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8 de maio de 2014

"Estou cansado, é claro, 
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. 
De que estou cansado, não sei: 
De nada me serviria sabê-lo, 
Pois o cansaço fica na mesma. 
A ferida dói como dói 
E não em função da causa que a produziu. 
Sim, estou cansado, 
E um pouco sorridente 
De o cansaço ser só isto 
Uma vontade de sono no corpo, 
Um desejo de não pensar na alma, 
E por cima de tudo uma transparência lúcida 
Do entendimento retrospectivo... 
E a luxúria única de não ter já esperanças? 
Sou inteligente; eis tudo. 
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, 
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá, 
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa. "

Álvaro de Campos, in "Poemas"

7 de maio de 2014

5 de maio de 2014

Quem viu?

Eu vi, na sua estreia em Portugal. Fui ao Corte Inglés e ainda recebi uma t-shirt de promoção que ainda tenho, e muito engraçada por acaso.
Foi o primeiro filme que vi deste realizador e achei um filme excelente.
Nunca o revi, mas lembro-me bem do filme e, hoje, voltei a lembrar-me.
Quem não viu, fica aqui com o trailer. O filme é excelente.
Em Portugal foi traduzido para "Cruel".



"O Terminal", na Europa

A situação na Ucrânia, sempre o disse, é mais complexa do que aparentava. Quando o ex-presidente da Ucrânia foi deposto, pareceu que o problema estava resolvido, mas, como calculava, não estava. Não estava e continua a não estar, evidenciando, para quem ainda não tivesse dado conta, que o problema é maior e de mais difícil resolução.
A situação geo-política assim o sugere, como a histórica.
Há elementos, vários, que as notícias e os pensadores continuam a não manifestar, por exemplo, que países à volta da Ucrânia, para além da Rússia (Hungria, Polónia e até Roménia), começam a reclamar partes de território Ucraniano; que os Russos, há muito não deixam entrar Ucranianos (sexo masculino e até certa idade) no seu território. Isto denota bem as relações de força naquela zona do globo e a complexidade na resolução da coisa.

Ao contrário do que se poderia pensar, o problema proposto em O Terminal, com Tom Hanks, não é meramente exercício de imaginação, antes, uma situação potencialmente real.

28 de abril de 2014

Um país mais pobre.

É sabido, morreu Vasco Graça Moura.
Mais do que triste -também-, fiquei preocupado com o facto. Digo-o, sabendo que é, talvez, um pouco ridícula a afirmação. Mas, ainda assim mantenho-a.

Não sou um conhecedor do homem, obra ou sequer pensamento, no entanto, tenho uma escassa ideia. Mas dessa escassez, consigo vislumbrar um homem das letras, de pensamento, de sabedoria, exemplar a todos os níveis e é por isso que fico preocupado com a morte de mais uma das poucas mentes deste país que sabiam e podiam falar sobre ele com propriedade. 

Não sei se o Governo declarou luto nacional. Espero que o tenha feito. O país está de facto de luto, ainda que passando ao lado da morte de Vasco Graça Moura que talvez, se tivesse sido jogador de futebol recebesse mais atenção, a justa, a merecida.

Era capaz de dar uns anos de vida e até dízimo do meu subsídio de desemprego por ter pelo mais tempo possível Graça Moura e Álvaro Cunhal.

Falta agora morrer Eduardo Lourenço e José Gil, para o país entrar em coma.

25 de abril de 2014

O gato de Schrondinger ou dos blogs?!

"Schrödinger escreveu:
Cquote1.svgQualquer um pode mesmo montar casos bem ridículos. Um gato é trancado dentro de uma câmara de aço, juntamente com o dispositivo seguinte (que devemos preservar da interferência directa do gato): num tubo contador Geiger há uma pequena porção de substância radioativatão pequena que talvez, no decurso de uma hora, um dos seus átomos decaia, mas também, com igual probabilidade, talvez nenhum se decaia; se isso acontecer, o tubo contador liberta uma descarga e através de umrelé solta um martelo que estilhaça um pequeno frasco com ácido cianídrico. Se deixarmos todo este sistema isolado durante uma hora, então diremos que o gato ainda vive, se nenhum átomo decaiu durante esse tempo. A função-Ψ do sistema como um todo iria expressar isto contendo em si mesma o gato vivo e o gato morto simultaneamente ou dispostos em partes iguais.
É típico destes casos que uma indeterminação originalmente confinada ao domínio atómico venha a transformar-se numa indeterminação macroscópica, a qual pode então ser resolvida pela observação direta. Isso previne-nos de tão ingenuamente aceitarmos como válido um "modelo impreciso" para representar a realidade. Em si mesma esta pode não incorporar nada de obscuro ou contraditório. Há uma diferença entre uma fotografia tremida ou desfocada e um instantâneo de nuvens e bancos de nevoeiro. Cquote2.svg

A verdade que Schrodinger desconhecia, assim como Einstein, é que, a situação acima relatada não só não é ridícula, como  é afinal a verdade, quer dizer, uma das regras básicas de funcionamento da racionalidade humana, que data já dos gregos e que diz que "uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo", é não só possível, como, mais, é mesmo o substracto da realidade.




Dos blogs, das pessoas e tudo o resto. Uma borla.

"Ora, uma coisa é ser sincero por dever, e outra coisa ser sincero pôr temos das conseqüências
desagradáveis: no primeiro caso, o conceito da ação em si mesma contém já uma lei
para mim; mas no segundo caso, preciso, antes de mais nada, tentar descobrir alhures
quais as conseqüências que se seguirão à minha ação. Porque, se me desvio do princípio do dever, cometo decerto uma ação má; mas se abandono minha máxima de
prudência, posso, em certos casos, auferir daí grandes (403) vantagens, embora, na
verdade, seja mais seguro ater-me a ela. Afinal de contas, no concernente à resposta a
esta questão: se uma promessa mentirosa é conforme ao dever, o meio mais rápido e
infalível de me informar consiste em perguntar a mim mesmo: ficaria eu satisfeito, se
minha máxima (tirar-me de dificuldades por meio de uma promessa enganadora
devesse valer como lei universal (tanto para mim como para os outros? Poderei
dizer a mim mesmo: pode cada homem fazer uma promessa falsa, quando se encontra
em dificuldades, das quais não logra safar-se de outra maneira ? Deste modo, depressa
me convenço que posso bem querer a mentira! mas não posso, de maneira nenhuma
querer uma lei que mande mentir; pois, como conseqüência de tal lei, não mais haveria
qualquer espécie de promessa, porque seria, de fato, inútil manifestar minha vontade a
respeito de minhas ações futuras a outras pessoas que não acreditariam nessa
declaração, ou que, se acreditassem à toa, me retribuiriam depois na mesma moeda; de
sorte que minha máxima, tão logo fosse arvorada em lei universal, necessariamente se
destruiria a si mesma"

Fundamentação da Metafísica dos Costumes; Immanuel KANT

Res Pública

24 de abril de 2014

23 de abril de 2014

18 de abril de 2014

Da Páscoa e tudo o resto.

Como o Natal, a Páscoa é uma época eminentemente religiosa. Multiplicam-se em blogs e facebooks, as mensagens de boa páscoa, sendo que, atrevo-me a dizer, poucos terão noção absoluta da dimensão religiosa da Páscoa, quer dizer, do seu cariz profundamente religioso. Eu, sendo um louco minimamente erudito  criado numa família dita católica, tendo estudado numa Universidade Católica, tendo pertencido ao Corpo Nacional de Escutas que é uma entidade também religiosa, tenho bem presente que, como já disse, a Páscoa não é outra coisa senão um momento religioso.
Eu, assumindo-me como agnóstico, sei, em todo o caso o porquê de a cor roxa ser a cor exibida nesta época pascal; sei porque hoje, sexta feira santa, se não deve consumir carne e porque se costuma comer o cabrito no Domingo de Páscoa. Se cumpro esta tradição é pelo respeito pelo momento religioso que a época representa.

Oiço frequentemente a expressão "sou um/a católico não praticante". Esta expressão demonstra a hipocrisia e o desconhecimento de matérias teológicas. Poderei ser criticado pelo que a seguir direi, mas, em abono da verdade reitero que as singelas palavras seguintes são factos comprovados por qualquer religião: é impossível ser um católico não praticante, assim como é impossível ser de uma qualquer outra religião, mas não praticante, isto pela simples razão que, qualquer religião se rege por um conjunto de princípios/regras/dogmas que têm de ser seguidos à risca. Logo, não é possível dizer-se desta ou daquela religião mas não praticante. Não, ser de uma religião é precisamente o contrário, ou seja, por em prática no dia a dia o que aquela religião dita.
E aqui está a pedra de toque da questão. Seria o mesmo que dizer sou piloto de fórmula 1 mas não sei o que é o acelerador; ou sou pai mas não tenho filhos, etc etc

Ser religioso, seguir à risca os ditames de uma religião, por em prática no dia a dia aquilo que a religião "manda" não é fácil nem é qualquer um(a) que o consegue. A própria Madre Teresa de Calcutá afirmou que muitas vezes tinha dúvidas.

Dizia, aqui está a pedra de toque do assunto. Muitos dizem-se religiosos, mas poucos o são de verdade. Muitos, dizem-se boas pessoas, mas poucos o são. Porquê? porque desconhecem  os princípios base da religião, os chamados Dogma  ou desconhecem os princípios aristotélicos -em vigor até hoje- do que é a amizade. Ou ainda, conhecendo, não conseguem implementar no seu dia a dia esses mesmos princípios, quer os religiosos quer os aristotélicos relativos a princípios morais de vida. Assim, muitos andam enganados sobre si próprios, julgando-se fervorosos religiosos e boas pessoas, exemplo máximo e último para tudo e todos, mas que, na realidade desconhecem as suas enormes falhas enquanto supostos religiosos e cidadãos exemplares. Essa é a dificuldade, levar até ao limite esses dogmas e os princípios aristotélicos presentes na obra Ética a Nicómaco. E aqui volta a erudição de um louco ou maluco como eu sou. Como Kierkegaard, bem observou, ser Cavaleiro da Fé, é uma tarefa gigantesca, extraordinariamente difícil, ao alcance de poucos, muitíssimo poucos. Poucos, como Abraão levam ao limite as suas crenças, os dogmas, os princípios aristotélicos, ou seja, poucos sacrificam o que de mais pessoal e íntimo têm, à imagem de Abraão que se preparava para sacrificar o seu filho, o seu bem mais adorado e que tanto lhe custou a ter, tanto sofrimento gerou em Abraão e a sua mulher, Sara. O filho de ambos, Isaque, só chegou quando ambos - Abraão e sara- tinham já uma idade na casa das centenas, no entanto, Abraão nunca pensou duas vezes em sacrificar o seu filho em nome de Deus. Quantos de nós seríamos capazes de tal façanha? poucos ou nenhuns mesmos. É fácil dizer que sou religioso, que sou óptima pessoa, no entanto, provavelmente, dificilmente me disporia a abdicar de muita coisa e este é o erro de todos ou quase todos, de nada ou pouco abdicam julgando ainda assim que são exemplos, por isso, melhores que os outros.

Se queremos mesmo ser tidos por exemplos e julgar os outros -direito que ainda assim nunca nos foi conferido, nem no plano religioso nem moral-, temos de abdicar de tudo, mas, como já disse, isso é algo  extraordinariamente enorme por isso mesmo, "muitos são os chamados, poucos são os escolhidos". 

Apesar de louco, que sei que sou, já o digo desde 2010 por aqui, consigo ter noção que nunca seria chamado e muito menos escolhido. Não detenho essa hipocrisia, sou muito mais humilde, nem escolhido me consideraria, porque sei à partida da dificuldade de me assumir integral e completamente. Sei que não consigo ser o Cavaleiro da Fé que Kierkegaard refere, por isso, não ostento essa hipocrisia que assola os nossos dias e transparece em todos os domínios da realidade, onde, a World Wide Web e este mundo, a bologosfera se insere. Não sou o homem light que Lipovetsky tão bem caracterizou, simplesmente porque sei que os dias e tudo o que isso acarreta, não pode ser levado de ânimo leve, ainda que me seja impossível ser Abraão.
Não sou certamente o Homem que Nietszche procurava com uma lanterna no meio da praça, porque não sou um Cavaleiro da Fé, nem um aristotélico puro e duro. Muitos ou todos não o serão também, pelos argumentos que já aduzi, no entanto, sem terem noção todos ou muitos vivem agrilhoados na caverna.

6 de abril de 2014

Ser porco.

«O Velho Major, o mais respeitado porco, reúne, durante a noite, todos os animais da quinta e conta-lhes um sonho que tivera - a sua morte estava para breve e compreendia, então, o valor da vida. Explica logo aos companheiros que devem a sua miserável existência à tirania dos homens que, preguiçosos e incompetentes, usufruem do trabalho dos animais, vítimas de uma exploração prepotente. O Velho Major incita o grupo não só à rebelião, para derrotar o inimigo, como também a entoar o cântico de revolta "Animais de Inglaterra".Três dias depois, morre o Velho Major. Mas a revolução prossegue, com novos líderes - os porcos Snowball, Napoleão e Squealer, que criam o Animalismo, como sistema doutrinário, com "Os Sete Mandamentos". Expulsam o dono da quinta e mudam o nome da propriedade para "Quinta dos Animais". Dada a estupidez e a limitação de alguns, que não conseguem decorar os "Mandamentos", Snowball reduziu-os a uma máxima: "Quatro pernas, bom; duas pernas, mau".O regime do Animalismo começa logo de forma vigorosa, com todos os animais a trabalharem, de forma a fazerem progredir a quinta, a auto-gestão estimulava o orgulho animal. Snowball cria uma lista de comissões para conceber programas de desenvolvimento social, educação e formação.Com o passar do tempo, os porcos tornam-se corruptos pelo poder. Instala-se então uma nova tirania, sob o comando de Napoleão, que passa a impor um novo princípio: "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros".


George Orwell, Triunfo dos Porcos

17 de março de 2014

9 de março de 2014

 “O belo é aquilo que provoca um conhecimento gozoso.”
S. Tomás de Aquino

2 de março de 2014

Shiver?!

Estás a ver as notícias como eu? Estás a ver as cenas na Ucrânia? Estás a ver as constantes referências à Crimeia? Lembras-te Shiver, quando no teu blog, te disse qualquer coisa como: "parece que está mais calmo". Preferia não ter razão Shiver.
Shiver, estamos a falar do centro geopolítico da Europa. Esse centro, por ser isso mesmo, um centro geopolítico, é muito mais complexo do que aparenta.

Tenho um receio enorme do que por lá se passa, já te disse no teu blog, como disse aqui e agora repito.

Vamos a ver o que dá "aquilo", mas Shiver, a situação na Ucrânia, nunca foi uma mera "guerra" ao ex-presidente do país, por um "mero" grupo de gente barricado em Kiev.

24 de fevereiro de 2014

22 de fevereiro de 2014

Cenário: cozinha com o computador ligado à Tv e onde passava ininterruptamente O Mio babbino caro interpretado por Maria callas e que ontem aqui coloquei. João pai ultimava o jantar.

João filho entra na cozinha.

João esperto: qué isto que tás a ouvir pai? não gosto!
João pai: chama-se ópera!
João esperto: não gosto!
João pai: o pai gosta muito.
João esperto: nunca te tinha ouvido a ouvir ópera! não gosto de ópera pai! Pai!!
João parvo: diz filho!
João esperto: porque é que parece que a mulher tá a chorar?


21 de fevereiro de 2014

"Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões.  Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outras tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho puído. Não me habituo: não posso ver uma árvore sem espanto, e acabo desconhecendo a vida e titubeando como comecei a vida. Ignoro tudo, acho tudo esplêndido, até as coisas vulgares: extraio ternura duma pedra."

Raul Brandão

18 de fevereiro de 2014

Depois de ter visto Nifomaníaca Volume I, hoje fui ver o volume II.

O volume II começa com a acção exactamente no mesmíssimo sítio onde havíamos ficado no fim de Volume I.
O Volume II é isso mesmo, a continuação do I, por isso nada de novo, metáforas e mais metáforas. Aquele que apelidei de "escutador" -intencionalmente- finalmente é apresentado e assumido e comparado com isso, um confissor, alguém que ouve, atentamente, sem julgar. Sem julgar por razões evidentes que se denotam no aspecto austero da sua casa, no suporte físico usado para ouvir música, nas metáforas que elabora a partir da vida da ninfomaníaca, pela cultura geral que apresenta, tal qual um padre. Há até um outro elemento semelhante entre este escutador do filme e um padre de verdade, mas não sou desmancha-prazeres e não digo qual é.
Há uma certa reviravolta nos acontecimentos do filme -não na vida da personagem feminina- o que era expectável, confesso que não esperava o fim, embora, olhando para a coisa de modo estritamente racional, vários indícios assim apontavam.
A reviravolta na mulher, de facto acontece, qual epifania, depois de ela se dar conta de toda a sua vida até então.

Mesmo existindo elementos novos neste segundo volume, a persistência na metáfora, a visão flosófica da coisa - neste caso foi Zenão de Eleia, foram buscar as aporias de Zenão; a perpesctiva dialéctica da vida ao estilo hegelianao também presente-, repetida exaustivamente, acabou por me cansar, ao ponto de, a última metáfora, a da luz, não ter tido qualquer impacto na minha pessoa. Estive aliás à espera, a todo o momento, que o confissor se saísse com Parménides à conta da luz e da sua simbologia, mas não, faltou essa ao Von Trier, sendo que o Freud está em alta neste volume.

Se puderem vejam a coisa num acto só. Ganha mais sentido e provavelmente não cansa com as metáforas.

ah! também há metáforas com árvores e aquela coisa do morrer de pé e renascer e subir e ultrpassar limites e assim e assado.