Na rua, pode alguém conhecido ver-me, pode cumprimentar-me e eu a essa pessoa, posso até sorrir por delicadeza e boa educação e porque, pode ser alguém que estime, mas se olharem pra mim, não serei mais que um espantalho, um corpo desabitado, um abismo, um absoluto no seu sentido etimológico, uns olhos vazios, perdidos. A minha alma, se a tenho e o que resta dela, anda, não sei exactamente onde, penso que perdida a vaguear numa espécie de pÂntano e a tentar sair dele, mas, parece, que cada passo que dá em busca de terra firme, só a leva mais À exaustão, a terrenos movediços.
Como se tivesse uma bússola na mão mas um íman gigante nunca deixa encontrar o norte, qualquer que ele seja (porque existem dois), porque a agulha vermelha é bailarina.
Hoje, mesmo com a medicação, mesmo tendo tomado mais que o receitado, ontem À noite e hoje de manhã, por via das circunstÂncias, chorei ligeiramente. Chorei um choro dorido, que custou a soltar-se, muito sofrido.
Aidna não almocei, não tenho apetite e nem toda esta luz, que tanto me enche e costuma agradar, me satisfaz e me arranca um sorriso ou um brilho nos olhos. As mãos estão vazias e não têm calor para dar.
Ontem à noite, já deitado e com a cabeça num turbilhão de ideias, levantei e tomei mais um ansiten e um efexor. Ao fimd e poucos minutos veio um sono que me arrebatou, como uma bulldozer derruba uma parede de esferovite. Mas antes disso num repente sangrento e desvairado veio a ideia: toma tudo, tomar tudo.