12 de maio de 2011

Catroga Bordalo Pinheiro

Catroga amigo, ouvi dizer que na tv disseste pentelho! tudo incrédulo! um potativo ministro a dizer na tv tal palavra! procurei, na dúvida, como dizia o outro, o Descartes e eis que, aqui, confirmo.
Agora, depois da indignação é se é pentelho ou pintelho! Que se foda amigo catroga! puta que os pariu! seja o que quiserem, por mim és presidente do planeta e já caralho! queremos cá paneleirices de politiquices foda-se!!! queremos um tuga de gema a mandar nesta merda toda assim é que é caralho! não queremos cá gajos a perguntarem antes de uma conferência de imprensa onde anunciam a entrada do FMI como é que ficam melhor, se desta ou daquela maneira! queremos é gajos com os tomates no sítio e que estejam no sítio porque sem qualquer medo os coçam e os ajeitam em público. mais nada! o resto é retórica!
CATROGA AO PODER JÁ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O casalinho


Tinham, os dois, aí pelos 25 27 anos, pelo menos pareceu-me. Não foi isso que me despertou a atenção. Eram um homem e uma mulher. Os dois aperaltados, mas simples e principalmente, naturais, só que,aquele " brilhozinho" nos olhos fazia com que irradiassem aquela coisa boa mas que não se sabe explicar. Mas estavam carregados disso, transbordavam.
Ele tinha um casaco de malha fina, de verão e um pólo lacoste cor coração de boi (que nem sabia que era uma cor), tinha barba geometricamente aparada. Ela vinha de calças e uma camisola clarinha e um lenço cor de rosa muito suave ao pescoço e com cabelo comprido muito bem tratado. Não lhes apanhei nenhum perfume o que é bom, nenhum exagerou para realçar-se ao outro. Eram eles mesmos, assim, queridos, bem arranjadinhos, bonitos, elegantes.
E eu a testemunhar aquela paixão e testemunhá-la, no modo deles os dois, encheu-me de alegria e achei um piadão.
Isto foi passado na segunda feira à noite, lá no part-time. Ela nunca lá tinha ido e, aflita pergunta-lhe: "quando cá vens o que costumas comer?" ele, respondeu e, imagine-se...o que ele costuma comer foi o que ela pediu. Registo o pedido dela e pergunto se posso juntar as contas e os pardalinhos enamorados -lindos- dizem: ela: não, é separado!; ele: "não! junte tudo que eu pago! e ali estavam eles naquilo e eu sorrir todo. Os pardalinhos lá voavam ora para aqui ora para ali até que ele tira uma nota de vinte e pede para ele e no fim diz: " e quero aquela sobremesa com morango!", " o iogurte com framboesa?", "sim isso!". Registo o gelado e remata ele: "o gelado com duas colheres!". Que podia eu fazer senão sorrir perante aquilo.
Preparo o jantar deles, que lá ia mantendo o voo. Ela para um lado ele atrás, depois era ele que voava para ouro lado e lá ia ela. E aquilo o tempo todo. Aquele jogo de enamoramento, de encanto, de alegria, de contentamento, de entusiasmo. Poucas vezes consigo projectar um casal no futuro, mas aqueles apareceram-me de imediato num futuro e a viver da mesma maneira. Deve também ter sido isso que me fez sorrir tanto perante aquele quase casal.
Os dois tão giros, meio aflitos a medirem gestos palavras até lá vão. Jantam e vai ele pedir a sobremesa e outra vez eu. Sirvo-o -com as duas colheres- e digo-lhe que espere um segundo para me dar tempo para tirar os tabuleiros da mesa para ficarem mais à vontade e porque acho que os pratos sujos ao lado tiram o encanto. Ainda pergunto se querem café. Que sim mas que bebem noutro sítio. Insisto e não querem mesmo beber ali obrigado, responde o macho alfa.Que não era preciso tirar os tabuleiros, mas abro o passo e passo-o e tiro a tempo os tabuleiros. Ele com o tabuleiro com um gelado com framboesa como se levasse uma taça de prata na mão com gelado caseiro italiano e ela claro a desfazer-se qual menina. 
Fui controlando e, quando já estavam quase a acabar o gelado levo-lhes dois cafés. No dela coloco um profiterole com uma gotinha de chocolate quente. Os dois impávidos e agradecem. Riem, dão risadinhas como meninos. Agradecem estupfactos.
Vão embora e agradecem. Digo: boa noite! obrigado até à próxima.

Espero que nessa mesma noite se tenham beijado.

Isto foi segunda feira à noite, hoje, já é quinta feira.