20 de maio de 2011

Do amor VIII ou simplicidade

"Mudos olhamo-nos na implícita cumplicidade, no secreto entendimento - numa espécie de perdão mútuo, de um excesso inconfessável."


Nítido Nulo, Vergílio Ferreira.


All I Need




"All I need is a little time,
To get behind this sun and cast my weight,
All I need is a peace of this mind,
Then I can celebrate.


All in all there's something to give,
All in all there's something to do,
All in all there's something to live,
With you ...


All I need is a little sign,
To get behind this sun and cast this weight of mine,
All I need is the place to find,
And there I'll celebrate.


All in all there's something to give,
All in all there's something to do,
All in all there's something to live,
With you ..."

"Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.

Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.

Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!"

Clarice Lispector



Para a Malena.

bom fim de semana

Penso que é tarde mas que tenho de escrever isto e penso se devo ou não ir comer.Penso que não porque é tarde mas penso que sim porque preciso de me alimentar. Penso se ao ir para a cama adormecerei facilmente ou não. Penso se devo ou não tomar o zolpidem. Penso que seria bom tomar porque assim a cabeça parava e adormecia mas penso que se tomar é mau porque depois vou estar todo marado na sexta durante quase todo o dia porque vou acordar muito cedo. Penso que é uma merda porque não consegui dormir de tarde e preciso descansar e penso no que me irritei por isso. Penso que foi preferível ter-me levantado então e ter jantado e ter ido calmamente trabalhar no part-time. Penso no joão tomás e como fiquei desorientado por ter chegado com o puto ao médico e a consulta ter sido na terça-feira. Penso na birra que o gajo fez para ficar na casa dos avós e nas palmadas que lhe dei e em como isso me corta o coração mas que tem de ser mas preferia que não tivesse de ser porque me faz ainda sofrer mais porque gosto muito dele. Penso nos meus pais e penso que é uma merda porque tenho medo que s´bado as coisas não corram como eu gostaria e em como ando constantemente ansioso. Penso no soberbo filem Pina que vi na quarta feira e penso que pela primeira vez valeu a pena ver um filme em 3D que pela primeira vez um filme ganhou de facto realismo e qualidade por ser em 3D. Penso ainda na sua maravilhosa banda sonora e penso na vista do miradouro de s. pedro de alcântara perto do chiado. Penso no pouco que chorei antes de entrar ao trabalho no part-time e penso no victan que tomei e como é uma merda sentir que preciso de o meter debaixo da língua mas também penso como é bom a calma que me dá e que às vezes preciso. Penso na mota que não posso comprar mas que gostava por várias razões e penso que era bom que a pudesse comprar e não querer. Penso como é  bom conseguir racionalizar isto quando antes não conseguia e ficaria obcecado com a coisa. Penso que a minha mota é muito bonita e boa e é uma companheira mas que se calhar precisa de ser trocada e volto a pensar que era bom trocá-la por uma varadero mas que não posso e penso que a varadero é muito grande para mim e penso que mesmo que a comprasse ia ter muito medo de andar naquele monstro porque sou um mosquito para aqueles 200  e muitos quilos. Penso que é uma merda porque nunca mais está resolvida a situação da dívida da mota anterior e penso que estou saturado da situação e penso que ninguém a quem relato objectivamente as coisas entende como é que supostamente ainda devo tanto dinheiro o que me dá rz~
ao mas penso que não é junto dessas pessoas que perciso de resolver a situação infelizmente. Penso no concerto de The NAtional, P.J. harvey e Sufjan Stevens a que não vou poder assistir e penso como era bom que pudesse assistir para alimentar o meu balão de  oxigénio como quando por exemplo ontem assisti ao filme Pina. Penso que ao contrário daquela figura do feiticeiro de oz eu não queria ter um coração para não sentir e não sofrer.
Penso nisto e eventualmente em mais coisas que agora não me lembro ou lembro mas não quero falar como a conta que já está a negativo, nas duas ou três peças de roupa que acho que precisava de comprar mas que não quero gastar dinheiro. Penso que o João Tomás está quase a fazer 5 anos e não sei que lhe dar. Penso nas lágrimas que sinto a escorrer. Penso no corpo pequeno do João aos gritos a dizer o meu pai é o maior quando lhe passo mais um nível do jogo da ps3 Ratatui. penso como gosto dele e de como o amor por um filho é uma coisa tão doida. Penso que nunca mais me esqueci de olhar a lua todas as noites quando venho do part-time por causa de ele outro dia me ter perguntado aquilo sobre a lua. Penso na pastelaria, casa de cháq ue tive e de como a achava bonita com o escaparate cheio de pratos antigos da minha mãe e com os copos de chá marroquinos e com as flores de chá que servia e penso nas peças de massa morta que meu pai fez para eu lá ter em vez de garrafas manhosas de bebidas manhosas atrás do balcão. Penso nas fotos do meu pai e meu avô a trabalharem os dois no ramo penso na foto do meu irmão com uns 3 anos e a dar uma dentada num cacete maior que ele e penso na balança antiga que lá tinha no balcão e na máquina dos furos que também lá tinha e penso no canto dos livros que criei e que as crianças adoravam e penso naquele professor de educação física que ia sempre lá comer um croissant frânces e um sumo de laranja e que sempre que lá ia lia o Se pudesse recomeçar a vida de raul brandão penso na pastelaria e na música que punha e de comos as pessoas apreciavam e me pediam para lhes gravar e penso comoe ra bom aquele ambiente familiar e amigo e penso na montra de manhã bonita toda certinha e no cheiro que ezalavam os bolos e o pão e de como sempre conheci aqueles cheiros.Penso na ementa que fiz de propósito para os dia dos namorados e da decoração que se arranjou em vermelho e preto para o dia dos namorados e do bolo com várias camadas de chocolate morangos e chantilly que se fez para esse dia e de como estava bonito e as pessoas ficavam estupfactas a olhar para o bolo. Penso na quantidade de vezes que ouvi parabéns pelo espaço e produtos e simpatia e como isso sabia bem apesar de todo o cansaço.  No tâlego que lá tinha pendurado e que toda a gente gabava e eu inchava todo porque tinha sido feito pela mãe já com o avc e dava um ar muito patusco à casa. Penso na quantidade enorme de fotos que tinha da pastelaria de como gostaria de as colcoar aqui para partilhar convosco e penso que merda porque não sei o que é feito delas e penso que é uma merda porque acho que as perdi. Ultimamente penso muito na pastelaria e preferia não pensar.
Isto é no que penso. O que penso não sei.