1 de agosto de 2019

Lembro-me do último dia que vi a minha mãe com vida.
Quando ela entrou no garcia de orta, em fins de novembro, tive sempre para mim, que ela já não saía dali com vida, e assim aconteceu.
Certo dia de novembro de 2016, a Mimi, uma extraordinária senhora cabo verdeana foi acordar-me. Disse-me: João a tua mãe não está bem, temos de ligar aos bombeiros. Falei com a minha mãe, dizia que se sentia bem mas liguei ao 112. Foram buscá-la...e foi o fim....a casa ficou vazia. ficou a faltar a minha mãe e a mimi. a vida,  o movimento que a casa tinha perdeu-se.
Chegou a ter alta do hospital e quando aguardava a sua chegada, ligam do hospital a dizer que ela se sentiu mal e que por prevenção ficaria no hospital. Depois disto terá vivido mais um par de dias.
Um dia, como hábito, saí do trabalho, de mota, e fui vê-la. Lembro-me da sua voz. Só a voz era ela, tudo o resto já não....o olhar já estava noutro lugar, estava quente, extraordinariamente quente e a suar. Sei que estive pouco tempo com ela e devia ter estado mais. Sei que a abracei e sei que quando saí pensei que devia ter estado mais tempo com ela e lembro-me de estranhar o calor que ela emanava.
No dia seguinte, ligam-me do hospital. tinha morrido.

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