"-(...) quando tiras a febre, um minuto tem a duração que tu julgas que ele tem?
- um minuto tem a duração...dura o tempo que o ponteiro dos segundos leva a descrever uma volta inteira.
-Mas essa volta tem durações completamente distintas consoante a nossa maneira de sentir (...)"
Thomas Mann
Hoje comecei bem o dia, dormi e a madrugada já estava tépida e com luz o que fez com que os 150 km na minha menina (para quem eventualmente não saiba: uma mota, a bmw r1220 rt) fossem muto agradáveis. A manhã foi passando e a coisa começou a correr mal, um pânico, uma inquietação, nenhuma forma que me permitisse estar bem, ao ponto de meter um victan que trago sempre na carteira, debaixo da língua. Ao fim de pouco tempo um certo sossego. A tarde já passou, lavei a mota na garagem e depois fui mamar umas minis. A coisa parece estar melhor. Estou sozinho no alentejo. O meu irmão hoje 39 anos, mas hoje não está com a namorada e o filho dela e o deles que já se sabe no útero dela. Estou sozinho, as ervilhas com linguiça e ovos está ao lume, a aparelhagem toca estupidamente alto The Walkmen. Sinto-me melhor. O oposto da manhã, eléctrico agora.
Na memória do dia o acto altruísta de dar a um colega professor, com filhas gémeas, o manual de filosofia que usarão no próximo ano. Menos cerca de 30 euros que gastará em manuais pró ano.
Na memória do dia, agora, a música que enche a casa e a luz, o calor, as cores do alentejo.
Deve ser isto que deve ser um bipolar, de manhã totalmente perdido, agora o excesso.
Esta merda cansa.
Ao jantar há tinto douriense e só para ser merdoso meto depois aqui fotos do petisco que arranjei e do tintole. E aqui, no alentejo, também há aparelhagem com nível e nexpresso. E há com certeza, depois do jantar, um vaguear pela noite silenciosa, estrelada e perfumada.