Curto e grosso porque no fundo há poucas extremidades nervosas:
a avaliação de docentes serve apenas para encontrar -à força- maus professores, quando professores maus e mais qualquer coisa maus há em todas as profissões. A avaliação de professores, serve apenas para limitar a subida na carreira de pessoas como eu, congelados na progressão e eternamente contratados, portanto. Desta forma poupam-se uns milhares ou milhões de euros, de forma correcta e justa, porque nós, os professores somos uns badalhocos que nada fazem, que mamam na mama dos contribuintes. Nós, os professores, somos uns merdas cheios de regalias, com ordenadões. Pois então convido qualquer um a ir leccionar, já não digo nos sítios jeitosos que tenho leccionadao, fico só mesmo por onde estou agora a ver se temos assim um trabalho tão fácil. Pois então ofereço o meu ordenado anual aos gestores da TAP, da CGD, da RTP, ao António Carrapatoso, ao Belmiro de Azevedo, ao Faria de Oliveira, ao Pina Moura, ao Ricardo Salgado, etc.
A avaliação de professores é retórica política, sofismas deficientes, que não deixam de o ser porque um qualquer membro da OCDE diz o contrário, porque ao senhor da OCDE, até os meus alunos de 15/16/17 anos podiam afirmar: "Mas que sentido tem uma avaliação em que nem todos podem sequer ter uma nota justa, sua por direito, uma vez que existem quotas de notas disponíveis?"; "Que sentido tem uma avaliação feita por pares, entre pares quando há entre interesses de carreira que podem colidir entre si?"; "Que sentido uma avaliação que na prática não vai ter frutos?", ou, para acabar: "Que sentido uma avaliação se o avaliador pode de maneira nenhuma ir com a cara do avaliado?". OS meus alunos, eles próprios colocam estas questões sobre a avaliação de docentes. Só o governo, só as ministras, só a OCDE não atinge isto.
Sobre a avaliação, não vejo ninguém perguntar-se, questionar-se, interrogar ou pôr em causa:
- condições de vida das crianças?
- apoio familiar às crianças?
- estado de saúde das crianças?
- quota parte assumida e atribuída e feita cumprir, pela força da lei, aos encarregados de educação?
- que sentido o sistema de ensino continuar focado em testes standard e cada vez mais?
- que maneira são as empresas punidas por não permitirem (ou por os punirem ou ameaçarem) que os pais exerçam os seus direitos, definidos por lei, para acompanhamento dos seus filhos e educandos?
- de que maneira está o Ministério da educação a contribuir para a actualização de conhecimentos dos professores, que tantas vezes foi apregoado como condição sine qua non para a existência de bons professores?!
etc
É mais fácil apontar o dedo aos professores, admito.