas.
Os teus pés
são crianças
a sorrir
que habitam a primavera
do teu corpo.