"Estou cansado, é claro, Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. De que estou cansado, não sei: De nada me serviria sabê-lo, Pois o cansaço fica na mesma. A ferida dói como dói E não em função da causa que a produziu. Sim, estou cansado, E um pouco sorridente De o cansaço ser só isto Uma vontade de sono no corpo, Um desejo de não pensar na alma, E por cima de tudo uma transparência lúcida Do entendimento retrospectivo... E a luxúria única de não ter já esperanças? Sou inteligente; eis tudo. Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá, Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa. "
“Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que lhe provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.”
Please, come sit dowAnnotaten I need to set you straight before we go any further
I've learned from loneliness That lonely can be bitter and lonely can be sweet Sure, I know I don't need a man to be complete and I also know that what I want and what I need don't always meet But being alone ain't all that bad cause see I've been there and I've done that I'm in the midst of an evolution of myself I was tired of the search, so had to sit it on the shelf
Lonely can be sweet, lonely can be sweet My soul's music, my life beat Lonely can be sweet, lonely can be sweet, lonely can be sweet My soul's music, my life beat Lonely can be sweet
I haad been looking for my cowboy, like that girl says in that song Where have all the cowboys gone In my former life my once cowboys have gone hoochie hopping and car shopping riding their egos like wild horses or collision courses with their machismo, while I slow slaughtered as their valor and virtue drowned in deep water, deep water So I decided to chill with me for the moment and play my own violins And strike my own candlelight So every night is my night
Lonely can be sweet, lonely can be sweet My soul's music, my life beat Lonely can be sweet, lonely can be sweet, lonely can be sweet My soul's music, my life beat Lonely can be sweet
Are you listening I need to be completely sure that you're listening
I used to think that the moons name might as well have been Lonely Now I sip my night full like it where blackberry marsala Then lick the excess off my lips So as not to waste one drop of it's sweetness I satisfy my wonderlust With the wildness of the night and the comfort of myself I've taken up hedonism as a hobby And have made it harder for the next man to step into my life without a plan For how to please me better than I pleased myself So if you've come without a plan, than make a swift retreat cause
Lonely can be sweet, lonely can be sweet My soul's music, my life beat Lonely can be sweet, lonely can be sweet, lonely can be sweet My soul's music, my life beat Lonely can be sweet
10 de fevereiro de 2014
2 de fevereiro de 2014
" "Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali... A minha glória é esta: Criar desumanidades! Não acompanhar ninguém. — Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre à minha mãe Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos... Se ao que busco saber nenhum de vós responde Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí... Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, E vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas, Tendes jardins, tendes canteiros, Tendes pátria, tendes tetos, E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios... Eu tenho a minha Loucura ! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém! Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca principio nem acabo, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções, Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou, É uma onda que se alevantou, É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou Sei que não vou por aí!"
Cântico negro
José Régio
1 de fevereiro de 2014
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa, Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
(...)
Falhei em tudo."
Álvaro de Campos, Tabacaria
23 de janeiro de 2014
"Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo: te amo secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, e graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascender da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, te amo directamente sem problemas nem orgulho: assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Se não assim deste modo em que não sou nem és tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."
"Dorso
terso
morno
denso
Corpo
nu
Horto
Berço
Torso
tenso
Torre
Tu"
David Mourão Ferreira
O Corpo Iluminado
21 de janeiro de 2014
"Húmido de beijos e de lágrimas. ardor da terra com sabor a mar, o teu corpo perdia-se no meu.