Já era de madrugada. A noite estava como devia estar a noite para uma noite de verão, de repente, um gato, um gato normal, daqueles que nasce de uma ninhada de gatos de rua. Devia ser relativamente novo, a julgar pelo tamanho. As luzes iluminavam uma pequena poça de água suja no meio da rua entre as pedras. O gato estava encolhido, de língua estendida a retirar água dessa poça de água. Ia dando os passos e ia-me aproximando do gato agachado, encolhido, como que envergonhado e simultaneamente parecia que pronto a reagir a situação de emergência. O ambiente era escuro devido à hora, mas realçavam-se à minha vista aquele gato escuro e a pequena poça de água suja brilhante de onde o gato bebia água. À medida que ia andando, o gato lá estava, prostrado perante a suja poça de água enquanto a mesma brilhava ligeiramente em contacto com as luzes dos candeeiros. O gato encolhido, a água suja e as pedras quadradas, escuras.
Esta é a história de um gato em lisboa que bebia água de uma poça e que eu gostava de ter fotografado, mas não o fiz por não ter máquina, no entanto, registei felizmente, na minha na cabeça, uma imagem mais perfeita do momento, do que se tivesse tirado a fotografia.