Tinha prometido a mim mesmo ir ver os Radiohead ao optimus alive, para não me sentir como me sinto agora e sabia que ia sentir se não fosse. Pela falta de dinheiro sistemática e não só, deixei a compra para tão tarde que acabaram por se esgotar os bilhetes para este que é, hoje,o último dia do optimus alive12, por isso, não fui ao optimus alive.
Estou em casa e oiço os acordes dos radiohead perfeitamente e às vezes a voz de Tom Yorke. Ouvir estes sons ao longe, ainda que de forma disforme, é como uma injecção de veneno no corpo, um ácido que me corrói e consome. É só um concerto, bem sei, mas não consigo fugir a uma certa tristeza e desilusão por não ir ao concerto. Acabo por sentir que parte de mim não se concretiza, não acontece. Excedo-me nestes desejos, nestas vontades e esse excesso misturado com a inevitabilidade de não ir a este concerto -e de não fazer outras tantas coisas que "preciso" para sentir um certo bem estar da cabeça e das emoções- dá uma mistura explosiva.
Assim como no ano passado ter ido ao SBSR, seria muito melhor que qualquer medicamento receitado pela psiquiatra, o mesmo acontece com o ver os radiohead. E quem diz radiohead diz muitos outros concertos que por aí estão para acontecer, dentro em breve ou nem tanto. No entanto, aconteçam no curto prazo ou não, sei que não vou poder ir.
Isto misturado com o facto de ter em vista não ter emprego para o ano que vem não ajuda absolutamente nada.
Não consigo deixar de me sentir afectado por tudo isto. Não consigo deixar de sentir tudo isto. Tudo isto se torna extremamente incómodo e pesado e não sei como lidar com isto. Tento arrumar tudo mas não consigo. Devia passar com mais ligeireza por isto e não consigo, tento mas não consigo. Tudo isto toma conta de mim ao ponto de até o jantar que fiz perder qualquer valor, perder o seu sabor, perder a sua importância.
Hoje, e não pela primeira vez, veio-me à ideia emigrar, sair de portugal como uma solução para a minha situação. E no imediato, no instante, todos os problemas também daí decorrentes.
Sinto uma solidão avassaladora. Sinto uma desorientação, uma vazio enorme. Sinto um medo enorme e acima de tudo desilusão e simultaneamente um certo espanto por ainda resistir.
"Não é que o suicídio seja sempre uma loucura. (…) Mas, em geral, não é num acesso de razão que nos matamos"
Voltaire