Não sabem se vivo num bairro social ou vivenda ou apartamento. Se vivo na linha ou fora dela. Se tenho carro novo ou velho, caro ou barato, ou se chego a ter veículo próprio. Não sonham quem são meus pais nem tão pouco que posso vir a ser professor dos seus netos/as. Não sabem na realidade acerca de mim tirando o que se vê e isso é muito pouco. No entanto é inevitável. Quando me olham, em certas circunstâncias, como a de hoje, há um olhar que transparece estereótipos e preconceitos e expectativas que lamento lhe sairiam erradas e eu, lá fico a moer naquele olhar, no que me apetecia gritar aos ouvidos daquela gente, das lágrimas que prendo facilmente com a ajuda dos remédios.
Um olhar apenas, rápido, muito rápido, é quanto baste.
nota: já fodia!