7 de abril de 2011

sem título

Sobre isto.
Quem é Duckman? Este!

Quem é o Albatross? Este!

O resto é fácil saber quem é.


cada vez pior esta merda, como eu.
ESta noite voltei a sonhar com o J.L., o meu primo, o tal, aquele que se suicidou e foi aluno onde agora sou professor. Lembro-me da alegria no sonho -e era assim fora dele- e do abraço forte quando nos vimos. E a merda do sonho que não larga e atormenta.
Este sol e luz estrondosos, maravilhosos.
Ontem, enquanto comia eu às duas da manhã, um naco de carne, arroz, ovo, espinafres e bebia água um documentário sobre o ZImbabue. A decadência, uma menina de 6/7 anos anos a cuidar da mãe seropositiva e da irmã bebe de fraldas, aí com ano e meio e que viviam numa tenda manhosa, como milhares de outros zimbabueanos. Sem esgotos, luz, electricidade. Sem comida. A miuda não chorava e isso é que doía mais. Durante o comentário a mãe morre e fica ela sozinha com a irmã. Um outro miúdo chora, porque, diz: "os outros brincam eu ando a peneirar ouro." Ainda as duas irmãs, a bebe chora quando a irmã lhe dá banho dentro de um balde com água fria e o choro, o choro entra por mim adentro como ácido. Outras duas irmãs que não podem também ir à escola por falta de dinheiro e que sobrevivem com o pai, um ex-exportador bem na vida, à conta de catarem no lixo ossos. A escola, ao ar livre, turmas com mais de 100 alunos, uns quadros manhosos de ardósia, os livros carcomidos pelos bichos.
E eu a aguentar aquilo, só não vi tudo pelo sono, mas aguentei sem medo, isto, enquanto comia uns profiteroles quando antes comera um iogurte de morango.
E o sem sentido de tudo, um que fala que vai pedir ajuda financeira à UE, os sacrifícios, ainda, sempre, o nosso queixume ainda assim, com uma boa vida, enquanto o miúdo chora por peneirar ouro e não poder ir À escola.
A incompreensão, a estupfação perante tudo, o lembrar-me das filosofias todas e nenhuma me valer. O buraco outra vez no peito. O ver-me passear na rua com o buraco no peito, na zona do coração.
A cama e mil  e uma merdas na cabeça, o medo de não adormecer. Mil e uma coisas a fervilharem na cabeça. Nem uma lágrima com um desespero gigantesco e enquanto escrevo mais esta merda que não tem ponta por onde se lhe pegue a luz lá fora, o verde cortante dos arrozais, o sado.
Outra merda varre-me a cabeça neste instante que é esta merda doida, que nem sei se boa ou má que é a capacidade que parece infinita para amar. "És assim! simplesmente és assim" -agora sim a lágrima, neste momento-. Diziam-me que eu sou simplesmente assim quando contava que tinha emprestado umas luvas da mota a uma aluna que anda a tirar a carta de motociclos.
Esta alucinação de amar vertiginosamente, de querer num ápice ter tudo, sentir tudo.foda-se.
A vontade de mandar o dinheiro pró caralho e ir viver um bocadinho, só um bocadinho, por umas horas.
foda-se e este sol e luz e cores que de lindas até chateiam.
sei que esta merda não tem ponta por onde se lhe pegue. é uma merda estupida sem sentido parva e tudo o mais de estapafúrdio que possa existir, mas...sei lá.
pra mim, sem uma grelha é facilimo atribuir notas e se as não houvesse  e pudesse mesmo ser rigoroso e justo dormia mais descansado cada noite e achava que de facto tava a contribuir pra formar cidadãos
e esta merda não faz sentido nenhum nem vale nada tenho de me decidir a acabar com isto

Sem título

"SE ABRIL FICAR DISTANTE,
DESTA TERRA E DESTE POVO,
A NOSSA FORÇA É BASTANTE
PRA FAZER UM ABRIL NOVO!"
Ary dos Santos




Eu gostava era de ver o FMI e puta a todos que os pariu a procurar pelos responsáveis (do latim respondere=responder por -naturalmente os seus actos-) de precisarmos de "ajuda" que é como quem diz. "aguenta aí mais uns aninhos a respiração! vá não dói, não custa nada" e fazer esses gajos pagarem. Isso é que era de homem com os colhões no sítio. Mandar os outros fazer de forcado é fácil!