9 de março de 2019

Devia ser simples. Fazer as preparações, para, à hora do serviço, dá-lo. Dá-l signifca ouvir/ler cada ticket e preparar o que é devido à minha bancada. Mas, mas...há a minha cabeça que me desgraça. A falta de confiança e a falta de focar e concentrar. Sendo racional, creio, nem se pode dizer que tenha feito um mau trabalho. De facto, a primeira mesa demorou e sem necessidade, até porque havia, à altura, poucos tickets. O sub-chefe apertou-me os calos e como eu tremi por uns minutos largos, mas como digo, o resto da noite correu bem. Mas há sempre o peso sob a cabeça, a auto-condenação...devia ser tudo simples mas há sempre a minha cabeça pelo meio, que eu tento mas não consigo controlar...há este misto de sentimentos, uma vontade vertiginosa de relatar tanta coisa, os Bentleys que me habituei a ver diariamente, Londres imponente, o sem-abrigo com telemóvel, a polícia no metro, as obras na casa e no meu quarto que vêm interromper a minha rotina, invadir a minha pouca privacidade, as músicas e as memórias de tanta coisa que são a minha companhia diária. Não ter ninguém, absolutamente ninguém para falar dói.
É uma profissão dura, como tantas outras, não é mais dura que outras, mas é difícil, como a vida, por isso,é um sítio onde não há amigos. Passo a tarde a falar com eles (alguns) e depois, quando menos se espera, caem em cima sem misericórdia. Mas a culpa é minha que não respondo. Não é profissão para não se responder, mas eu não respondo. Como hoje, ao fim da noite, o colega J. fez o favor de me apontar partes da bancada que estavam com manchas, que tinha de limpar...sem que, naturalmente eu, tivesse metido o nariz nas limpezas dele ou respondido à sua observação
terei dito tudo?
ah pois, hoje é sexta feira, dia de as mulheres (?) saírem à rua como se estivessem em Portugal no Verão e fossem para o casamento da rainha...muitas delas, nada mais que miúdas que não fazem nada mais que ser ridículas. poucas das que se arranjam para parecer mulheres, das que vejo,poucas o são mesmo. Poucas têm a postura e a atitude de mulher. A maioria, julgo, não passa de barbies que dão nas vistas sem dúvida, mas ao ponto de serem ridículas no seus saltos altos completamente abertos, óptimos para o frio e chuva de Londres e as suas poucas vestes que igualmente as agasalha deste calor tórrido londrino.
terei dito tudo? talvez não. Mas é tarde. preciso dormir. Passar à frente. Descansar dos medo de hoje para os voltar a enfrentar amanhã, porque sempre que estou acordado, tenho um enorme desafio que é chegar ao fim do dia. Enfrentar um dia inteiro de solidão, onde, às vezes, já dou por mim a pensar em inglês misturado com português. Dormir, descansar, fugir às horas, porque acordado, tenho de ser como o Lucky Luke, mais rápido que a própria sombra.

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