4 de maio de 2012

Recordação #4

A gaja em mim e tudo o mais

O meu Portugal

Anthony Bourdain esteve novamente em Portugal e não liguei puto. Soube na altura, mas, não sabendo de quem se tratava não liguei importância. Só há cerca de uma semana, quando por acidente vi o seu programa No Reservations na SIC Radical, e de que gostei muito, associei a pessoa e disparou a curiosidade, ao ponto de ter programado a box da tv para gravar o programa e ir vendo.

Gostando eu e muito de cozinhar e tendo um orgulho enorme em ser português e depois de ver na net a conferência de imprensa de Bourdain, dei por mim a pensar onde levaria o homem. Claro que não sou nenhum expert nem entendido, mas inevitavelmente dei por mim a pensar nisso. 
Fui pensando pensando e o resultado foi este (vou atrever-me):
Em lisboa levava o homem ao restaurante A Berlenga, que fica ali entalado entre o martim moniz e as portas de stº antão. Se o homem gostou de bifanas ia cair-lhe o cú quando provasse os lombinhos de lá. Levava-o a uma das imensas cervejarias das portas de stº antão, algumas das quais, ainda com o fulgor do passado. Levava-o ao ramiro. Levava-o a uma casa de fado onde conhecesse o Camané e o Carlos do Carmo, mas só depois de ir a uma tourada ao Campo Pequeno e de ouvir o Marceneiro enquanto passeava pela Mouraria e Alfama. Se o homem gosta tanto do Lobo Antunes tudo bem, que converse com ele, mas se o pusesse a falar com alguém seria o Eduardo Lourenço, o António Barreto ou o José Gil. Na literatura dava-lhe um cópia dos Maias e de um qualquer do Eugénio de Andrade, da Sophia e do Vergílio Ferreira. Levava-o ao bairro alto, claro, a provar um pontapé na cona na Tia Alice (nome à porta: Arroz doce)e a comer os seus belos tremoços à portuguesa, cheios de sal, e o resto ele que se perdesse por lá. Levava-o aos restauradores para ir provar um pirata no bar com o mesmo nome (ao lado da loja do cidadão). Para comer peixe dava-me ao luxo de perguntar em que zona do país preferia ir, se bem que talvez o levasse à costa vicentina, assim podia comer também uns pelos percebes e umas navalheiras e provar pata roxa (é um peixe e não presunto) no Primo Xico em porto covo. Com isto também estando no alentejo o homem podia passar-se numa qualquer herdade do alentejo, ao fim de semana, a comer um porco preto com um belo vinho, branco ou tinto. Na península de setúbal tinha o moscatel roxo para provar e muitas e boas adegas para visitar, josé maria da fonseca, ermelinda freitasbacalhoa , horácio simões mais a manteiga de ovelha e tortas de azeitão para provar. No alentejo as sugestões são aos montes, mas sem dúvida que o levava ao escoural ao manuel azinheirinha e ali muito perto ao leilão e a portalegre ao tomba lobos e ainda ao rolo. Aqui, se quisesse tinha mais vinhas e bom vinho e doces conventuais tradicionais. Claro que ainda no alentejo lhe dava a provar pão do torrão, e as queijadas que lá são feitas (com verdadeiro requeijão e não soro de leite e cozidas em forno de lenha) e ali perto ainda o  levava às soberanas ou ainda ali muito perto a portocarro. Não falharia naturalmente uma refeição preparada à antiga, do melhor: sopa preparada em barro cozinhada nas brasas das lareiras, como fazia a minha avó. Subia-se para as beiras onde os queijos e enchidos também são como se sabe. Seguíamos em direcção à A23 e levava-o ao tromba rija  e ao chico elias. Se fosse preciso pedia ajuda à Inês que é moça que habita na zona e é da área, por isso não deixaria ficar mal. Tinha de ser ainda uma passagem pelo luis pato e sua filha bem como o leitão da bairrada. Um pouco mais para cima ia a Avintes provar a broa e na zona mamava-se uma francesinha em canelas. Até ao minho era um pulo e a paragem no conselheiro era obrigatória. Dali partia-se para o douro vinhateiro, na zonas de alijó e pinhão e se no minho a coisa fosse mínima, entregava o homem à malena que com a srª eduarda davam duas excelentes anfitriãs e o Bourdain havia de tremer frente àqueles dois pedaços de mulher assim que elas lhe sorrissem. AH! e o homem da malena também havia de ser um guia e excelente comunicador para o efeito. E dava o roteiro por minimamente realizado se nele incluísse ainda, claro, os belos bivalves do algarve.
Na música não me lembraria dos Dead Combo, mas apresentava-lhe os Sétima Legião, Heróis do Mar e Janita.
No fim, mas só mesmo no fim, se o gajo fosse mesmo boa pessoa, deixava-o cumprimentar o Eusébio.

Ah e para verem o resultado final do Bourdain em portugal, é clicar aqui.

ps-- repito que acho que isto é um exercício de atrevimento meu. escrevi isto de cabeça, claro que me poderia lembrar de muitos mais sítios e pessoas, mas estes são os que me lembrei. ao referir certas zonas do país estou a incluir todas as excelentes iguarias que de lá fazem parte bem como monumentos.