18 de abril de 2012

Xadrez

Que se diria se António Costa passasse para o CDS? Que se diria se João Galambas passasse para o PSD? Que se diria se Mário Soares passasse para o PSD? Que se diria se Jerónimo de Sousa passasse para o PS? Que se diria se António Lobo Xavier passasse para o PCP? Que se diria se Cavaco Silva passasse para o BE? Que se diria se Carvalho da Silva fosse trabalhar para Wall Street? Que se diria se Pacheco Pereira passasse para o CDS? Que se diria se Garcia Pereira passasse para o PSD? Que se diria se Francisco Louçã passasse para o PS? Que se diria se Paulo Portas passasse para o PCP?
 Porque não oiço nada de Basílio Horta ser deputado do PS?

"Os políticos que se dizem de esquerda, por ser o bom sítio de se ser político, estão sempre a afirmar que são   de esquerda, não vá a  esquecer-se ou julgar que mudaram de poiso. Mas dito isso, não preciso ter de explicar de que sítio são os atos que a necessidade política os vao obrigando a praticar. Como os de direita, aliás, que é um lugar mais espinhoso. O que importa é dizerem onde instalaram a sua reputação, na ideia de que o nome é que dá realidade às coisas. E se antes disso nos explicassem o que é isso de ser de esquerda ou de direita? Nós trabalhamos com papéis que não sabemos se têm cobertura, como no faz-de-conta infantil. Mas o que é curioso é que o comércio político funciona á mesma com os cheques sem cobertura. E ninguém tira a limpo esse abuso de confiança, para as cadeias existirem. Mas o homem é um ser fictício em todo o seu ser. E é preciso a morte para ele enfim ser verdadeiro."
Vergílio Ferreira, in Pensar, frag 18