Entrei em abril para um curso de cozinha e comecei em outubro (senão erro) a estagiar por minha conta (sim sou eu que pago deslocação para lisboa, mais a portagem e um seguro de acidentes pessoais específico) e e risco, meu e o restaurante que me aceitou, o Chef Cordeiro na praça do comércio.
Mas vamos por partes.
Tenho muitas expectativas relativamente ao curso mas que se resumem a dois ponto:
1. espero aprender muito;
2. espero conseguir nesta área (cozinha) emprego, uma vez que estou desempregado como professor de filosofia desde Setembro de 2012.
No curso, pelo "caminho" já ficaram senão erro 4 colegas; dois por arranjarem emprego, uma por excesso de faltas e outro, infelizmente por falecimento em acidente de automóvel. Assim, neste momento somos uns 21 ou 22 alunos que vão desde os 24 anos até aos 46 anos de idade senão erro. Nenhum de nós com experiência na área -excepto dois colegas- e muitos com expectativa de arranjar emprego depois deste curso. Claro que somos todos pessoas com identidades, personalidade e percursos de vida. Semelhante temos o facto de todos termos o 12º ano e, no meu caso e noutro, licenciaturas.
Entrei de início como estou sempre na vida, amigo, aberto, disponível e cedo tive amargos de boca, a primeira "acusação" foi que, tudo o que eu confeccionava e publicava no grupo fechado do facebook do curso, não era eu que confeccionava. Depois disto saí do dito grupo facebookiano e todas asfotos tiradas por mim no curso deixaram de ser partilhadas, passando eu a dá-las apenas a quem eu queira no caso de mas pedirem. Nessa mesma altura também comecei a meter marca de água nas fotos tiradas em casa e no curso.
Isto, por si só, denotou logo uma falta de unidade e um desfoco do essencial: tirar um curso de cozinha. Comecei a fechar-me no meu lugar a ouvir música e a ler. Aquilo que pouco sabia e sei, deixei de o partilhar.
Depois disso, certo dia, numa lavagem de roupa suja numa aula de uma formadora que entretanto saíu (por criação de maus ambientes e constantes acusações à mulher que ela não sabia não fazia não isto e não aquilo e não nada) fui acusado de arrogância e egoísmo e que não queria certa pessoa, trabalhar mais comigo nas aulas. Hoje mesmo, numa aula na cozinha, de pastelaria, uma mulher, que queria sair do grupo onde estava e ir para o grupo onde eu estava, veio por terceiros pedir-me se eu não me importava de trocar de grupo com ela. Não me importei. Achei que lhe devia ir dizer que ela podia ter falado comigo em vez de ter mandado uma "pedinte". Uma coisa é eu achar injustas certas acusações ou exig~encias que essa pessoa faz, outra coisa é eu liminarmente não falar com alguém apenas porque tem opiniões diferentes das minhas. Mas aquela mulher, já com um filho com 19 anos, ela sim parece que lida mal com as outras opiniões que divergem da dela, daí certamente ter mandando uma "pedinte" por ela.
Mas adiante.
Outra cena que se passou comigo foi que fui convidado para participar num show cooking e que se aceitasse, a minha falta a uma actividade nesse dia do show cooking seria justificada por quem de direito. Eu, só tinha que dizer se aceitava o convite ou não de uma chefe e formadora. Aceitei. pois bem, nesse mesmo dia, anonimamente, dois colegas enviaram mails a reprovar a minha decisão e acusando-me de protagonismo e arrogância. Guardo ainda os mails, mas escuso-me a colocá-los aqui só para isto não ficar maior. Um dia pode ser que coloque.
Recentemente, um grupo de colegas gerou outra situação conflituosa e embaraçosa para toda a turma. Esse grupo de colegas decidiram redigir uma carta a "reclamar" a formação dada por uma formadora, "reclamação" essa que foi directamente para o director do centro de emprego. Quer dizer, desrespeitaram a hierarquia e apresentaram uma "reclamação" que foi desmentida categoricamente por mim, ou seja, argumentaram que a professora passou demasiadas aulas a falar em ovos e que não cumpria o referencial e que não metia a mão na massa. Isto levou a que a direcção do curso fosse em peso à nossa turma e que aqueles que redigiram aquela "reclamação" tenham sido enrabados a frio e sem direito a bepanthene no rabinho. Eu desmenti o que escreveram por justiça. Ficámos é verdade várias horas na sala a "falar"(=dar matéria) sobre ovos mas a formadora explicou porquê e sobre não cumprir o referencial lembrei que outro formador, desde a primeira aula disse que nãoia seguir o referencial, no entanto, na "reclamação" que fizeram, não "reclamaram" desse outro formador. Isto é tudo tanto mais estranho, porquanto quem fez e assinou aquela exposição, de boca cheia diz que pouco ou nada sabe de cozinha e fazem perguntas que considero básicas demais. Não que haja problemas em fazê-las, também não sei tudo, mas se não sei nada sobre cozinha como posso avaliar oútrem sobre aulas disso mesmo, ou seja, cozinha?
Sei que essa formadora que tinha vindo a ser posta em causa, directamente nas suas aulas, em que nada do que fizesse estaria bem, apresentou a demissão da nossa turma, mas, felizmente, a direcção não aceitou. percebo perfeitamente porque o fez, se estivesse no lugar dela provavelmente faria o mesmo. Sorte tem toda a turma de essa formadora ser boa pessoa ou ela entrava nas aulas a matar, qual chefe de cozinha e depois é que ia ser uma coisa esperta. Ninguém ia aguentar.
Ou seja, onde quero chegar é que parece haver pessoas no curso mais interessadas no acessório que no essencial que é aprenderem e deixarem aprender. cada vez mais tento entrar mudo e sair calado. tenho sempre os head-phones nos intervalos para ouvir música. Deixo-me ficar sossegado no meu lugar a ler ou simplesmente"passear" pela net, notícias, blogs, facebook, pornografia(esta é mentira porque tenho colegas à minah volta mas às vezes bem que tenho vontade) etc.
Outro dia lembrei-me do filme Voando sobre um Ninho de Cucos, que é o que parece aquela turma, aquela sala, aquela cozinha, literalmente.
Mas, devo dizer que tenho aprendido muito e que o curso está dentro das minhas expectativas.