Ligou-lhe. Ouviu a sua voz a dizer "tou!". Não lhe respondeu. Colocou apenas o seu telemóvel junto à coluna de música.
Deixou a música viajar de um lado para o outro. Pensou que ela não ficaria até ao fim. Ficou.
Quando a música acabou desligou a chamada. Sem mais.
Mais tarde, já noite bem escura foi o seu telefone que tocou. Era o número para onde havia ligado antes. Era ela. Foi a vez de ele dizer "tou". Do outro lado apenas o som fundo da garganta dela que lhe dava a entender que ela se tocava.
A voz foi crescendo, cada vez mais funda, até ao limite.















