31 de janeiro de 2014

Sobre mim, alguém escreveu:

"Gostava que um dia olhasses para ti e visses na tua pessoa o mesmo que eu vejo quando te olho:

Um homem bonito, muito bonito, na beleza evidente e naquela que sobretudo se nota de olhos fechados.
Um homem apaixonado, que exala um entusiasmo cativante pelas coisas de que gosta, enlevando os sentidos de quem o escuta.
Um homem intenso, que põe de si em tudo o que faz de forma sincera e espontânea.
Um homem atento, que capta de modo sensível a circunstância particular, que por vezes é dúbia e incerta. 
Um homem menino, que conserva a doçura e a meiguice da infância, de modo puro e desarmadamente simples.

Este homem tem na pele sinais, que ponto a ponto, nos desafiam a traçar um desenho e a sonhar com a possibilidade de um desfecho, como nos jogos infantis.
Tem nos olhos o desejo, a vontade, a ânsia que inebria e atrai, que delicia e encanta.
Na boca, o deleite voluptuoso que nos extasia, o onírico que se efectiva. 

A fragilidade, o desassossego, são reflexos de uma alma inquieta que procura, que questiona, repercutindo que não é de uma figura mitológica que falamos mas sim de um homem, carne e osso, que sente, sente muito, sente demasiado, e por esse excesso, sofre."
"Glossário

Considerámos inútil explicar plavras como cona, racha, grelo, rata, pissa, pixota, caralho, colhões, esporrar-se(verbo), esporra (substantivo), entesar, masturbar, chupar, foder, encaralhar, metê-lo, enconar, enrabar, descarregar, pissa postiça, fufa, sessenta e nove, minete, puta, bordel.
Tais palavras são familiares a todas as meninas."

Pierre Louys
Manual de Civilidade para meninas


Ora aqui está, quiçá, pela primeira vez neste espaço de merda um vídeo bem sensual e provocatória, sendo que, claro, a música é, na minha opinião, uma valente merda, ditada a ser esquecida daqui a um  par de anos.





Nada disto fui eu que fiz. Publico porque apesar de tudo fui eu que tirei as fotos.
Uma análise aos número de leitores/pessoas que acompanham esta merda, seria como uma discussão entre governo e sindicatos em volta dos números da adesão a uma greve.



tenho de  me pôr na alheta embora seja algo contra-natura, mas esta é a verdade. ir pró caralho. moer os cornos doutra maneira. chorar de outra maneira estender a mão de outra maneira. 
Como diz o "meu" enorme Eugénio de Andrade:

"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus."


Já me chamaram de tudo no curso que frequento. 

Hoje, com habitualmente, trago alguma louça minha de casa e algum material para embelezar os empratamentos. Hoje por exemplo, trouxe uns pós novos que adquiri e que, naturalmente são comestíveis e permitem dar uma cor e uma vivacidade brutal aos pratos, a saber, pó de ouro e pó violeta e vermelho. Também trouxe flores de alecrim.

O chef de pastelaria que está connosco hoje, fez uns empratamentos bem bonitos. Vai a malta vai para tirar fotos. Mas, como hoje me deu nos cornos, disse que ninguém tinha a minha autorização para tirar fotos, só se o chef autorizasse.
Foi o fim da picada.
Vão pó caralho e chamem-me santo. A única coisa que ainda não me chamaram.
Sim, quando quero sou um granda filho da puta e consigo fazer frente a mil touros.

Ontem, fizemos um teste. Havia uma pergunta que era: "O que quer dizer a frase : "...de escravo tornaram-se servos.". Tenho para mim que muita gente, mesmo no contexto da disciplina deve ter ficado como um burro a olhar para um palácio.
Jantar. Ontem.



bom fim de semana




bom fim de semana
O que as notícias não mostram nem dizem, é que na Ucrânia também há muita gente a favor da manutenção da relação política-económica com a Rússia e não com a União Europeia.
O que as notícias não mostram nem dizem, nem entrevistam ninguém sobre essa dimensão do problema na Ucrânia, é que há muita gente que não quer uma relação política-económica com a União Europeia, não tanto por questões ideológicas e históricas, mas antes porque, muitos Ucranianos sabem que, se entrarem na União Europeia vão ter indústria, produção, postos de trabalho destruídos, como aconteceu nos anos 80 em Portugal.
E isto tudo, apesar de os Ucranianos, de facto, estarem fartos da família que governa o país, a família do presidente da Ucrânia, sobre a qual até há uma anedota interessante: o presidente sobrevoa uma região do país de helicóptero e vê grandes zonas despovoadas, abandonadas e de repente vê uma fábrica e pergunta de quem é a fábrica e dizem: Sr. Presidente é de um seu filho. A coisa repete-se mais duas vezes, uma vez que o presidente tem 3 filhos, até que o presidente diz: mas neste país só eu e os meus filhos é que trabalhamos?!
Olhemos para o estado da Europa.
Olhemos para o estado da Rússia.
Onde preferias estar?

geopoliticamente a coisa é muita mais complexa do que a simplicidade apresentada nas notícias.

30 de janeiro de 2014

Estou a pensar emigrar. Já não pelo desemprego. Já não pelo estado deste país. Já não por estes políticos de merda. Apenas porque já não posso ouvir falar em praxes e Meco, foda-se.

29 de janeiro de 2014

" Não digais: «Tenho vontade de foder.» Dizei: «Sinto-me nervosa.» "

" Não digais: «Vim-me como uma louca.» Dizei: «Sinto-me um pouco cansada.» "

Manual de Civilidade para Meninas
Pierre Louys






28 de janeiro de 2014




"A Mulher Portuguesa Tem um Bocado de Pena dos Homens

A mulher portuguesa não é só Fada do Lar, como Bruxa do Ar, Senhora do Mar e Menina Absolutamente Impossível de Domar. É melhor que o Homem Português, não por ser mulher, mas por ser mais portuguesa. Trabalha mais, sabe mais, quer mais e pode mais. Faz tudo mais à excepção de poucas actividades de discutível contribuição nacional (beber e comer de mais, ir ao futebol, etc). Portugal (i.e., os homens portugueses) pagam-lhe este serviço, pagando-lhes menos, ou até nada.

O pior defeito do Homem português é achar-se melhor e mais capaz que a Mulher. A maior qualidade da Mulher Portuguesa é não ligar nada a essas crassas generalizações, sabendo perfeitamente que não é verdade. Eis a primeira grande diferença: o Português liga muito à dicotomia Homem/Mulher; a Portuguesa não. O Português diz «O Homem isto, enquanto a Mulher aquilo». A Portuguesa diz «Depende». A única distinção que faz a Mulher Portuguesa é dizer, regra geral, que gosta mais dos homens do que das mulheres. E, como gostos não se discutem, é essa a única generalização indiscutível.

A Mulher Portuguesa é o oposto do que o Homem Português pensa. Também nesta frase se confirma a ideia de que o Homem pensa e a Mulher é, o Homem acha e a Mulher julga, o Homem racionaliza e a Mulher raciocina. E mais: mesmo esta distinção básica é feita porque este artigo não foi escrito por uma Mulher.

Porque é que aquilo que o Homem pensa que a Mulher é, é o oposto daquilo que a Mulher é, se cada Homem conhece de perto pelo menos uma Mulher? Porque o Português, para mal dele, julga sempre que a Mulher «dele» é diferente de todas as outras mulheres (um pouco como também acha, e faz gala disso, que ele é igual a todos os homens). A Mulher dele é selvagem mas as outras são mansas. A Mulher dele é fogo, ciúme, argúcia, domínio, cuidado. As outras são todas mais tépidas, parvas, galinhas, boazinhas, compreensíveis.

Ora a Mulher Portuguesa é tudo menos «compreensiva». Ou por outra: compreende, compreende perfeitamente, mas não aceita. Se perdoa é porque começa a menosprezar, a perder as ilusões, e a paciência. Para ela, a reacção mais violenta não é a raiva nem o ódio – é a indiferença. Se não se vinga não é por ser «boazinha» – é porque acha que não vale a pena.

A Mulher Portuguesa, sobretudo, atura o Homem. E o Homem, casca grossa, não compreende o vexame enorme que é ser aturado, juntamente com as crianças, o clima e os animais domésticos. Aturar alguém é o mesmo que dizer «coitadinho, ele não passa disto…» No fundo não é mais do que um acto de compaixão. A Mulher Portuguesa tem um bocado de pena dos Homens. E nisto, convenhamos, tem um bocado de razão.

O que safa o Homem, para além da pena, é a Mulher achar-lhe uma certa graça. A Mulher não pensa que este achar-graça é uma expressão superior da sua sensibilidade – pelo contrário, diverte-se com a ideia de ser oriundo de uma baixeza instintiva e pré-civilizacional, mas engraçada. Considera que aquilo que a leva a gostar de um Homem é uma fraqueza, um fenómeno puramente neuro-vegetativo ou para-simpático – enfim, pulsões alegres ou tristemente irresistíveis, sem qualquer valor.

E chegamos a outra característica importante. É que a Mulher Portuguesa, se pudesse cingir-se ao domínio da sua inteligência e mais pura vontade, nunca se meteria com Homem nenhum. Para quê? Se já sabe o que o Homem é? Aliás, não fossem certas questões desprezíveis da Natureza, passa muito bem sem os homens. No fundo encara-os como um fumador inveterado encara os cigarros: «Eu não devia, mas.. » E, como assim é, e não há nada a fazer, fuma-os alegremente com a atitude sã e filosófica do «Que se lixe».
Homens, em contrapartida, não podiam ser mais dependentes. Esta dependência, este ar desastrado e carente que nos está na cara, também vai fomentando alguma compaixão da parte das mulheres. A Mulher Portuguesa também atura o Homem porque acha que «ele sozinho, coitado; não se governava». O ditado «Quem manda na casa é ela, quem manda nela sou eu» é uma expressão da vacuidade do machismo português. A Mulher governa realmente o que é preciso governar, enquanto o homem, por abstracção ou inutilidade, se contenta com a aparência idiota de «mandar» nela. Mas ninguém manda nela. Quando muito, ela deixa que ele retenha a impressão de mandar. Porque ele, coitado, liga muito a essas coisas. Porque ele vive atormentado pelo terror que seria os amigos verificarem que ele, na realidade, não só na rua como em casa não «manda» absolutamente nada. «Mandar» é como «enviar» – é preciso ter algo para mandar e algo ao qual mandar. Esses algos são as mulheres que fazem.

O Homem é apenas alguém armado em carteiro. É o carteiro que está convencido que escreveu as cartas todas que diariamente entrega. A Mulher é a remetente e a destinatária que lhe alimenta essa ilusão, porque também não lhe faz diferença absolutamente nenhuma. Abre a porta de casa e diz «Muito obrigada». É quase uma questão de educação.

A imagem da «Mulher Portuguesa» que os homens portugueses fabricaram é apenas uma imagem da mulher com a qual eles realmente seriam capazes de se sentirem superiores. Uma galinha. Que dizer de um homem que é domador de galinhas, porque os outros animais lhe metem medo?
Na realidade, A Mulher Portuguesa é uma leoa que, por força das circunstâncias, sabe imitar a voz das galinhas, porque o rugir dela mete medo ao parceiro. Quando perdem a paciência, ou se cansam, cuidado. A Mulher portuguesa zangada não é o «Agarrem-me senão eu mato-o» dos homens: agarra mesmo, e mata mesmo. Se a Padeira de Aljubarrota fosse padeiro, é provável que se pusesse antes a envenenar os pães e ir servi-los aos castelhanos, em vez de sair porta fora com a pá na mão."

Miguel Esteves Cardoso, in ' A Causa das Coisas '