Ele era um tipo normalíssimo -assim tipo eu-, ela muito bonita -na minha opinião-. Pele morena, cabelo escuro, liso, apanhado, um casaco tipo gabardina com um cinto castanho escuro à cintura, saia e umas meias que deixavam ver as pernas adultas, maduras, redondas e uns sapatos tipo sabrina, ligeiramente bicudos à frente. Não me lembro de lhe ter apanhado um perfume nem ter visto brincos, apenas um solitário no anelar direito.
Pela idade de ambos, mais de 30 seguramente, já viviam juntos, ou até casados, pela conversa dissiparam-se as dúvidas.
Ela pede primeiro. Quando questiono pela sobremesa sorriu e os olhos brilharam. Virou-se para ele e perguntou se ele também queria. Ele, coloca um ar sério e grave, enche o peito e diz: "Vou aproveitar que há testemunhas e vou-te dizer. Tens lá um tabuleiro deste tamanho (e fez um gesto abrindo os braços a demonstrar o tamanho do tabuleiro) cheio de arroz doce que te fiz há dois dias e ainda não o comeste e agora queres comer aqui uma sobremesa?! por mim não!".
A mulher não só ficou envergonhadíssima como só não chorou por um triz. Durante o resto de tempo que permaneceram ao balcão a mulher teve um ar miserável.