31 de março de 2011

Intocável XXV

"Desde a aurora


Como um sol de polpa escura
para levar à boca,
eis as mãos:
procuram-te desde o chão,

entre os veios do sono
e da memória procuram-te:
à vertigem do ar
abrem as portas:

vai entrar o vento ou o violento
aroma de uma candeia,
e subitamente a ferida
recomeça a sangrar:

é tempo de colher: a noite
iluminou-se bago a bago: vais surgir
para beber de um trago
como um grito contra o muro.

Sou eu, desde a aurora,
eu — a terra — que te procuro. "

Eugénio de Andrade

L'Uomo Che Amava Le Donne



Bom dia

Para variar

Curto e grosso porque no fundo há poucas extremidades nervosas:
a avaliação de docentes serve apenas para encontrar -à força- maus professores, quando professores maus e mais qualquer coisa maus há em todas as profissões. A avaliação de professores, serve apenas para limitar a subida na carreira de pessoas como eu, congelados na progressão e eternamente contratados, portanto. Desta forma poupam-se uns milhares ou milhões de euros, de forma correcta e justa, porque nós, os professores somos uns badalhocos que nada fazem, que mamam na mama dos contribuintes. Nós, os professores, somos uns merdas cheios de regalias, com ordenadões. Pois então convido qualquer um a ir leccionar, já não digo nos sítios jeitosos que tenho leccionadao, fico só mesmo por onde estou agora a ver se temos assim um trabalho tão fácil. Pois então ofereço o meu ordenado anual aos gestores da TAP, da CGD, da RTP, ao António Carrapatoso, ao Belmiro de Azevedo, ao Faria de Oliveira, ao Pina Moura, ao Ricardo Salgado, etc.
A avaliação de professores é retórica política, sofismas deficientes, que não deixam de o ser porque um qualquer membro da OCDE diz o contrário, porque ao senhor da OCDE, até os meus alunos de 15/16/17 anos podiam afirmar: "Mas que sentido tem uma avaliação em que nem todos podem sequer ter uma nota justa, sua por direito, uma vez que existem quotas de notas disponíveis?"; "Que sentido tem uma avaliação feita por pares, entre pares quando há entre interesses de carreira que podem colidir entre si?"; "Que sentido uma avaliação que na prática não vai ter frutos?", ou, para acabar: "Que sentido uma avaliação se o avaliador pode de maneira nenhuma ir com a cara do avaliado?". OS meus alunos, eles próprios colocam estas questões sobre a avaliação de docentes. Só o governo, só as ministras, só a OCDE não atinge isto.

Sobre a avaliação, não vejo ninguém perguntar-se, questionar-se, interrogar ou pôr em causa:
- condições de vida das crianças?
- apoio familiar às crianças?
- estado de saúde das crianças?
- quota parte assumida e atribuída e feita cumprir, pela força da lei, aos encarregados de educação?
- que sentido o sistema de ensino continuar focado em testes standard e cada vez mais?
- que maneira são as empresas punidas por não permitirem (ou por os punirem ou ameaçarem) que os pais exerçam os seus direitos, definidos por lei, para acompanhamento dos seus filhos e educandos?
- de que maneira está o Ministério da educação a contribuir para a actualização de conhecimentos dos professores, que tantas vezes foi apregoado como condição sine qua non para a existência de bons professores?!
etc

É mais fácil apontar o dedo aos professores, admito.

30 de março de 2011

Combinações

"Vai alta no céu a lua da Primavera 
Penso em ti e dentro de mim estou completo. 

Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira. 
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz. 

Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo, 
E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores. 
Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos, 
Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores, 
Isso será uma alegria e uma verdade para mim." 

Alberto Caeiro, in "O Pastor Amoroso"



Dealing with The Man



Sem título

O "era só o que faltava" de José Sócrates, está para a política, como o "confiamos totalmente no treinador!" está para a chicotada psicológica no futebol.

L.O.V.E and You and I



Make Love To Me

"When I looked at you, my life made sense.
 Even the bad things made sense.
They were necessary to make you possible."
 
 Jonathan Safran Foer



29 de março de 2011

Inenarrável

É ouvir-se porque palavras não há para falar sobre o a voz que aqui fala e o que ela diz.
Gostava de ouvir a senhora Merkel, o Sr. Durão barroso, os senhores do FMI a falar sobre isto:

http://www.youtube.com/watch_popup?v=m2B7RWJY--A

27 de março de 2011

O filme

Achei excelente, muito muito bom. Nem me vou  pôr com explicações das razões.

No entanto o diálogo quando o entreguei fui engraçadinho:
Senhor do Clube de vídeo:"Então?! Gostou?!"
Cliente por acaso eu: "Muito!"
SCV: "Curioso! os outros sócios não têm falado bem do filme!"
CAE: "Achei muito muito bom!"
SCV: "Pois já vi que gosta de filmes parados!"
CAE: "Nã! gosto é de filmes que no fim os ache bons. se forem muito bons como é o caso melhor!"

nota: eu acho, aqui só pra nós que ninguém nos ouve, que os outros sócios estavam à espera duma merda tipo SALT com a Angelina Jolie, mas tiveram azarito! é que não há dez mil quinhentas e quarenta e seis explosões por frame!

Smoke Gets In Your Eyes



Alimentação saudável


"De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e com a nova Roda dos Alimentos devem consumir-se diariamente entre três a cinco porções de fruta, dependendo das necessidades de cada pessoa."

Only You



Only You



A Máquina de Sonhos. Stargazer e não só.

Era uma vez um senhor e uma senhora que casaram e tiveram dois filhos. O senhor e a senhora eram do alentejo, duma pacata e simples vila chamada Torrão. Os seus dois filhos, claro, desde sempre estavam habituados a lá ir e gostavam. Podemos até dizer que, por gostarem tanto e terem o alentejo entranhado, um deles trabalhava nesse vila num negócio da família, o outro, trabalhava lá perto.

Nessa vila, o pai dos meninos levava-os a um café chamado Bolinha. Bolinhas era o Zé, grande amigo, um irmão até, do pai desses meninos. Esse senhor, o Bolinhas, amava esses meninos. Os meninos, sempre conheceram o Bolinhas.
Bolinhas era um café pequeno, onde havia presuntos pendurados no tecto. As paredes do café, eram praticamente todas feitas de madeira e pintadas daquilo que hoje se diz ser amarelo casquinha de ovo. Havia um balcão alto, muito alto, onde até o próprio Bolinhas tinha uma grade de sumo para se colocar em cima dela e chegar ao manípulo da máquina de café por ser tão pequeno no seu metro e sessenta.
Sempre houve o Bolinhas, o seu dono, as suas mesas e cadeiras de metal no café, contra o chão polido e em bruto, de cimento.
Mas os meninos foram crescendo e o Bolinhas, o Zé, indo para velho. E os meninos passaram a ir pelo seu próprio pé ao Bolinhas, comer as maravilhosas sandes de presunto que o Bolinhas fazia e bebiam um mini preta. Para o Bolinhas, claro, eles ainda eram e seriam sempre os meninos pequenos.
Um dia, um dos meninos foi ao Torrão, foi ao Bolinhas, mas o Bolinhas estava fechado. Achou estranho e ficou triste. Só nessa altura ficou a saber que o Bolinhas estava hospitalizado há já muito com cancro e que o pai dos meninos não lhes quis dizer, por saber que eles gostavam muito do Bolinhas.
Meses mais tarde, já o Bolinhas morrera, os meninos souberam da morte do Bolinhas. Um deles, um dos meninos, disse ao seu pai: "Pai!! pede à mulher do Bolinhas a máquina dos furos!". O Pai desligou o telefone imediatamente e foi a correr a casa da mulher do bolinhas. Pelo caminho viu a porta do café Bolinhas entre-aberta. Era a mulher do Bolinhas que lá estava. O Pai do menino pediu para o seu filho e menino, a máquina dos furos, porque repetiu o argumento à mulher do Bolinhas, "queria ficar com uma recordação do Bolinhas e da sua infância". O pai do menino contou-lhe depois, quando lhe ligou a dizer que já tinha a máquina dos furos, que a mulher do Bolinhas chorou que se fartou, porque nunca esperou que os meninos quisessem a máquina que já estava num monte de lixo para ser deitado fora.
O menino conserva, imaculada, tal como a máquina estava quando saiu do café, a máquina dos furos. Nela estão sonhos, sorrisos, estão anos de vida, recordações. Na máquina está parte desse menino.

Ei-la, a máquina de sonhos.



A


Elegante como um golfinho.
Doce como mel.
Madura como o vinho.
Bonita como um lírio ou um jarro.
Perfumada como um jacinto.
Minha.
Assim é ela.

Simples cozinha gourmet. Da melhor.

26 de março de 2011

Probabilidade

"Probabilidade de frequência ou probabilidade aleatória, que representa uma série de eventos futuros cuja ocorrência é definida por alguns fenômenos físicos aleatórios. Este conceito pode ser dividido em fenômenos físicos que são previsíveis através de informação suficiente e fenômenos que são essencialmente imprevisíveis. Um exemplo para o primeiro tipo é uma roleta"
in Wikipédia


Wonderful Tonight



Big Spender



"In a world full of nothing
Though it's not love
It means something"

25 de março de 2011

Bom fim de semana

Não, não é uma fachada. SOu os textos, as imagens, as músicas que antes coloquei, que antes partilhei. Não não é fachada e por estranho que pareça não me custa nada fazer, construir aqueles jogos! Surgem, saltam sem mais!
No entanto, como disse e repito, o "bicho mau" está cá. Não desaparece porque aqui coloco aquelas coisas. Apenas é calado, temporariamente. O vazio está cá sempre, o cansaço, o peso, a dor, o sofrimento pela falta de um filme, do respirar calmamennte, pacatamente o ar da noite, seja da rua, seja em casa -diz que há uma sala com tv, lareira e uma boa hi-fi lá! acredito mas não estou eme stado de confirmar-, pela falta do sorriso que se deve a tanta coisa ou a poucas mas que vitais para o processo homeostático. A falta de um olhar, de um sorriso, do calor de um corpo, de uma companhia, da ida a um restaurante e há uma lista até (Manifesto; Aqui há Peixe; Sea Me, Largo), mas também há a falta do dinheiro para isso. E a cadência dos minutos, das horas, repetidas, cansativas, que provocam a náusea (vai pró caralho, ou não vesgo).
Agora, a seguir, a viagem na mota, a companheira. Uma hora de viagem, a paragem para meter gasolina. Casa e dormir. Deitar e ser de dia. Acordar e  ser de noite. Novamente a mota. Novamente trabalho. Novamente ausência de estímulos estimulantes. Novamente o regresso a casa e o silêncio da casa. E o silêncio em mim.

Bom fim de semana.

Pura Poesia



"poeta é um ente
que lambe as palavras
e depois se alucina."

Manoel de Barros

Sem título

Sim falo em amor, sexo, foder, como queiras chamar, mas inteiro com todo o lume, toda a intensidade. Contigo.
A voracidade que colocamos nos sentidos dos corpos e sorver tudo num ápice que se demora.
Ouvir os teus uivos e sentir o teu corpo garra e foder-te ainda mais e mais forte e sentir a tua alma a rebentar em cada poro por onde a minha mão passa.


O AMOR

"Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.


A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.


A inundar-te de facas.
de saliva esperma lume.


Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.


A marcar sobre os teus flancos
itinerários de espuma.


Assim é o amor: mortal e navegável."
Eugénio de Andrade


Come to me




Mão


"Dá-me a tua mão.

Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
- para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas.
a ver os fantasmas a dançar na lua.

Dá-me a tua mão, companheira,
até o Abismo da Ternura Derradeira."

José Gomes Ferreira

God Only Knows

"Morrer de amor
ao pé da tua boca


Desfalecer 
à pele 
do sorriso


Sufocar
de prazer com o teu corpo


Trocar tudo por ti
se for preciso"
Maria Teresa Horta


My Mistakes Were Made For You



"Amo os teus defeitos, e tantos
eram, as tuas faltas para comigo
e as minhas, essa ênfase
de rechaçar por timidez; solidão
de fazer trepadeiras, agasalhos
para velhos, depois para netos;
indulgência de plantar e ver
o crescimento da oliveira do paraíso,
carregada de flores persistentemente
caducas; essa autoridade, irremediável
desafio; e a astúcia
de termos ambos quase a mesma cara."
António Osório

Cárrta Ábérrta áo Pépi

Pépe e aí com'é bróderi?!
Tou sábendo q'ocê tá riclamando q'o ex-seleccionador Cárrlox Queirox tá te incomodandu assim como a mauta da silecção! com'é camarada?! qu'e isso ái broderi?!! Já viu si teu vizinho te chamasse di viadão di boiola? pois é Pépi!!! pensa nisso tá?! é que cê tá vendo, mixeram cum nome do cara e agora u cara querr limpá seu nome e ué! toudá genti tem direito a isso né? Já viu se fosse você?! num ia gostar né?!
pá então a genti já tá sabendo que tu é um anormau como todox os jogadores bom de bola mas cara cai fora dessa, comu cês tão sempre dizendo né?! cês são profissionaix cara! cês só pensam em bola cês trabalham a semana inteirinha pró mister vox pôu a jogar né? porrque cês goxtam dissu então concentre-se nu seu trabalhu cara e deixa o homêm difender seu nome pá! é uma coisa aí que cê nunca ouviu falá pruváveumente, se xama, olha bem: direito, má num é direito cm'ás linha do campo tá cara, é outra coisa! qé sabê? nem interessa que merrda é! é merrda mesmo de gente que pensa! béstera cára!
Seja um huomem Pepe e si deixa di merrdas qui é uma treta uma babóseira de tribunau que vai afectá ocê e a silecção da maulta tá!
abraço cara!

À seguidora "fantasma", Catarina R.

POEMA DE AMOR

"Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno
e quase ia morrendo com o  receio de que ele não 
                   te coubesse no dedo."
Jorge de Sousa Braga


Agora...

Desta é que é. A melhor de todas é agora! Não não! haverá uma em que faremos a barba julgando que estamos a dormir e que arranca pelo até ao osso!

Waiting on an angel




cont.

Não sorrio porque arranjei um part-time para viver e o part-time está a ser uma garrafa de oxigénio que me permite continuar a sobreviver.
Porque não consigo ir ver o novíssimo e muito provavelmente estrondoso novo filme de Jean Luc Godard em exibição no Corte Inglês em Lisboa.

Dance With Me


"Let's dance little stranger
Show me secret sins
Love can be like bondage
Seduce me once again

Burning like an angel
Who has heaven in reprieve
Burning like the voodoo man
With devils on his sleeve

Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility

Like an apparition
You don't seem real at all
Like a premonition
Of curses on my soul

The way I want to love you
Well it could be against the law
I've seen you in a thousand minds
You've made the angels fall"

I'd Rather Dance With You

"I'd rather dance with you than talk with you 
So why don't we just move into the other room The music's too loud and the noise from the crowd 
Increases the chance of misinterpretation 
So let your hips do the talking 
I'll make you laugh by acting like the guy who sings 
And you'll make me smile by really getting into the swing 
Getting into the swing, getting into the swing "


Dance Me to the End Of Love

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Oh let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love 


24 de março de 2011

Incomensurável

Eu, pelas mãos do meu filho.

A ouvir II

A ouvir

contin.

dava-te uma pedra, pequena, simples, mas singular. Uma pedra apanhada na praia, com o sabor do sal das nossas bocas. Uma pedra pequena,  polida pelo roçar dos nossos corpos.

Porreiro pá! II

No desporto -qualquer um-. quando um jogador simula uma falta é castigado com uma qualquer penalização. Por exemplo, no futebol leva cartão amarelo, no andebol pode levar cartão amarelo e/ou ser expulso por dois minutos da partida, no hoquei cartão azul, etc.

Ainda o Census

Pedem que respondamos honestamente. Então, fazendo uso dessa premissa, sobre um conjunto de perguntas sobre o alojamento familiar, devia responder: perguntem aos serviços camarários dos SMAS de Almada!
Ainda sobre o mesmo assunto, tipo: área útil, se tem garagem ou não, se tenho ou não encargos financeiros com o imóvel, etc devia responder para ser honesto: perguntem ao Ministério das Finanças através da repartição da Costa da Caparica ou perguntem-me antes em que Conservatória está a cópia da escritura deste alojamento.
dá mais trabalho pois dá, mas talvez se poupe dinheiro que tanta falta faz e escuso de responder à merda das mesmas perguntas 10 15 ou 20 vezes por ano de cada vez que tenho de pagar IMI's, Contribuições de Saneamento, IRS e mais toda essa panóplia colorida de impostos que respondem ao caralho das vossas perguntas que agora me colocam outra vez, senhores e senhoras do INE.

Isto sim era ser honesto e esperar honestidade.

Hoje...

o C., aquele que entendeu o meu mal estar lá no part-time, deu-me, no máximo 30 anos!
A Malena concordaria acho eu, mas acho que ele só quis ser simpático. Só pode!

Porreiro pá!

Podia falar dos discursos -que pouco ou nada devem ao sentido etimológico da palavra- dos políticos -que pouco ou nada têm a ver com a definição de política que se aprende em filosofia política e se pode ler na Logos-, da crise ou de quem a provoca, podia falar das várias falácias do Ex-mas-de-novo-candidato-a Primeiro-Ministro bem como do resto dos outros políticos, deste e daquele partido, dos números que este governo nunca acertou, das conclusões do Eurostat que hoje vieram a público, das diversas conslusões do Tribunal de Contas sobre o(s) governo(s), podia falar do Plano para Entalar os Contribuintes, sim sou um chulo filho-da-puta de um contratado e eternamente com a carreira congelada apesar de ter de me submeter a avaliações mas não deixo de ser orgulhosamente um filho da puta de um funcionário público, com o detalhe que também sou contribuinte, mas isso é só um detalhe. Podia opinar sobre muita coisa, mas acho melhor não, por isso e porque tenho de fazer jus ao dinheiro que meus pais gastaram na fofa da catoulica para eu tirar uma coisa chamada curso de filosofia,cito, ao ex senhor primeiro ministro josé sócrates e seus camaradas o seguinte:

"Democracia: explicitando o sentido etimológico da palavra grega: povo e governo (...)"

"Demagogia: deriva do étimo grego que significa condução ou chefia do povo e designa, por um lado, as formas de governo  e de exercício do poder em que o povo é conduzido e dominado pelo artifício de chefes, que, manipulando sentimentos e excitando paixões, aliciam o consenso  e adesão das massas populares para objectivos que não correspondem aos seus reais interesses; e designa, por outro, os métodos e processos para isso utilizados".

in Logos,  Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia
Ed. Verbo, vol . I

O problema, isso sim muito grave para mim, é que, independentemente de quem venha a seguir, ninguém até hoje, foi julgado, condenado, preso, etc pelas irresponsabilidades que cometeu, ficando sempre nós sujeitos a Planos que Entalem os Contribuintes.

23 de março de 2011

Não sei que pense sobre a situação política do país, da Europa. Tento pensar algo com nexo, mas nem eu sou dado a isso nem a situação é propensa a isso.
Só consigo é  lembrar-me do "Tese, Antítese e Síntese" 

love burns



Start Of My Heart

"You changed me
You chained and taught me
The damage I've done
Can show me the way to my heart
Sing out my love
'cause I've been her before and silence don't get you a thing
I learned this on the way to my heart
It was with you riving ton deep September
We took the long way and your hand and lead me home
Like a ray you woke my heart
With your northern lights with your soul
Yes you saved me
Origami doll i wonder if you'll do it again
Please do it again
I'll thank you from the deep of my heart"








Chains



"Chains 
Chains 

We console now you and I 
I said hold me there 
Hold me 
Make the night roll magic 
I will not fly away 
So now make it, make it rain 

Chains 
Chains 

I have wandered and I have found no reason that I can understand 
Why all these boundaries return to where I am 
So please break them 
Make them break down into - 

Chains 
Chains 

Make the night roll 
And hold my hands up to your own 
I'm like a man pitied and maimed 
Sorrow won't lift our shame like these 

Chains 
Chains 
Chains 
Chains 
Chains "

Puta da loucura

22 de março de 2011

Levava-te pela mão, como um pai que leva o filho pela mão, aqui:


e comprava-te rebuçados, como o meu pai me comprava os furinhos na máquina dos chocolates Regina. Depois comíamos rebuçados até doer a barriga como aos miúdos.

No part-time...

..nesse espaço alucinado e alucinante acontecem-me as coisas mais estranhas!

Há dias, já não sei precisar quando, um homem, homosexual, perto dos 50 anos, bem vestido, bonito, charmoso, falava com uma colega minha ao balcão. Precisei de lá ir e prontamente meteu conversa comigo, respondi à cordialidade e simpatia no trato e no tom. Com a sabedoria de uma pessoa mais velha sacou uns dados à minha colega, mas acho que a colega foi uma boa desculpa, porque a seguir pediu-me a mesma informação: "Que apelido é esse S.?". Respondi e com sinceridade. Ali andou em conversa até que foi ter com o homem que o acompanhava.
No fim, despediu-se da minha colega e dirigiu-se a mim e perguntou-me se eu tinha Facebook, ao que disse que não e ele responde que era uma pena, porque já não me podia adicionar!


Já disse que a música por lá é um estrondo? É!! muito cool!!! Acho que sou o único que gosta! Aquilo é Koop, outro dia foi The XX, Boojou Bazou,Kings of Covinience,  montes de jazz, muito Drum n'Bass, muito Lounge do bom. Já perguntei se podia levar o notebook para sacar as músicas do Ipod para mim ao que o chefe disse que sim!!

O que te dava:

Dava-te um saco de pinhões com casca e uma pedra da calçada.

Dava-te uma manta, uma caixa de fósforos e uma saco de lenha para irmos à noite para a praia fazer uma fogueira, como se fossemos adolescentes.
Não te dava a lua dava-te os meus olhos.
Não te dava um diário dava-te a minha pele.
Não te dava um ramo de flores embrulhadas, dava-te a palma das minhas mãos.
Não te dava um jantar num restaurante caro, dava-te um impermeável para irmos roubar fruta num qualquer quintal e depois fugirmos a rir.  Ou dava-te uma caixa de morangos.
Não te dava nem vinho nem espumante, dava-te a minha boca.
Não te dava uma noite num hotel caro, levava-te para as dunas de uma qualquer praia.

Nem uma peça de roupa te dava, como todas as mulheres e homens gostam, porque te prefiro nua.

A pereira, outra vez



Sem título

Que a sua língua me percorra o corpo como uma víbora.
Que a sua boca me ceife como uma foice.
Que a sua boca-rio veja na minha um lago.
Que me agarre o sexo e o meta dentro de si, que o faça desaparecer por inteiro como a terra fazede saparecer as raízes de uma árvore. Que me monte com a violência de mil relâmpagos.
Que as suas mãos me esventrem como arados à terra.
Que os seus olhos sejam tochas em direcção aos meus.
Que as suas pernas sejam lâminas quentes.
Que me faça vir, que ela se venha.
Que os corpos suem e que o suor seja lacre.




21 de março de 2011

Quelqu'un M'a Dit

"Mesmo sem perceber
quero continuar aqui
onde está constantemente
amanhecendo"

Caio F Abreu 


Dia da poesia, da primavera.

Primal Scream - Come Together

O humor é uma merda, mas desejo-vos sinceramente uma boa semana. e apesar de não estar a desfrutar deste dia, espero  que gostem da musica que acho que vai bem com esta luz e calor e cores.

20 de março de 2011

No restaurante o gajo não parava, não queria comer, queria correr brincar. Em coro: deixa-o ir. deixei. em coro: que tinha muita roupa, tirei-lhe alguma. Que o deixasse andar, que assim é que é. Deixei.
A certa altura um "alvoroço" na rua, todos os olhares na mesma direcção, o joão sozinho num "canto". Levanto-me. Em direcção ao restaurante de onde eu saíra um homem sangra da cabeça. Eu em direcção ao meu filho e dois casais dizem que parece que ele nunca foi criança.
Informação a mais e desconexa para entender, mas lá entendi. João -o meu filho-, aquele cujo avô disse para o deixar ir e andar, atirara -propositadamente ou não- à cabeça de um homem uma pedra. Esse homem era o tal que se dirigia ao restaurante de onde eu saíra, ia à procura dos pais do mal educado do rapaz(falta de educação foi o que lhe ouvi pronunciar quando eu saía do restaurante). Falo com João que passa as culpas para outro miúdo com quem brincava. Volto para dentro. Olhares, holofotes na minha direcção. No caminho o agredido dirige-se-me, peço desculpa. Sento-me. O avô, o tal que achava bem que o menino corresse e saltasse, defendendo ele, sem saber o bom selvagem de ROusseau traz o miúdo para dentro do restaurante pelos cabelos. Choros, gritos. Eu, tinha o dia e refeição estragado. O avô: tens de lhe arrear mais. Ao que respondo que quando outro dia lhe bati na tua casa disseste para não bater, agora que devo bater, escreve se faz favor um manual, porque assim não sei nunca quando faço bem ou mal, como aliás nunca soube nem nunca fiz nada bem.
Outros detalhes, outra informação escuso-me, parece-me que a mais.aqui está o eseencial.
quem me conhece sabe como me sinto e sabe q a unica ideia neste momento é a da morte e a da saturação esgotamento

Agradecia que nã enviassem mails sobre o assunto. qurendo comentar estejam á vontade, mails sobre isto nºao sff.obrigado.

À MINHA MÃE

O meu único possível amor. O meu verdadeiro amor, que hoje faz 70 anos.

"Poema à Mãe


No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
          Era uma vez uma princesa
          no meio de um laranjal...


Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves. "

Eugénio de Andrade


"Sabes, mãe, és um dos seres mais complexos que conheci. Muitas vezes, ao pensar em ti, lembrava.me do fiacre que foi buscar a tua irmã. Entre vocês as duas, havia um fio.
Esse fio era o teu desejo feroz de ser bondosa, para ti e para os outros, mas talvez, acima de tudo, para ti."

Georges Simenon, Carta para minha mãe


A minha Mãe e eu, há 36 anos atrás.



Alina Orlova - Nesvarbu



"Procuro-te


Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te."

Eugénio de Andrade

Aos senhores e senhoras do I.N.E.

olhem! é só para dizer que católicos, ortodoxos e protestantes são todos da mesma família religiosa, que é, imaginem catolicismo. Não são portanto "raças" à parte.
Portanto, para gastarem bem gasto o dinheiro da malta e serem rigorosos -penso que essa seja a ideia-, deviam era ter feito qualquer coisa como: Católico/a e depois abrir chavetas e depois metiam: apostólico romano; protestante e ortodoxo.


Sem título

Rumava a casa com o receio de que a mesma estivesse de luzes apagadas e em silêncio. Comprovou o seu receio quando, depois de, atrás de si  fechar os portões da garagem com o comando eléctrico, abriu a porta corta-fogo que separa a garagem do resto da casa. Nenhuma luz, excepto a da lua que, naquela noite estava extraordinariamente bela exalando uma luz indescritível, atravessava o vidro da porta da cozinha que pousava na parede. Foi quando se deu conta mais uma vez da sua solidão, como se abandonado num país estranho. Como se, de fora para dentro, fosse o espelho que ele não queria reflectir no momento do seu dentro para fora, fruto daquele silêncio, quietude. E o mais aterrador é que, arrastava-se há demasiado tempo aquele dentro para fora, consequência do fora para dentro.

Transportou-se para a praia de cigarro na mão onde ouvia o mar e  olhava a lua e a estrada que esta desenhava no mar irrequieto como uma criança, quando afinal estava apenas na sua casa, desorientado, num calmo estado de pânico.

Pensou nela  sentada na sala à sua espera. A lareira acesa e a sua luz mais a luz do seu cabelo e do seu sorriso e do seu corpo. Pensou nela com  a sua camisa azul rendada com o cinto de cetim e nas cuecas do conjunto. Pensou nela de saltos altos ou descalça, tanto fazia, porque os seus pés eram sempre delicados e o seu tornozelo e a barriga das suas pernas eram sempre um paciente e calmo braço do Douro. Pensou no seu útero e na possibilidade de vida que ele transporta e pensou nas suas redondas mamas e mais nos seus mamilos, pequenas e perfeitas colmeias carregadas de mel. Pensou no seu corpo aberto e pensou nos seus braços à sua volta. Pensou na sua delicada pele suave como o leite.
Pensou como isso seria bom, como isso lhe daria algum alento por mais alguns dias.

E em vez disso, sentia ao invés, todo o peso do silêncio a entranhar-se-lhe como um veneno a dentro, sentia apenas e tão só, o peso  das palavras que para dentro de si proferia. Sentia apenas como lâminas dentro de si, as lágrimas que simplesmente não saíam enquanto violentamente lhe batiam no peito as últimas palavras que se lembra de lhe ouvir: "Hoje, hoje meto o despertador para a hora que chegares."

A última gota de água evaporara-se de si.

19 de março de 2011

19 de Março de 2011. sem palavras

vinha neste embrulho
e vinha com a sua assinatura, o seu nome, que também é o meu
perguntei-lhe quem eram aqueles dois no bolso do avental. Sem falar, apontou para o grande depois para mim, depois para o pequeno e a seguir para ele.