16 de julho de 2012

Surpresa

Hoje de manhã, quando fui ao mail tinha lá um que me espantou por diversas razões.
Não sei exactamente porquê, mas sinto que o devo colocar aqui. Se quem me mandou o mail vir que aqui o coloquei, espero que não leve a mal.
 Transcrevo o mail de que falo, como agradecimento, como reconhecimento...porque me tocou o mail, porque simplesmente acho que o devo colocar aqui.

"Ola João,

Apanhei o teu post "acidentalmente" pesquisava informação fresquinha sobre o concerto dos Radiohead e acabei por ir parar ao teu blog. Devo ter lido o teu post pouco tempo depois do escreveres.

E o que me levou a contactar-te foi o facto que por momentos pensei que teria sido eu a escrever o texto.. passo a explicar..

Radiohead é de á 8anos a minha banda de TOP, desde então que estava danado para os apanhar por cá.. á 6ou7meses quando os radiohead foram confirmados no Alive, tal como tu, tambem prometi a mim mesmo que iria ver Radiohead nem q fosse sozinho.. A guita era um entrave mas em 6meses era questão de poupar.. Acabei por não comprar o bilhete, não por não estar a conseguir poupar dinheiro, mas por motivos muito identicos ao que tu escreveste no teu ultimo paragrafo...

Não sei pelo que passas, mas tal como eu, um concerto de Radiohead para um fâ como eu (e penso que como tu) poderia ser mesmo a consulta de psiquiatria que precisava...

E passei o mesmo mau do que tu, q foi ouvir Radiohead ao longe.. Basicamente estava de frente para o palco, encostado ao rio, mas do lado sul.. Ouvia-se tudo perfeitamente e a sensação que passei foi mesmo muito identica á tua... autentico veneno no corpo e obrigatoriamente tive que aguentar... podia muito bem ter evitado ouvir o concerto, mas era quase como um castigo que tinha que sofrer.. mais um castigo..

Curiosamente tambem pensei muitas vezes em sair do pais, mas alem de todos os problemas normais de uma mudança de pais, acho que me sentiria ainda mais essa tal solidão avassaladora que tambem atravesso...

Deixo-te um tema de Radiohead, com votos que vida volte a sorrir para ambos e q brevemente esta musica possa ser o ainda mais especial.

 http://www.youtube.com/watch?v=lEN5uWsJ_4w

Paz"
Tinha prometido a mim mesmo ir ver os Radiohead ao optimus alive, para não me sentir como me sinto agora e sabia que ia sentir se não fosse. Pela falta de dinheiro sistemática e não só, deixei a compra para tão tarde que acabaram por se esgotar os bilhetes para este que é, hoje,o último dia do optimus alive12, por isso, não fui ao optimus alive. 
Estou em casa e oiço os acordes dos radiohead perfeitamente e às vezes a voz de Tom Yorke. Ouvir estes sons ao longe, ainda que de forma disforme, é como uma injecção de veneno no corpo, um ácido que me corrói e consome.  É só um concerto, bem sei, mas não consigo fugir a uma certa tristeza e desilusão por não ir ao concerto. Acabo por sentir que parte de mim não se concretiza, não acontece.  Excedo-me nestes desejos, nestas vontades e esse excesso misturado com a inevitabilidade de não ir a este concerto -e de não fazer outras tantas coisas que "preciso" para sentir um certo bem estar da cabeça e das emoções- dá uma mistura explosiva. 
Assim como no ano passado ter ido ao SBSR, seria muito melhor que qualquer medicamento receitado pela psiquiatra, o mesmo acontece com o ver os radiohead. E quem diz radiohead diz muitos outros concertos que por aí estão para acontecer, dentro em breve ou nem tanto. No entanto, aconteçam no curto prazo ou não, sei que não vou poder ir.
Isto misturado com o facto de ter em vista não ter emprego para o ano que vem não ajuda absolutamente nada.

Não consigo deixar de me sentir afectado por tudo isto. Não consigo deixar de sentir tudo isto. Tudo isto se torna extremamente incómodo e  pesado e não sei como lidar com isto. Tento arrumar tudo mas não consigo. Devia passar com mais ligeireza por isto e não consigo, tento mas não consigo. Tudo isto toma conta de mim ao ponto de até o jantar que fiz perder  qualquer valor, perder o seu sabor, perder a sua importância.

Hoje, e não pela primeira vez, veio-me à ideia emigrar, sair de portugal como uma solução para a minha situação. E no imediato, no instante, todos os problemas também daí decorrentes.

Sinto uma solidão avassaladora. Sinto uma desorientação, uma vazio enorme. Sinto um medo enorme e acima de tudo desilusão e simultaneamente um certo espanto por ainda resistir.

"Não é que o suicídio seja sempre uma loucura. (…) Mas, em geral, não é num acesso de razão que nos matamos"
Voltaire