11 de fevereiro de 2014




O sexo tinha hora e local marcado. Apenas isso era por eles controlado, a hora, o local. O que ia entre eles acontecer naquela hora, naquele local já não era por eles controlado.
Depois de ultrapassada a porta e de esta ser fechada, os seres que ali estavam não eram  já os mesmos que se haviam encontrado minutos antes. Estavam já transfigurados.
 Ele, explodia imediatamente para o exterior, para ela, num frémito avassalador, onde ela o recebia qual esponja, recebia o seu corpo, o peso dele, a pele e o cheiro dela, o calor, era isso que lhe dava vida a ela, ele, inteiro, todo, nela. Ela, toda, inteira, nua na alma, aberta no olhar e nos gemidos. Os corpos entrelaçados, numa complexa filigrana que só eles sabiam tecer. Os corpos sedentos, ávidos,  animais descontrolados em busca da luz inaugural. Os corpos violentados, completamente despidos, ultrapassando barreiras definindo linhas concretas naquele espaço que era pequeno para tamanha fome e no entanto sempre o odor do orvalho, a subtileza do perfume de uma fruta acabada de colher. E no entanto, a simbiose entre os corpos.
 Era isso que acontecia ali, um espectáculo grandioso, irrepetível a cada momento porque não havia regras, porque era sempre a primeira vez.
Os dois corpos, vida.

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