Sozinho, empacotando e desempacotando coisas, vazio, a pensar em milhares de coisas, sem me fixar em nenhuma, a pensar no que hei-de de dizer aqui, nos sentimentos, etc etc, dou por mim, felizmente a ouvir musica.
Nada de novo na lista, mas relembro e oiço calmamente e disfruto desse prazer imenso que é a música, da liberdade, calma, evasão, força que ela dá e transmite.
Não sei se é o meu estado de espírito que conduz, que forma a lista de cd's, vinis que vou ouvindo, ou se o contrário. Sei que sabe bem, que é bom. O escuro e o som. Só isso. A calma. Bom, muito bom. Não me lembro da última vez que isso aconteceu. à medida que escuto as musicas, o sentimento de náusea, de tristeza, de desalento, em suma, tudo o que é negativo e constante em mim vai desaparecendo, vai sendo comido pelas melodias que vou ouvindo.
Umas, oiço apenas uma música ou outra, abandono outras aos primeiros sons, mas demoro-me em
Richard Hawley
Ed Hartcourt
Spain de Josh Haden e o álbum do seu pai com Pat metheny
na banda sonora do Carteiro de pablo neruda
na banda sonoro de Fala com Ela
Koop
Micatone
Red House Painters e no seu brilhante vocalista a solo: Mark Kozelek
Ainda experimentei um jazz, mas só consegui ouvir a Norah Jones e alguns temas.
lembro-me de repente Michael Cashmore com Antony. Uma paz, um calor puro, puxa-me pela mão e leva-me para a cama. As ideias suicidas, de náusea, de vazio, de estranheza como em Camus, esvaem-se. Uma nova tentativa fica para outro dia. O fim adiado novamente, apesar de já tudo ter terminado.