31 de março de 2019

São 2.51h. Saí às 00.34. Fiz por isso. cada minuto, ao fim de 60, são uma hora a mais que me é paga. No fim do mês, o corpo paga, naturalmente, mas há o retorno financeiro que nem num milhão de vidas esperei quando comparado com o que recebia em Portugal. E, quando me deito, apesar de não ver o meu filho, é nele que penso. É pelo fim do mês que espero para receber o ordenado "milionário" e poder disponibilizar-lhe mais dinheiro e mais alguns "luxos" que de outro modo não poderia.

outro dia lá estava a mulher do sax, queria tê-lo dito e não disse. lá estava ela, magra, alta e feia. tocava uma música grave, muito intensa mas triste.

Saí do trabalho. percorri, como habitual a Picadilly street. Vi o bentley. todos os dias vejo um ou mais bentleys. ontem vi um benteley, um ferrari e um lamborghini...é um país sem dúvida mais rico...

hoje comprei uma máquina de café nexpresso. tive sorte, onde a fui comprar, um sítio catita, uma espécie de distrito do dinheiro onde estão por exemplo J.P.Morgan e Morgan Stanley, tem uma supermercado género Supermercado do Corte Inglês (Lisboa) e, por sorte, tinham um modelo a 76£, ora, o mais barat que havia encontrado em duas outras lojas nexpresso custava 90£. Foi o meu luxo e prémio de consolação por esta solidão e pelo sacrifício físico e psíquico que tenho feito. Em abono da verdade também, o café, um café é um balúrdio e, regra geral, em quantidades tipo baldes de 5 litros...quando versão amaricano...ou curtíssimo quando versão expresso. Para piorar a coisa, servido regra geral, em copos de papel para levar, como se se tratasse de um tubo para a urina da manhã, para levar na manhã seguinte ao senhor doutor.

Já são 3 da manhã. tenho os auriculares colocados e oiço Dead Combo.
Quando esta note cheguei a casa vi luz na cozinha. Era o rafa. falámos. O rafa trabalha em vídeo/fotografia/design. Certa vez, estava eu na cozinha a ver uns vinis que comprei e o rafa ficou interessado pelo design das capas e conteúdos interiores. Nem conhecia os músicos, muito menos aquele álbum em particular: nils frahm e olafur arnalds. Bateu-me depois um dia à porta do quarto a dizer que jáos tinha ouvid no you tube que era de cortar a respiração. bateu-me no coração, disse. Hoje, mostrou-me um vídeo por s realizado onde há uma voz off, um poeta, que fala, fazendo-me lembrar Ursula Rucker, sobre Londres, sobre a pobreza e a riqueza. Lindo o vídeo, adorei. Fiquei encantado pelo Rafa ter gostado tanto daquela música e a ter usado para o seu filme. Mas o rafa sai amanhã de casa...tenho pena, afeiçoei-me a ele...estou a ouvir Dead Combo porque, falando sobre música, me lembrei de lhe recomendar. escrevi num papel o nome: Dead Combo, numa folha de um bloco que havia na mesa da cozinha. escrevi também Ursula Rucker. Espero que goste. espero que a música, estas músicas o façam lembrar-se de mim, como eu me recordarei sempre dele, de cada vez que olhar/ouvir o álbum de nils frahm e olafur arnalds.

Hoje, drante o dia, lembrei-me dela várias vezes. Dos seus passos quando saí do banho. passos em pontas. A barriga das pernas, extremamente torneadas a realçarem naqueles seus movimentos felinos. Passo ante passo, silenciosa e delicadamente, em pontas, como um felino que se aproxima da presa, mas no caso, era ela que decidia quando e como era a presa. E as suas mãos delicadas como estiletes de flor a limparem o corpo.

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