26 de julho de 2011

Do amor VIII ou da simplicidade






" Duas bocas descobrem o veludo incandescente
  e saboreiam o sabor perfeito de um fruto liso
  que é um sumo do universo. Com a sua espuma constante
  os amantes tecem uma abóbada leve de seda e espaço.
  Vivem num volume cintilante o presente absoluto.
 
  Corpos encerrados em superfícies delicadas
  abrem-se como velas vermelhas e o calor brilha,
  clareiras acendem-se numa tranquilidade branca,
  os olhos embriagam-se de míriades de cores
  e todos os vocábulos são recentes como o orvalho.
 
  Criam a origem pela origem, num corpo duplo e uno,
  transformam-se subindo morrendo em verde orgia,
  inertes renascem de onda em onda radiantes,
  reconhecem-se no vento que os expande e os dissolve,
  o mundo é uma brecha um esplendor um redemoinho. "
 
                                                                                       O Presente Absoluto, António Ramos Rosa.