24 de julho de 2009

Lições do Tonecas

Numa certa aula, este ano lectivo, duas alunas, mesmo à minha frente, falavam por escrito num papel mal arranjado. Cansado daquilo retirei o papel. No fim, só não andaram de joelhos para devolver o papel. Não devolvi. Quando o abri e li...caiu-me tudo ao chão, já tinham -nas palavras dela- desabrochado e há muito. Só para terem uma ideia pequena, uma delas dizia, que queria muito ser puta que estava com saudades de se rapar toda e de foder para ser puta, muito puta.
No fim deste ano lectivo, uma delas, e pela primeira vez em 10 anos, por mail, disse que me queria conhecer (?). Não disse nem que sim nem que não. Ligou-me (todos os alunos tinham o meu mail e contacto) e fingiu que era engano. Percebendo quem era mandei sms. Falámos um dia por sms's. Cansado daquilo e por ser absurdo e patético perguntei algumas coisas, digamos íntimas, pediu-me para não lhe ligar mais ao que devolvi: espero que tenhas aprendido algo.
Na mesma escola, encontrava muitas, mas mesmo muitas vezes, uma funcionária a ler. Como é coisa com que simpatizo muito e a senhora parecia acessível, um dia meti conversa com ela. Que adora ler, adora adora adora e felizmente agora podia fazê-lo, antes, quando trabalhava num escritório tinha pouco disponibilidade. Falei-lhe num livro que ela me recomendou quando nos conhecemos, Se Numa Noite de Inverno um Viajante, de Italo Calvino. Pediu que lho emprestasse, coisa que torço sempre o nariz, mas dado que entre nós, leitores ávidos há uma espécie de comunidade, acedi. No dia seguinte emprestei o meu exmeplar, que me era tão querido, por ter sido o que li, por ter adorado o livro, por ter sido recomendado por ela, por me fazer lembrar dela. Pois bem, não sabe do livro e ao que parece, tentou comprá-lo para me compensar da perda e parece que está esgotado.
Sim aprendi.

Ainda o compromisso portugal

Como não sou douto e sou muito ignorante, sirvo-me dos que o são -doutos-, Nicolau Santos, há muitos anos escrevia no Expresso e cito de memória: "gestores como antónio carrapatoso criam apenas riqueza para os accionistas, não para o país, (...).


e já agora, ainda que me tenha antecipado e a reflexão, claro está não chegue aos calcanhares (a minha claro) :) leiam o texto do blogue de Paulo Guinote sobre o compromisso portugal e a educação.