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21 de abril de 2019

Luxos

Ganho num mês em Londres, o que ganho em portugal em 3, por isso, já me posso dispôr a alguns luxos. Há um invariável ( e único aliás) que ficou do meu pai amplificado pelo meu irmão através da Hi-Fi: a música. Abundam lojas que envergonham duas Fnac's juntas.
Sozinho, consigo ter maior disponibilidade -ainda que sem a minha hi-fi- para apreciar a música, a que vou comprando (tudo em vinil) e vem com código para descarregar em MP3, seja ela música nova que descubro sejam bandas que já conhecia.
É o caso do momento, em que leio Javier Marías, O teu rosto amanhã (III) e oiço nos head-phones Nils Frahm.

Não os tenho contados, mas mais de meia dúzia seguramente já comprados, entre discografia completa de The Smiths, Depeche Mode, Mogwai, U2 (estes, todos usados bem baratos e em bom estado) entre outros que descobri como Rozi Plain ou Krhuangbin, etc. e há sempre mais que quero comprar....não sei quantos quilos tenho em vinil aqui no quarto mas uns quantos já certamente!

9 de junho de 2016

Oficial

Agora é oficial, um senhor doutor diagnosticou-me como sendo bi-polar tipo II. O título não me assusta, assusta-me sim a constante queda. Assusta-me a contínua desligação de tudo o afastamento de tudo e todos. A medicação é cada vez mais e mais forte. Entrei em campos de medicação que achava absurdos e impossíveis. Chegar ao fim de um dia é uma conquista para a qual não tenho palavras. Não me desmancho em choro no trabalho porque não posso, sei que não posso e por isso faço um esforço sobre humano para que tal não aconteça. No trabalho a prestação é sempre aquém.
Re-lembro as palavras repetidas do médico:" numa situação normal vocês já estava reformado por incapacidade, só a sua resiliência o mantêm ainda capaz e isso é uma conquista enorme". 41 anos, já estaria reformado....41 anos...parece uma anedota...não desejo isto a ninguém. Ninguém merece. Ninguém merece um cancro e doenças que tais, e esta é outra das que tais, que vai consumindo, que nos mata em silêncio, que nos consome. Tantas e tantas vezes que me apetece é estar em lado nenhum.
Nem estes dias luminosos me animam, nem o meu filho de quem tanto gosto me anima. 
Estou sem força. Não tenho força, mas ainda por aqui estou, por razões que desconheço.

Estou longe de tudo e todos. Quero sorrir e não consigo. Isto não é viver certamente. E a maior loucura é que no meio de tudo isto ainda tento montar um pequeno negócio que me permita ganhar um dinheiro extra. Não tem sido fácil mas tem sido um desafio bom, mas muito difícil.  Sinto-me cansado, estou cansado. Já chega.


10 de março de 2016

3 de março de 2016




Tu e eu. Cartas de um frágil castelo edificado a partir do nosso primeiro olhar, do primeiro toque, da primeira penetração, da primeira ejaculação.

25 de agosto de 2014

Conheceram-se como se conhece o mar e o céu. 
Ela levou-o, despiu-o e despiu-se para ele. 
Ele levou-a. Como ela, deitou-a na sua cama e partilhou o seu mais íntimo para além do corpo e da alma, o seu coração, o seu ar, o seu olhar, o seu dia a dia.

Ele conheceu-lhe a pele, as veias rosáceas, o beijo. Ela tocou-o exactamente onde devia. Olhou-o exactamente como ele queria ser olhado, disse-lhe exactamente o que ele queria ouvir. Mas ele, como sempre, refugiou-se na sua solidão perante tamanha intensa mulher. 

23 de agosto de 2014

O que faço com esta vontade que te tenho? Como é que sacio a necessidade que o meu corpo tem do teu? Já é condição do meu ser...Tua puta, sempre.



Faz hoje sete anos. Há sete anos que saiu do útero da sua mãe. Há sete anos que faz companhia e oferece a sua meiguice.

20 de dezembro de 2013

Ainda os meus ricos colegas

Certa vez falou-se no restaurante 100 Maneiras. Uma tiazoca, a única que lá há no curso e que até não é má pessoa, afirmou de peito inchado que já lá tinha ido jantar. Perguntei-lhe a qual dos 100 Maneiras foi jantar, respondeu: "Aquele ao pé do bairro alto!", mas afirmou isto com um piquinho de arrogância -porque já lá tinha ido jantar, logo é uma tipa com status, e eu não-. Mas quando lhe disse que existem 3 restaurantes de nome 100 Maneiras, admitiu que não sabia desse facto.

Eu nunca jantei nem almocei em qualquer um dos 100 Maneiras, mas sei que são 3 os que existem.

5 de dezembro de 2013

13 de outubro de 2013

Há para já, pelo menos, uma enorme virtude na nova profissão que procuro abraçar, por contraste com a que antes desempenhava -docente-,é que, enquanto cozinheiro, ainda que estagiário, nenhum gesto é em vão, nada do que faço é desperdiçado. Enquanto professor, o que procurava transmitir era absorvido apenas por, cada vez mais, menos alunos, os cada vez menos que se interessavam pelo saber. Enquanto cozinheiro tudo tem utilidade, tudo serve para algo. E entre essas duas profissões há ainda dois pontos de contacto: 1º os muitos famosos diálogos giram sempre à volta de uma mesa, de vinho e comida e este parece ser o pano de fundo comum na construção de uma filosofia que chegou até nós; 2º saber e sabor têm a mesma origem etimológica, saporo.

16 de setembro de 2013

Like

Tenho o Chef Augusto Gemelli, no facebook, a  "fazer-me" like nesta receita. 
Mesmo que seja só por simpatia, não tou a caber em mim.

22 de julho de 2013

Novo antigo registo

Os meus eu's.

Sou o gajo que se levanta às 6 da manhã, toma banho, veste e toma o pequeno almoço. Que limpa o quintal do seu fiel amigo Nino. Que rega a sua micro horta. Que prepara a mala para o curso. Que acorda o filho e fica a olhar para aquele ser, o filho, o meu filho e como o acho bonito, como gosto de sentir o seu calor, de o olhar, de como lhe quero bem. Que o veste e mete-o no carro com o avô para ir para a praia. Sou o gajo que vai depois para o curso que frequenta por estar desempregado e em que deposita muita esperança de que com ele consiga arranjar trabalho. Sou o gajo que no curso procura ensinar certas coisas a alguns colegas. Sou o gajo que sai do curso e vai directo à Makro comprar uma máquina de vácuo a pedido de uma colega que não pode lá ir. Sou o gajo que regozija por ter comprado para a colega e para si próprio uma máquina de vácuo. Sou o gajo que depois vai ao banco tentar negociar o pagamento mensal da casa depois de saber que a apólice de seguro não cobre desemprego, porque já não consegue a casa. Que depois disto vai tratar da matrícula do filho e que daí vai ter com a mãe e seu filho, para levar a mãe ao dentista. Sou o gajo que depois disto tudo, sendo 17 horas ainda não almoçou, mas que mesmo assim está numa escola das 17 ás 19 a receber inscrições de meninos e meninas num CAF já que sou ainda o gajo que é presidente de uma associação de pais. SOu o gajo que às 19 horas tem uma reunião com a coordenadora da escola de que é presidente da associação de pais para debater alguns assuntos. Sou o gajo que posto isto está cansado, até porque, por volta das 16 horas meteu um victan debaixo da língua por estar prestes a chorar. Sou o gajo que depois disto, às 21 fica maravilhado com as cores do céu e que lamenta apenas ter conseguido esta mísera foto:
sou o gajo que devia estar a jantar mas primeiro tive de ir obter assinaturas de uns colegas da associação de pais e que só agora regressei a casa e ainda não jantei porque  antes, sou o gajo que esteve aqui a escrever isto.
Apetece-me chorar.Só não choro por causa do victan.

22 de março de 2013

O que andava a faltar por aqui

" Descontrolo devagar
sobre o teu corpo
os lábios de súbito desmanchados

e as mãos não cedem
nos teus ombros
à sede de ter-te nos meus braços

Mas se desfeito
descubro nos lençóis
um suor curvado amachucado

Vou-te moredendo - voraz
numa doença
bebendo em delírio o que me fazes. "


                                                                                                                     Desejo, Maria Teresa Horta.


4 de novembro de 2012

A espera

"Can I wait the hours
Till you find me"





22 de junho de 2012

No coração dos dias habita um rio de luz. Lá, os momentos são doces como moscatel.