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3 de março de 2019

Velar

ve·lar 1 - Conjugar
(latim vigilo-are)
verbo transitivo
1. Estar de vigia aestar de guarda ageralmente durante as horas habitualmente dadas ao sono. = VIGIAR
2. [Figurado]  Proteger.
3. Proteger.
4. Não abandonar.
5. Interessar-se com vigilante zelo.
6. Exercer vigilância sobre.


"velar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/velar [consultado em 03-03-2019].


Sempre que regresso a casa, lá está ele. Todos os dias, seja a que hora for...acredito que seja a minha mãe a velar por mim, a cada minuto que aqui estou.

3 de maio de 2014

Quem não tem cão, caça com gato.

Como não tenho dinheiro para comprar flores e prendas para as minhas mães, fui apanhar aqui perto de casa a minha flor favorita para oferecer amanhã.



também me lembro sempre deste livro:

22 de abril de 2014

É oficial

O meu estágio profissional do curso de cozinha será num hotel de renome, com 5*, em Lisboa.

Não, não fico contente e entusiasmado. 

Se tinha sonhos, se isso existe, um deles era ser professor. Foi para isso que eu e os meus pais trabalharam. Ir para uma cozinha trabalhar 10/12 horas e ganhar 700 euros é apenas um caminho que ainda desbravo, à força, para evitar uma "morte" (sentido figurado e não só, verdade seja dita) antecipada. Porque sou mais resistente e menos maluco do que pensam.

28 de fevereiro de 2014

Já comecei este texto por 3 vezes, esta é a quarta.
Tenho a minha mãe hospitalizada há 15 dias para uma operação ontem e que não aconteceu. estive com ela desde as 15 até depois das 22. Nunca saí do seu lado sempre à espera que fosse operada, o que não aconteceu como já disse. Já fiz a devida reclamação por escrito e hoje já apertei os "calos" ao médico responsável.
Mas estive sempre com ela e hoje faltei umas horas ao curso para ir vê-la e falar com o médico.
A única decisão possível, a de estar com ela ontem todo o dia. E como foi bom estar com ela. Ter estado com ela foi tão bom. estar com ela significa recordar a infância, a horta onde cresci no alentejo, os meus avós maternos. Ter estado com ela implicou fazer-lhe companhia e significou naquelas horas, lembrar coisas boas da nossa vida. Naquelas horas, guardo todo o amor que ela tem por mim e tento mostrar-lhe o meu por ela e o quanto estou agradecido que deu e ainda vai dando. Guardo em mim, ainda, a sua mão quente agarrada à minha, ontem, sempre.

7 de julho de 2013

jantar, hoje


bayaldi de legumes com lombo de robalinho da nossa costa e cavoar português.

20 de fevereiro de 2013

A minha mala Chanel

São as minhas meninas. Adoro-as. Eram sempre uma miragem, uma utopia. Ouvia-as e via-as nos AUdio Show's e ficava maravilhado com o som e design mais os acabamentos. Italianas, lindas no som e na estética.  Valem por isso, muito para mim, para além do que custaram.
Tenho agora um par, há já alguns anos,  ainda mais oferecidas pela minha mãe o que as torna ainda mais valiosas.

Sonus Faber concerto

13 de fevereiro de 2013

Pra não tar calado

Em 24 horas vi 3 filmes: Argo, 00.30 e Amor.
Adorei os três por razões diferentes. Todos muito bons, para mim.
O primeiro mostra -acho eu na muito humilde e merdosa opinião- que Ben Affleck é um realizador em crescimento e cada vez melhor, mostra ainda que Ben Affleck é um gajo que gajos como eu gostariam de ser e acima de tudo, toca-me no filme um elemento talvez menos importante ou nem considerado por muitos, que a imaginação é assim uma coisa brutal, avassaldora. Acho no entanto, que Ben Affleck não é tão bom  actor como o irmão.
 O segundo, vem no decorrer do primeiro, quase parecem duas peças de um mesmo puzzle geo-político. Gostei igualmente.
O terceiro é uma obra prima sem dúvida. Pesado, intenso. A história corre devagar, sente-se o ponteiro dos segundos a bater e não, não acho que seja intelectualismo, acho apenas que é o retrato da vida de alguém  com aquela idade. Digo-o, porque olho para o filme e recordo os meus pais, o mesmo ritmo, o mesmo silêncio, o mesmo tipo de conversa. E olho para ela, Anne, e revejo a minha mãe, sempre, depois do seu AVC e nele, em parte, o meu pai. Um filme memorável.

Imperdíveis os três, digo eu.

30 de novembro de 2012

prova dos nove

Certo dia, não há muito tempo, a S. que pertence ao CAF, chamou-me. Contou-me que a X abriu insolvência e tinha ficado sem absolutamente nada. O amrido havia sido vigarizado por um suposto colega de negócio. A X, perdeu 2 casas, carros, ouro, etc. vai à igreja pedir comida para 2 filhos, um menino de 5 anos que stá no jardim de infância onde o JOão Tomás andou o ano passado e uma filha a frequentar o 7º ano. A S. diz que estão a organizar um cabaz para a X e se eu queria entrar com algo, disse que sim e identifiquei o queria dar. AInda falei que dava uns pães e um bolo rei da padaria do meu pai e irmão.
De vez em quando a X vem-me à cabeça e em especial o filho pequenino. Tenho pensado se o rapazinho terá prendas no sapatinho. Tenho pensado se devia ou não falar com a X. Decici não falar, para ela não ser exposta e não leh provocar mais constarngimentos, mas há pouco, há cerca de uma hora, a X entrou aqui na sala de estudo onde "trabalho", e impulsivamente quiçá, fui ter com ela e disse-lhe: "preciso falar contigo de adulto para adulto, de pai para  mãe.". A X. ficou assustada por não saber o que seria. Disse-lhe que sabia da situação dela, que ela tentou disfarçar nos segundos iniciais, ams depois não foi possível ela manter e vieram as la´grima. Pedi desculpa por provocar-lhe o choro, mas que só queria que ela e o marido tivessem uma prenda pra dar aos filhos na noite de natal. Continuava a chorar e mostrou surpresa por tal oferta surgir assim sem mais nem menos e de um total desconhecido. Contou-me em rigor como foram enganados pelo suposto sócio do marido. Não perguntei onde e comoe stão a sobreviver, disse-lhe até que não interessava como tinham chegado ali, que queria era oferecer algo para os filhos dela. Que não, que eu já ganho pouco aqui. Não X, se estou a oferecer é porque posso, esquece, aceita e esquece, é o que te peço, disse-lhe. Expliquei-lhe que também sou pai, que percebo, que imagino o que será não ter algo para dar aos filhos no natal. Agracece-me e só lhe peço que não me faça isso, que aceite sem mais. Conta-me da filha do 7º ano -que conheço- que lhe está custar muito. Lá vamos conversando, já com uma certa cumplicidade ela agradece e vai ao seu trabalho, eu sinto um alívio enorme e quero comprar depressa algo para os filhos que não são meus, porque agora sou pai e percebo isso tudo muito bem.

Talvez faça mal por várias razões, mas não consigo não fazer outra coisa senão isto.

É simples. Basta imaginar-me de mãos vazias, sem um sorriso, sem um pequeno brilho para o meu filho.

Disse-lhe, X, isto fica entre nós, ninguém precisa de saber.

5 de outubro de 2012

5 de outubro

faltam poucos minutos para ser 5 de outubro.
tou-me cagando que seja feriado amanhã e deixe de o ser em 2013. 5 de outubro para mim vai ser sempre uma data memorável.
Dava aulas na quinta do conde e no laranjeiro à noite. Morava numa caixa de fósforos nos capuchos em almada, apesar de ter um carro de 50 mil euros. Tudo parecia correr o seu normal fluir.
Na véspera de dia 5 combinámos: amanhã -dia 5 de outubro de 2005- vou comprar um frango no brasinha -perto de casa- pró jantar. Assim foi. Também calhou que nesse dia ter dado um perfume invulgar à mãe do João Tomás: Gucci eau de parfum.
Estava na churrasqueira brasinha, toca o telemóvel, era ela, estranhei.  "quando chegares tenho uma coisa para dizer-te". Estranhei ainda mais. Fiquei impaciente quando seria a minha vez de comprar o maldito frango e ir pra casa.  Lá chegou e  lá fui atendido. Impaciente cheguei a casa e perguntei "que foi?", "estou grávida!", foi a resposta. UM sorriso e uma estranheza em simultâneo, incrédulo. Combinámos depois de jantar ir comprar outro teste de gravidez. Comprámos dois. Testaram-se os dois. Os dois deram positivo.
Dia 5 de outubro de 2005 não é o dia não sei do quê, é o dia, sei hoje, dos mais importantes da minha vida. o dia em que fiquei a saber que ia ser pai.
E lembro perfeitamente o dia em que nasceu, 2 de junho. 

8 de dezembro de 2011

Alma Mater ou Nocturno


" Não era a minha alma que queria ter.
  Esta alma já feita, com o seu toque de sofrimento
  e de resignação, sem pureza nem afoiteza.
  Queria ter uma altura nova
  Decidida capaz de tudo ousar.
  Nunca esta que tanto conheço, compassiva, torturada
  de trazer por casa.
  A alma que eu queria e devia ter...
  Era uma alma asselvajada, impoluta, nova, nova,
  nova, nova! "

 
Irene Lisboa

23 de agosto de 2011

Luz

Não estou preparado para perder a minha mãe. A minha mãe faz-me falta, é a minha luz. Dói e custa muito ver a mãe a partir a cada queda que dá. A minha mãe não pode partir, preciso dela para me fazer açordas de alho e  ervilhas com ovos e linguiça frita. Eu só tenho 36 anos, ainda sou um menino. Que farei sem a minha mãe?

16 de dezembro de 2010

A Minha Mãe. Eu.

Como começar...não sei mesmo, porque quero dizer muitas coisas, depressa e bem, ser claro e não é fácil organizar as ideias, os sentimentos.
Há duas noites atrás, depois de chorar em silêncio, com lágrimas a caírem e sem adormecer ao fim de 2 horas e meia na cama tomei o amigo para o soninho, meio apenas chegou e assim não acordei marado na manhã seguinte.
Chorei por muita coisa, mas principalmente por estar a perder a minha mãe. 
Há uns dias que tenho ido jantar a casa de meus pais. Dói, muito. A grande custo arrasta-se pela cozinha para fazer uma qualquer coisa básica, elementar, mas, o AVC de há uns anos atrás deixaram marcas, muitas e fundas. No pescoço, na intervenção à carótida, durante a qual foi considerada cadáver, mas vá-se lá saber como voltou tudo a funcionar.
Lembro-me quando começou a sua decadência enquanto mulher e minha mãe. Quando, dias após o casamento do seu filho mais velho, perto de casa, ainda sem AVC, caiu partindo um pulso. Estava nesse ano a dar aulas em Elvas, tinha um peugeot 206, com a primeira viagem feita a Ermesinde, para o estrear. Foi a hospital porque a obriguei. Doutra forma, com a sua força e teimosia não o teria feito. Daí até hoje, tem sido sempre a decair infelizmente.
Depois o AVC, e a partir daí a queda foi mais intensa.
Lembro-me que era sempre a última a deitar-se, para arrumar a cozinha, a roupa, as refeições para o dia seguinte e para, depois de todos deitados e tudo feito ainda ir arranjar forças para bordar vestidos de noivas, galões para a marinha, para a TAP, enxovais, etc. Lembro-me do seu sorriso e do rosto com poucas rugas. Lembro-me de ser completa e totalmente autónoma, de não precisar de ninguém e todos precisarem dela. 
Depois do AVC, fiquei três meses com ela em casa. Não vi outra possibilidade. recusei colocações como professor para o efeito. Só eu sabia tratar dela e acho que foi a única coisa até hoje que realmente fiz para lhe dizer que gosto muito muito dela.
A minha mãe, sem que eu diga nada -como a Malena- topa-me a léguas. "Então o que é que se passa?!", estou a ouvir claramente a voz da minha mãe a dizê-lo.
Continua a fazer-me a açorda de alho e as ervilhas com ovo, que são os meus pratos favoritos. Agora, com o mesmo amor, mas com muita mais dificuldade, faz para o neto, meu filho, também João como o seu pai e meu avô materno, faz costeletas de borrego grelhadas e puré de batata e tété, é a Avó Vina, para mim é Mãe.
Mas cada dia que passa vejo-a mirrar e morrer e aquele cordão umbilical que ainda havia entre nós e que inevitavelmente ainda existe vai secando, por força do seu cada vez mais estado de saúde debilitado.
Sou muito parecido com  a minha mãe em muita coisa e sou, dos dois filhos que ela Ama incondicionalmente, o predilecto.estou sempre a dizer-lhe: "SE a Avó Tina (sua mãe) visse o joão tomás?!" e aí arranco-lhe um sorriso e ela diz: "OOOHHHH!!!".
Uma vez disse-me a chorar e eu tive de ser forte como sempre nessas ocasiões: " A tua melhor amiga está tão doente!"
Lembro-me dela na horta de cabral (onde ela nasceu) a gritar altíssimo e com uma voz muito estridente: "Minha Mãe!!!", a chamar a minha Avó e depois ficava o eco e vinha a resposta: "Aqui!!!"
Lembro-me dela e do seu irmão, o Vanito, também João de nome e de irmos de noite, no verão, a pé para a vila. O meu tio ora me levava a mim ora ao meu irmão ou ao nosso primo, também João, João Luís (aquele de quem tenho saudades da voz e que foi aluno onde pelo segundo ano sou professor) às cavalitas.
Lembro tanta coisa dela. De a ver com o xaile de lã vermelho da sua mãe às costas, debruçada a bordar. Do cheiro da sua pele, do cheiro do seu primeiro perfume, do tuperware que ela me levava à cama com leite morno.Lembro muita muita coisa. De ela ter pressionado o meu pai a inscrever-me na Universidade Católica, lembro das fitas de curso que ela bordou e que já aqui coloquei imagens e que, havia quem, na benção das fitas, me agarrava para vê-las! Lembro de muitas histórias que ela me conta sobre quando eu e meu irmão éramos pequenos. Mas a imagem mais forte é de a ver a circular pela casa, do som dos seus passos, da sua voz, do barulho em casa enquanto ela fazia as coisas. É como a tento ver ainda, fantasma capaz, cheia de força a circular, a preencher a casa, apesar de a ver cabisbaixa, sentada à cabeceira da mesa.
Este ano, como sempre, bem antes dos meus anos perguntou-me: "Que queres filho?". deu-me então um cheque para comprar umas camisas. Não as comprei de marca como ela gostaria, porque gosta de ver os filhos com o melhor.
Desde terça que vivo (ainda mais) triste por ter sabido que, já por mais de uma vez disse a meu pai que quer ir para um lar. Claro que não o permitirei, nem meu pai, nem meu irmão.

Já me deu, mais uma vez a sua prenda de anos, dos meus 36 anos,. talvez a última que receba dela. Por isso mesmo, este mês, quando fizer anos também lhe vou dar uma prenda: um abraço enorme, muitos beijos e um ramo de flores enorme, porque lhas prefiro oferecer enquanto viva.


isto levou muito tempo a escrever, porque me fartei de chorar. não quero saber de erros, de falta de organização, nemde nada. como está é como fica.