6 de fevereiro de 2014


X

merdas lá de casa: rebentos de rábano que plantei.

5 de fevereiro de 2014

o jantar desta noite: uma focaccia -feita por moi meme- com presunto, alfaces e tomate. acompanhou um rosé do douro superior, casa Reboredo madeira que não me enche as medidas, apesar de gostar muito dos brancos desta casa. Ainda houve de sobremesa um brownie de chocolate Mars, mas que não fotografei.

Vi ontem a primeira parte deste polémico (?) filme de Lars Von Trier. 
Não conheço toda a obra do autor, não posso por isso armar-me em crítico de algibeira, de bancada. Nem tenho, de todo, perfil para isso.
Parece que o filme é muito polémico, mas, para dizer a verdade não percebo o porquê. Já vi filmes não serem sobre sexo (se é que este o é) e serem muito mais chocantes.

Aviso à navegação: apesar de ter estudado e ser licenciado (?) em filosofia, essa nobre e superior ciência sobre a vida, não sou gajo para embarcar em críticas literárias ou filmicas usando chavões como: corrente estética, para dar apenas um exemplo. Por isso, estas palavras que se seguem são apenas fruto da minha sensibilidade -duvidosa- e da minha maneira -também duvidosa pois claro- de ter vivido o filme.

Ninfomaníaca não é um filme sexual, muitos menos é um filme chocante, que nos incomoda e faz mexer na cadeira. Não é um filme que nos deixe a pensar: como é possível imaginar coisa tão hedionda, como é possível alguém transpôr esta imundice para uma tela?! Como já disse, há filmes, na minha opinião, que não sendo sobre sexo, têm cenas muitas mais incómodas, lembro-me de Shame, 7 Pecados (a cena do strap-on faca), a cena final de Brown Bunny de Vincent Gallo ou A Serbian Film, mas a lista podia, claro, estender-se.

Ninfomaníaca é um mini tratado filosófico, geral e generalista sobre a vida, que parte, sim, da vivência sexual de alguém. Digo isto porque, durante todo o diálogo entre a ninfomaníaca e o seu "escutador", há uma infinidade de metáforas. Digo isto porque, o que se desenrola na tela mais parece uma constante metáfora, um constante diálogo socrático. É metáforas sobre a pesca, sobre música, a santíssima trindade, referências inclusivé à arquitectura, a  Epicuro, etc, tudo a partir da vida sexual da personagem feminina do filme, a ninfomaníaca. E, sim, há uma cena non-sense, que me fez imediatamente lembrar, esta outra de Archie Bunker. Depois de verem Ninfomaníaca Volume I, vão perceber esta minha associação.


Sim, acho um bom filme, complexo, cerebral, muito racional, daí o apelidá-lo de socrático.
Sim, um bom filme. Sólido, bem conduzido de conduzido alguém com um nível cultural muito à frente.

Acho um bom filme. Acho que sim, arrojado, mas daí a polémico e/ou pornográfico, vai um mundo de diferença. Mesmo a sub-frase "Esqueça o amor", até isso não é exactamente verdade.




4 de fevereiro de 2014

2 de fevereiro de 2014

já não tenho força para mais.
isto fica por aqui.
amanhã logo se vê.


" "Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"

Cântico negro

José Régio

1 de fevereiro de 2014

             "Não sou nada.
              Nunca serei nada.
              Não posso querer ser nada.
              À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
      Janelas do meu quarto,
      Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
      (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
      Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
      Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
      Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
      Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
      Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
      Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
      Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
      Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
      (...)
      Falhei em tudo."
Álvaro de Campos, Tabacaria

31 de janeiro de 2014

Sobre mim, alguém escreveu:

"Gostava que um dia olhasses para ti e visses na tua pessoa o mesmo que eu vejo quando te olho:

Um homem bonito, muito bonito, na beleza evidente e naquela que sobretudo se nota de olhos fechados.
Um homem apaixonado, que exala um entusiasmo cativante pelas coisas de que gosta, enlevando os sentidos de quem o escuta.
Um homem intenso, que põe de si em tudo o que faz de forma sincera e espontânea.
Um homem atento, que capta de modo sensível a circunstância particular, que por vezes é dúbia e incerta. 
Um homem menino, que conserva a doçura e a meiguice da infância, de modo puro e desarmadamente simples.

Este homem tem na pele sinais, que ponto a ponto, nos desafiam a traçar um desenho e a sonhar com a possibilidade de um desfecho, como nos jogos infantis.
Tem nos olhos o desejo, a vontade, a ânsia que inebria e atrai, que delicia e encanta.
Na boca, o deleite voluptuoso que nos extasia, o onírico que se efectiva. 

A fragilidade, o desassossego, são reflexos de uma alma inquieta que procura, que questiona, repercutindo que não é de uma figura mitológica que falamos mas sim de um homem, carne e osso, que sente, sente muito, sente demasiado, e por esse excesso, sofre."
"Glossário

Considerámos inútil explicar plavras como cona, racha, grelo, rata, pissa, pixota, caralho, colhões, esporrar-se(verbo), esporra (substantivo), entesar, masturbar, chupar, foder, encaralhar, metê-lo, enconar, enrabar, descarregar, pissa postiça, fufa, sessenta e nove, minete, puta, bordel.
Tais palavras são familiares a todas as meninas."

Pierre Louys
Manual de Civilidade para meninas


Ora aqui está, quiçá, pela primeira vez neste espaço de merda um vídeo bem sensual e provocatória, sendo que, claro, a música é, na minha opinião, uma valente merda, ditada a ser esquecida daqui a um  par de anos.





Nada disto fui eu que fiz. Publico porque apesar de tudo fui eu que tirei as fotos.
Uma análise aos número de leitores/pessoas que acompanham esta merda, seria como uma discussão entre governo e sindicatos em volta dos números da adesão a uma greve.