1 de fevereiro de 2014

             "Não sou nada.
              Nunca serei nada.
              Não posso querer ser nada.
              À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
      Janelas do meu quarto,
      Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
      (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
      Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
      Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
      Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
      Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
      Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
      Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
      Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
      Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
      (...)
      Falhei em tudo."
Álvaro de Campos, Tabacaria

31 de janeiro de 2014

Sobre mim, alguém escreveu:

"Gostava que um dia olhasses para ti e visses na tua pessoa o mesmo que eu vejo quando te olho:

Um homem bonito, muito bonito, na beleza evidente e naquela que sobretudo se nota de olhos fechados.
Um homem apaixonado, que exala um entusiasmo cativante pelas coisas de que gosta, enlevando os sentidos de quem o escuta.
Um homem intenso, que põe de si em tudo o que faz de forma sincera e espontânea.
Um homem atento, que capta de modo sensível a circunstância particular, que por vezes é dúbia e incerta. 
Um homem menino, que conserva a doçura e a meiguice da infância, de modo puro e desarmadamente simples.

Este homem tem na pele sinais, que ponto a ponto, nos desafiam a traçar um desenho e a sonhar com a possibilidade de um desfecho, como nos jogos infantis.
Tem nos olhos o desejo, a vontade, a ânsia que inebria e atrai, que delicia e encanta.
Na boca, o deleite voluptuoso que nos extasia, o onírico que se efectiva. 

A fragilidade, o desassossego, são reflexos de uma alma inquieta que procura, que questiona, repercutindo que não é de uma figura mitológica que falamos mas sim de um homem, carne e osso, que sente, sente muito, sente demasiado, e por esse excesso, sofre."
"Glossário

Considerámos inútil explicar plavras como cona, racha, grelo, rata, pissa, pixota, caralho, colhões, esporrar-se(verbo), esporra (substantivo), entesar, masturbar, chupar, foder, encaralhar, metê-lo, enconar, enrabar, descarregar, pissa postiça, fufa, sessenta e nove, minete, puta, bordel.
Tais palavras são familiares a todas as meninas."

Pierre Louys
Manual de Civilidade para meninas


Ora aqui está, quiçá, pela primeira vez neste espaço de merda um vídeo bem sensual e provocatória, sendo que, claro, a música é, na minha opinião, uma valente merda, ditada a ser esquecida daqui a um  par de anos.





Nada disto fui eu que fiz. Publico porque apesar de tudo fui eu que tirei as fotos.
Uma análise aos número de leitores/pessoas que acompanham esta merda, seria como uma discussão entre governo e sindicatos em volta dos números da adesão a uma greve.



tenho de  me pôr na alheta embora seja algo contra-natura, mas esta é a verdade. ir pró caralho. moer os cornos doutra maneira. chorar de outra maneira estender a mão de outra maneira. 
Como diz o "meu" enorme Eugénio de Andrade:

"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus."


Já me chamaram de tudo no curso que frequento. 

Hoje, com habitualmente, trago alguma louça minha de casa e algum material para embelezar os empratamentos. Hoje por exemplo, trouxe uns pós novos que adquiri e que, naturalmente são comestíveis e permitem dar uma cor e uma vivacidade brutal aos pratos, a saber, pó de ouro e pó violeta e vermelho. Também trouxe flores de alecrim.

O chef de pastelaria que está connosco hoje, fez uns empratamentos bem bonitos. Vai a malta vai para tirar fotos. Mas, como hoje me deu nos cornos, disse que ninguém tinha a minha autorização para tirar fotos, só se o chef autorizasse.
Foi o fim da picada.
Vão pó caralho e chamem-me santo. A única coisa que ainda não me chamaram.
Sim, quando quero sou um granda filho da puta e consigo fazer frente a mil touros.

Ontem, fizemos um teste. Havia uma pergunta que era: "O que quer dizer a frase : "...de escravo tornaram-se servos.". Tenho para mim que muita gente, mesmo no contexto da disciplina deve ter ficado como um burro a olhar para um palácio.
Jantar. Ontem.



bom fim de semana




bom fim de semana
O que as notícias não mostram nem dizem, é que na Ucrânia também há muita gente a favor da manutenção da relação política-económica com a Rússia e não com a União Europeia.
O que as notícias não mostram nem dizem, nem entrevistam ninguém sobre essa dimensão do problema na Ucrânia, é que há muita gente que não quer uma relação política-económica com a União Europeia, não tanto por questões ideológicas e históricas, mas antes porque, muitos Ucranianos sabem que, se entrarem na União Europeia vão ter indústria, produção, postos de trabalho destruídos, como aconteceu nos anos 80 em Portugal.
E isto tudo, apesar de os Ucranianos, de facto, estarem fartos da família que governa o país, a família do presidente da Ucrânia, sobre a qual até há uma anedota interessante: o presidente sobrevoa uma região do país de helicóptero e vê grandes zonas despovoadas, abandonadas e de repente vê uma fábrica e pergunta de quem é a fábrica e dizem: Sr. Presidente é de um seu filho. A coisa repete-se mais duas vezes, uma vez que o presidente tem 3 filhos, até que o presidente diz: mas neste país só eu e os meus filhos é que trabalhamos?!
Olhemos para o estado da Europa.
Olhemos para o estado da Rússia.
Onde preferias estar?

geopoliticamente a coisa é muita mais complexa do que a simplicidade apresentada nas notícias.

30 de janeiro de 2014

Estou a pensar emigrar. Já não pelo desemprego. Já não pelo estado deste país. Já não por estes políticos de merda. Apenas porque já não posso ouvir falar em praxes e Meco, foda-se.

29 de janeiro de 2014

" Não digais: «Tenho vontade de foder.» Dizei: «Sinto-me nervosa.» "

" Não digais: «Vim-me como uma louca.» Dizei: «Sinto-me um pouco cansada.» "

Manual de Civilidade para Meninas
Pierre Louys