18 de maio de 2011

Time For Love


" E  desde então, entre mim e Aida recomeçou, mais intenso, uma espécie de jogo de compreensão, de aprofundamento do nosso encontro. Amava-te eu? - quantas vezes mo pergunto. Decerto amava-te, porque amar é reconhecer nos outros um ser misterioso e não um objecto - tu eras uma vibração à tua volta, não a estreita presença de um corpo."

Vergílio Ferreira, Estrela Polar

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Ele era um tipo normalíssimo -assim tipo eu-, ela muito bonita -na minha opinião-. Pele morena, cabelo escuro, liso, apanhado, um casaco tipo gabardina com um cinto castanho escuro à cintura, saia e umas meias que deixavam ver as pernas adultas, maduras, redondas e uns sapatos tipo sabrina, ligeiramente bicudos à frente. Não me lembro de lhe ter apanhado um perfume nem ter visto brincos, apenas um solitário no anelar direito.
Pela idade de ambos, mais de 30 seguramente, já viviam juntos, ou até casados, pela conversa dissiparam-se as dúvidas.
Ela pede primeiro. Quando questiono pela sobremesa sorriu e os olhos brilharam. Virou-se para ele e perguntou se ele também queria. Ele, coloca um ar sério e grave, enche o peito e diz: "Vou aproveitar que há testemunhas  e vou-te dizer. Tens lá um tabuleiro deste tamanho (e fez um gesto abrindo os braços a demonstrar o tamanho do tabuleiro) cheio de arroz doce que te fiz há dois dias e ainda não o comeste e agora queres comer aqui uma sobremesa?! por mim não!".
A mulher não só ficou envergonhadíssima como só não chorou por um triz. Durante o resto de tempo que permaneceram ao balcão a mulher teve um ar miserável.

Grande. Maior ou sem título (cont.)




Toma-me!
disse ela.
Como me queres?
perguntou.

E ele respondeu:

Quero as tuas mãos doces como flor de madresilva.
Os teus olhos como bagas de romã.
Quero-te como uma árvore no outono.
Quero as tuas curvas,
como se de adagas se tratassem.
Quero rever-me em ti
como se olhasse a  luz que a lua atira
 contra as águas do Tejo.
Quero a tua boca 
pétala carregada de água.
Quero-te como  se fôssemos eternamente crianças.
Quero-te assim

inteira

simples

menina

mulher

minha.