Naoris.
Não sei por onde começar. Podia começar que estávamos a bater os dois os dentes de frio, mas não, é o nome: Naoris. Começo por aqui, chama-se Naoris.
Estávamos sentados os dois, estupidamente, dei-me depois conta, à sombra, quando ao lado estava um banco ao sol.
Comecamos a alar quando uma rapariga lhe perguntou onde era o centro da segurança social. Ele respondeu-lhe e disse depois: ainda eu acho que falo mal inglês. Foi aí que comecámos a falar. falámos. Ele tem 24 anos num corpo de homem. Alto, forte, robusto, cabelo castanho escuro, passava por um italiano, espanhol ou até mesmo português, mas não, era de uma ex-república da Urss do Báltico. E dizia ele que no país dele estavam -20 graus mas que não era tão frio como aquele dia em Londres. era um vento frio, muito frio.
falamos durante cerca de 30 minutos. O tempo de o naors ir ao encontro da sua hora que era antes da minha no centro da segurança social.
Era a segunda vez que estava em Inglaterra. Estava a trabalhar numa empresa de limpezas numa zona de casas de milionários, disse. Não tinha vergonha do que fazia, mas disse-me: tenho apenas 24 anos, hei-de conseguir melhores empregos. Certamente pensei. Não tenho nada a perder disse-me. De certeza pensei, e disse-lho. Despediu-se, era hora de ir. Continuei, sozinho mas mudei de banco. Quando chegou a minha hora entrei, sentei-me e lá estava ele, o Naoris.
Quis pedir-lhe o telefone, mas não o fiz. Uma certa dose de desespero e vontade de querer criar laços com alguém. Mas não o fiz. Pelo meio da conversa o Naoris comentou que trabalhava longe dali, por isso achei que não faria sentido. procura-se uma amizade para beber uma cerveja, fugir da rotina e matar a solidão.
Naoris. Era de uma república do báltico. Alto, forte, bonito e inteligente pareceu-me.
espero que o Naoris esteja bem e tudo lhe corra pelo melhor.
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