30 de junho de 2012

De uma amizade improvável


Hoje vim beber um copo à tasca pela porta da frente. Hoje, o João deixou que rascunhasse nas suas paredes. (Malena)

Encontrámo-nos na caixa de comentários de um blog erótico. Local no mínimo curioso para um encontro! Estranhei a delicadeza das palavras por contraste com o atrevimento do local. Comecei a lê-lo. Era uma amálgama de muitos sentimentos contraditórios, com momentos de pura beleza intercalados com outros sem nexo ou tino de qualquer espécie.
Até que um dia… Nada fazia sentido… As palavras escritas em borbotões… Sentado na berma da estrada, ao lado da mota, a escrever… O medo da morte…
Uma angústia… Um aperto no coração… A lembrança de um número de telemóvel algures num post antigo… Um telefonema encaminhado para a caixa de mensagens… Era só para saber se estás bem!
Depois? Depois foi a amizade, os mails, a conversa de uma tarde inteira e a certeza de que nós estávamos  fadados para isso mesmo, sermos amigos.
O João, alentejano, por mim armado Cavaleiro das Estradas e eu, a Malena, mulher com sotaque do Norte.

29 de junho de 2012

Panfleto

Fica aqui feita a divulgação para o próximo Prós e Contras.
Cansado e saturado como sempre. Sem vontade de nada. Os dias parecem vazios, arrasto-me por eles, matéria viscosa. Passo-os sem saber a que me agarrar. Sinto-me só.

bom fim de semana

28 de junho de 2012

Sinto-me uma personagem do Camus.

é o meu caso...


25 de junho de 2012

24 de junho de 2012

Estado de espírito

Abençoada luz, abençoado perfume, abençoada textura, abençoadas noites, abençoados sons que o verão traz.


22 de junho de 2012

No coração dos dias habita um rio de luz. Lá, os momentos são doces como moscatel.

Bom fim de semana


e bom S. João a quem de direito!

18 de junho de 2012

Hoje




Perenidade


Intimidade

Intimidade era estarmos os dois enroscados e depois, quando acordávamos, cruzarmo-nos na casa-de-banho, no mesmo espelho: tu a fazeres a barba, eu a escovar os dentes, tu a penteares o cabelo, eu a pôr creme. Intimidade era descobrir as espinhas do peixe e averiguar onde é que ele tinha sido comprado e rir das espinhas, num jeito fulo e tolo. Intimidade era o casaco azul, a t-shirt de trazer por casa, a roupa espalhada pelo chão e um gato aos pés da cama, dormindo entre nós, família estranha e íntima, desconhecedora da sua intimidade."

17 de junho de 2012

O não decidido

Incapaz, sem força para articular um discurso que fale deste desconforto, desespero, deste cansaço, disto que é viver neste estado, disto que lhe chamam bi-polar. Deste modo de estar num modo que não se quer estar.

Absolutamente imperdível.


11 de junho de 2012

Random mode

Voltei voltei
voltei de lá
ainda ontem tava no porto
e agora já estou cá!

Não vou falar da viagem pró porto e do programa "prova oral" que fomos a ouvir no caminho. Nem vou falar da chegada ao POrto e da ida directa para a Cufra e dos camarões e francesinha excelentes da cufra. nem do JR que não via há anose jantou connosco. Nem vou falar do Porto com Arte e do Ferrugem.
Não vou falar do festival em que estive nem dos seus conceertos e dos que mais gostei nem das deficiências do festival nem do ex-deputado do PSD que agora é promotor de núsica alternativa e que lá vi no festival, nem vou falar dos gajos que apanhei a dar uma queca, num banco, no meio dos arbustros, no festival.  Não vou falar do meu vizinho apresentador de rádio num excelente programa da antena 3 e com quem me cruzei no festival. Não vou falar dos restaurantes do porto, da vida que o porto tem e lisboa não tem. Nem das suas imensas confeitarias, leitarias, pastelarias cheias de vida. Não vou falar no restaurante ao pé da pensão que abria às 3 da madrugada e onde íamos comer depois do festival. Não vou falar dela, nem do almoço com ela e do pequeno almoço com ela, nem vou falar da Malena que voltou a dizer que me acha um puto, nem da Orquídea selvagem e do seu sorriso meigo e simpático nem da Manela e do seu sotaque e mãos bonitas. Não vou falar do almoço em ponte de lima e de como me incomodou o facto de o restaurante não ter pudim abade de priscos.

Do que vou dizer é que ontem, antes de ir para a cama a lavar os dentes com o filho, cada um no seu lavatório, a certa altura ele diz-me que "outro dia na carrinha da mãe, disse à mãe que tinha saudades do pai."

5 de junho de 2012

E o teu corpo a deslizar pelo meu como lava incandescente.

4 de junho de 2012

Kill your idols

Sim vi o bryan adams em directo na sic radical, durante talvez 2 minutos -se tanto- enquanto fazia zapping já que o serviço VOD da zon não está a funcionar por razões que desconheço e portanto não pude ver Le HAvré. Sim nesses dois minutos havia uma gaja a cantar com ele.

Eu não sei quem é a Vanessa, nem sei qual o segundo nome ou último da gaja sequer. E tou-me absolutamente cagando prá gaja e ainda mais me tou cagando prá dúvida existencial (bloggeriana) se a coisa foi ou não combinada. Mas que a gaja tinha ar de puta tinha.

Obrigado.

Sol na terra


Enter les murs 2

Pedi um resumo sobre o filme "Voando sobre um ninho de cucos."

Começo a ler. Leio o primeiro, "tá fixe" pensei. Começo a ler o segundo, passado a computador e logo na primeira linha levanto a lebre, porque entre parentesis está escrito:"(brilhante Jack Nicholson)". Continuo a ler umas linhas, texto igual ao anterior. Vou ao google e escrevo "resumo voando sobre um ninho de cucos". À terceira encontro a fonte: esta.

Boa semana II

Boa semana

Entre les murs

O título deste post é o nome de um filme, que eu acho que não é um filme, mas sim um documentário. Quando o filme saíu lembro-me de ler artigos a dizerem basicamente que sim senhor é um bom filme, retrata uma realidade mas felizmente não a nossa.
Eu, do alto da minha ignorância e estupidez e pouquíssima experiência enquanto professor (começou em 98) sempre achei, já na altura que aquilo era também nosso. Quer pela impressão que fui e vou ganhando, quer em particular por algumas escolas onde trabalhei. Por tudo isso eu dizia e volto a dizer: o que o filme retrata, encaixa também na realidade portuguesa.
E neste último período lectivo tenho tido cada vez mais provas disso. De facto, na escola onde estou também há desacatos, não no alunos do secundário, mas pior ainda, nos alunos do ensino básico, o ensino obrigatório. Semana sim semana não uma circular para ler sobre um ou outro miudo ora do 5º ora do 6º ou outro e que foi suspenso uns dias. A desobediência a regras da escola agravam-se de ano para ano, ou tro dia uma aluna batia com a porta por onde passava, alertei-a, não fez caso, perguntei se estava na casa dela ou se procedia assim em casa e com toda a calma e ligeireza que sim. Fui atrás dela, desapareceu-me. Em todas as turmas tenho um grupo de alunos/as que chegam atrasados/as e quando as aviso que têm falta, limitam-se a virara as costas e a borrifarem para as aulas, uma vez que já têm falta por atraso. Outro dia, uma aluna que teve 9 valores no segundo período à minha disciplina e zero valores no último teste e que frequenta um curso científico (daqueles que se seguem quando se quer continuar a estudar arduamente e vir a ser médico) estava na aula a jogar às cartas sozinha. Essa mesma aluna, hoje mesmo, quando lhe sugeri que mudasse de lugar para poder ver em condições um documentário que ia passar, mostrou um enfado brutal, ao ponto de a mandar embora sem falta, de modo a não me incomodar com a  sua atitude e escusar fazer um favor fosse a quem fosse. Que fez ela? saiu na boa! sem pestanejar, perguntando apenas para confirmar se não tinha falta, ao que confirmei. Uma turma de 12º ano também dum curso científico a que dou psiclogia, alertados várias vezes por mim pelas notas baixas que têm à disciplina -apesar de positivas- fizeram hoje teste. Já há resultados desses mesmos testes tal o estado em que estão: dois testes com menos de 4 valores e um deles com resposta apenas a 2 questões em 6 possíveis. No 10º ano numa turma também de científico, uma aluna que com frequência chega atrasada e depois não fica na aula, a mesma aluna que teve um 10 mesmo à tangente, que teve no último teste 5,5 valores, que está sempre sentada como se estivesse na esplanada, que sistematicamente tenho de chamar a atenção para não falat com as colegas de trás, uma aluna que tem valores negativos, por puro desleixo, porque tem mais que capacidades, tem negativas nos trabalhos que lhe peço, tem a lata, a desfaçatez de comentar na última aula que o "último teste está a lixar-nos porque as notas baixaram todas"#, passando com isto a responsabilidade para os outros naõ para eles, quanto mais não seja parte dela. Hoje, agora mesmo, há 30 minutos, alertei uma aluna com 17, isso 17 anos!!! e alertei pela terceira ou quarta vez que se organize, que organize o dossier, porque de cada vez que vamos fazer uma leitura passa o tempo todo a folhear o dossier à pocura da coisas.
É preciso mais?

# hoje, agora mesmo, ainda eu estou na aula, enquanto os miudos fazem uma ficha e esta mesma aluna que fez tal comentário, foi apanhada em conjunto com a colega a escreverem recados no papel. Claro que exigi um pedido de desculpas da aluna pela atitude, quando ainda para mais disse o que disse na aula anterior. Pediu e teve de engolir em seco. Não gostou de ser encostada à parede e ainda por cima assim, de forma violenta, azar.


ps- texto escrito sexta feira e hoje.

Dúvida.

Porque é que não há austeridade na selecção nacional?

1 de junho de 2012

Dia mundial da criança #2

Quando for grande quero ser professor do quadro e conduzir um carro de marca alemã.

O Homem.

Foi há dois dias que vi o homem. Vi-o perto de casa de meus pais. Quando o vi  a primeira vez descia ele a rua, depois parou jutno ao caixote do lixo e abrindo a tampa do mesmo começou a remexer no lixo.
O homem era magro, alto, talvez por volta da minha idade. Trazia uns ténis que em tempos foram brancos, agora já eram amarelos. "batidos" os ténis, de muito usados. Umas calças de ganga claras. Um dos bolsos traseiros estava rasgado. No outro bolso uma chave de fendas. Trazia uma mochila vazia às costas e um saco grande, cheio, na mão. Mais tarde ao vê-lo mexer no saco, vi-o tirar roupa de lá de dentro, toda dobrada e arrumada. O homem  tinha barba e pele morena. A cara era cavada por aquilo que não tinha. As mãos encardidas de mexer no lixo.
Estava na rua com o meu  filho e meu pai. O avô ordenou ao neto "anda práqui!", claramente por repulsa daquele homem, medo até talvez, nojo. Fiquei um pouco indignado, só vi sofrimento, tristeza e humanidade no homem.
Enquanto brincávamos na rua, o homem remexia o lixo. Rasgou um saco de lixo e apanhou uns dvd's e umas caixas de dvd's. Demourou-se a arrumar os dvd's nas caixas. No fim guardou-as no saco que trazia na mão. Terá remexido mais no lixo mas não me dei conta.
O meu pai entretanto foi-se embora e quando me dirigia eu para o carro com meu filho aparece minha mãe à janela. Comentei com ela sobre o homem, ambos sofremos. Quase chorei. Caiu-me o céu na cabeça, levei um enorme murro, parecia que ia desmaiar. Meu filho pergunta-me porque estou assim e porque suspiro, digo-lhe que é de tristeza de ver o senhor a apanhar lixo e de ser pobre.
Entramos no carro e o homem dá sinais de se ir embora. Puxo a carteira para confirmar que lá estão 5 euros. Confirma-se. O homem agarra no saco e vai-se embora. Saio com o carro e vou na direcção dele com a nota de 5 euros na mão. Abro a janela ao lado dele e digo dando-lhe os 5 euros: "toma!", diz ele: "deus lhe pague!". Não disse mais nada. Arranquei com o carro, o meu corpo tolhe-se e sofre profundamente. O meu filho pergunta porque dei dinheiro ao senhor, respondo que para ele comer, mas penso que se calhar nem é para ele comer, mas a sua mãe, ou mulher ou filhos, ou que servirá talvez para outra coisa mais importrante do que aquela onde eu os gastaria. Os olhos incham-me e saem umas lágrimas. Dou a volta ao quarteirão e avisto o homem que também me avista. Levanta-me o braço como que a cumprimentar, como se me conhecesse há anos e fossemos grandes amigos. Também levantei o braço. Dos olhos caíam-me umas lágrimas. A voz treme-me.
Só o meu filho me distrai do homem e com uma conversa que me incomoda: "quando tiveres muito dinheiro podes comprar-me o carro elétrico do faísca?". Mas eu só penso no homem, aquele homem, que representa tanto, que significa tanto.
O homem...


imperativo categórigo kantiano:
". Age somente segundo uma máxima por meio da qual possas querer ao mesmo tempo que ela se torne lei universal."
. Age de tal maneira que a máxima de tua vontade possa valer igualmente em todo tempo como princípio de uma legislação universal."
. Age de tal sorte como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da Natureza."
. Age de tal maneira que trates sempre a humanidade, tanto em tua pessoa quanto na de qualquer outro nunca simplesmente como meio, mas ao mesmo tempo e simultaneamente como fim."

Dia Mundial da Criança

"Guardem as lágrimas para o dia em que morrerem as searas nos olhos das crianças, para o dia em que morrerem as crianças."
José Luis Peixoto, Nenhum Olhar




"A criança é anterior ao pecado das criaturas. Ela é a promessa infinita, o homem a exígua realização. (...) Saudemos, nela, a Alegria originária (...)
Conservar a infância é qualquer coisa como guardar um sinal de origem."
Leonardo Coimbra, A Alegria, A Dor e a Graça


A loira volta a atacar

A Vera teve a gentileza e amabilidade de me pedir o meu endereço de facebook (quando tinha) para me adicionar. Foi dessa forma que pude ver o rosto da Vera e confirma-se, é muito bonita.


Há dois anos, a loira empreendeu um projecto que não é para todos. A maioria talvez, depois de concretizar aquilo, diria: "ok já fiz, consegui, já não morro parvo, mas outra chega!". No entanto a Vera vai voltar a repetir a dose. A experiência de o já ter feito ajuda-a com certeza, mas não anula na totalidade as dificuldades.
Isto só mostra a determinação da Vera, que merece aplausos e votos de que corra tudo bem, porque só alguém tremedamente apaixonado por algo e determinado, volta a repetir a dose.