3 de março de 2011

Intocável XXIV




Sea of Love



chiiiiiiu.

E no entanto...

Ontem à noite, no part-time, lá estava eu onde não gosto de estar mas a que já me habituei. Entra um casal, aí a caminhar para os 50. Vejo-os, parecem indecisos. Desloco-me  até eles, cumprimento-os e ofereço ajuda e dialogamos. Apresento o que tenho a apresentar, encaminho-os. Agradecem, sorriem e eu digo boa noite sorrindo. 
Mais tarde, ele, pede um gelado. Preparo-o, dou-lho oferecendo-o. Agradece entusiasticamente. Volta e pergunta se pode ser também um para a mulher; muito coloquial e formalmente digo que sim. Lá o leva.
Por lá permanecem em conversa. Eu fazendo o que tenho a fazer até que se levantam e vêm ter comigo e a senhora diz-me:
"Olhe! somos familiares próximos do X (o X é um sócio gerente da coisa) e costumamos dizer-lhe que o atendimento é muito bom no XX (sendo que XX é  nome do estabelecimento do qual X  é sócio gerente e onde trabalho em part-time). Somos sempre muito bem atendidos. Não temos razões de queixa, mas deixe-me que lhe diga que nunca ninguém como o sr. -eu- nos atendeu assim, espectacular do princípio ao fim."
Agradeço claro, sorrindo, ao que dizem boa noite sorrindo também e saem.
E no entanto, apesar de todo o cansaço, a capacidade ainda para isto.
E esta luz mata-me de prazer. Linda, esplendorosa, que enche tudo de cor. E eu inalo cada pedacinho dela. E ela leva-me a desejar tudo num instante, muito, tudo, rápido e muito intensamente, ao ponto de o sangue me vir à ponta dos dedos e me encher os olhos.
E depois páro. As aulas acabaram, há uma reunião e eu até lá. Só e só eu, mais nada. E um espaço que não existe onde ponho o que existe, mas que não se vê mas que eu sinto e é quanto baste.
E o corpo pára o corropio para dar azo à cabeça para acelerar desenfreadamente, e é o que acontece. E quando assim acontece, é o vazio enorme, a amargura e angústia enormes. O mexer-me para sair do lodo e enterrar-me ainda mais nele. O desespero e a náusea em simultâneo.
Desesperado e esgotado em que só queria um pedacinho de sossego, de paz.
Ontem, aliás já era hoje, depois de cerca de30 minutos na cama às voltas e a cabeça mil à hora -apenas isso sem o pensamento da morte, que agora é os pulsos cortados e sempre o tiro no coração-, o amigo do soninho. Inevitável, apesar da falta de vontade em sair da cama e tomar mais uma merda. Mas precisava de parar a cabeça. O corpo, esse aguenta-se, mas mesmo com o descanso que tento dar ao todo, a cabeça cede. E é impossível que assim não seja. E nem sou eu que o diz.

Sinónimos

Corpos. Bocas. Dois. Saliva. Sentidos. Sorriso. Lágrima. Paixão. Vida. Amor.  Um. Luz.

A Intocável.



ou
Sonho
ou
Alfa Ómega
ou
Silêncio.
ou Ver e Ouvir
ou Viver
ou
Simples.