4 de abril de 2011

(Auto) Retrato(s)



"I know i'm dead on the surface
but i'm screaming underneath!"

Coldplay


Mealheiro

Hoje lembrei-me de começar a fazer um mealheiro pó fofuxo do Rodrigo Herédia, para o ajudar a comprar medicação quando a sua pulseira do equilíbrio se estragar.
 Mas depois lembrei-me de fazer um mealheiro para comprar uma pulseira do equilíbrio rosa pró Passos Coelho e uma laranja pró Sócrates.
Mas isso já eram mealheiros a mais e parece que afinal que aquilo das pulseiras não funcionava.
De modos que os mando mas é a todos pró c*****o.

Puta da loucura total!

Quando for grande quero ser...


Sem título (cont)


Sem título

Um filme não é só um filme. Um filme é uma infinita partícula do pulsar do homem. Um filme é uma ínfima parte do "olhar" do homem sobre o que o rodeia. Um filme pode ser a forma de dar corpo a ideias, conceitos que o homem domina ou tenta dominar sobre a realidade que conhece ou julga conhecer ou tenta conhecer. Um filme pode ser a forma de levantar questões, de promover o debate, a análise. Um filme pode ser a forma de aguçar o olhar, de incentivar ao despertar da mente.

O que eu dava para ter tempo para ir o mais longe que conseguisse com "A Origem".

Improvável

"Nós temos a noção que se pegarmos num copo de água e a bebermos, é um gesto insignificante. Mas passa a ser significativo se pararmos e pensarmos porque estamos aqui, a fazer aquele gesto. O importante e o insignificante não têm a ver com o acto em si, mas muito mais a ver com o olhar exterior. Se observarmos durante muito tempo uma coisa, essa coisa passa a ser importante."
Gonçalo M. Tavares



Sem título

"A água clara que corre,
tal como se vê agora,
assim é que há-de bailar
toda a gente à tua volta."


O fim de semana. Viver.

A Quadripolaridades relata o seu fim de semana. Bom presume-se, agradável, apaixonado, que a transportou para outro "mundo", para experiências novas, que deixam alguém em extâse. Um fim de semana onde tirou das suas costas um peso enorme, que é o peso da cidade e por isso de uma  vida vivida sem condições, com pouca qualidade, onde tudo é efémero, porque, e a palavra só pode ser esta, não há vagar para nada.
Ainda bem que teve um bom fim de semana.
Naturalmente que não tive o fim de semana que gostaria de ter tido, nem de perto nem de longe, no entanto, fico sinceramente satisfeito por haver quem tenha tido o fim de semana que eu gostaria de ter tido e que poderia ter tido, se não fossem os  se's ou  os mas's.
No entanto, a leitura do fim de semana da cara ursinha suscitam-me duas merdosas cogitações:
  1. pena que seja necessário ir para "tão longe" para desfrutar da natureza, para se sentirem os cheiros, olhar-se o céu, ouvir-se o silêncio. Enfim, para se viver.
  2. aqueles prazeres que a ursinha relata do seu fim de semana, são o meu dia-a-dia, aqui, no alentejo, onde trabalho, onde tenho as minhas raízes, onde tenho casas, onde não nasci mas de onde sou e sempre fui e, aquilo que para muitos é um luxo, é para mim normal, sem que o despreze (vejam-se as "carradas" de textos e de fotos sobre o alentejo que por aqui existem), pelo contrário, continua a encantar-me e a inebriar-me.
Estou eu a escrever estas linhas na modernidade e tenho a vista inchada de tanta luz, de tanto verde dos arrozais. De quando em vez lá aparece uma cegonha e a outra, essa lá está, sempre na sua chaminé que risca o verde e o azul. O Sado que rasga a cidade, imóvel, calmo, paciente. Os velhos com a sua sabedoria na praça com as boinas na cabeça e a darem "vaias" a quem passa. As velhas com o lenço na cabeça e a alcofa das compras na mão que transportam os vegetais tirados da horta e o pão, sempre. O pão. No pão está tudo. Os sabores. O branco da cal. A Igreja matriz e o grandioso castelo, convertido agora em pousada nacional. Os cheiros da planície. Tanto.
Tudo isto é o meu dia e dia-a-dia e ainda não me cansei. Cansei-me já da vida. Não desta paz.

Boa semana


Harrowdown Hill