28 de janeiro de 2014





Rememorava, languidamente os momentos iniciais. Neles, era como se ambos se atirassem sobre um precipício, onde acontecia o inesperado, por onde andavam perdidos no pulsar do sangue nas suas veias, nos sons que uivavam descontroladamente, ao compasso de cada beijo, cada olhar, cada investida um no outro.
mu·tu·a·li·da·de 
(mutual + -idade)
substantivo feminino
1. Qualidade de mútuo ou estado do que é mútuo.
2. Reciprocidadetroca.
3. Tipo de associação assente nos princípios de ajuda recíproca entre os seus membros e de contribuição colectiva para benefício de cada um dos membros.

re·ci·pro·ci·da·de 
(latim reciprocitas-atis)
substantivo feminino
1. Carácter do que é recíproco.
2. Mutualidade.



27 de janeiro de 2014


O prazer consistia na elaboração de intricados jogos, não uma utopia. O prazer consistia num voo picado sobre as regras do seu próprio prazer para ampliar a sua definição com novas e radiantes descobertas. Com elas, novos estímulos e vontades surgiam. Minotauros que não se deixavam encarcerar em labirintos impostos pela falta de reacção dos outros ao que um simples toque provocava ou ao que os olhos podiam consumir ou a imaginação produzir. Na era estático o prazer, havia sempre a possibilidade de novas combinações ou a adição de novos elementos.




"Quem Morre?

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o "preto no branco" e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente os que resgatam os brilhos dos olhos, sorrisos dos bocejos, orações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar."

Pablo Neruda




Just what is it that you want to do?
We wanna be free
We wanna be free to do what we wanna do
And we wanna get loaded
And we wanna have a good time
That's what we're gonna do
No way baby let's go
We're gonna have a good time
We're gonna have a party

Boa semana.


"...Homens e mulheres e diálogos de corpos, em debates de olhares, em mensagens por dizer que se dizem, esparramadas, no espaço recôndito de um sorriso."

Pedro Chagas Freitas,
In Sexus Veritas, pág. 373


"Don't wanna be in love just with anybody,
I'm tired being just Mr. Anybody,
So baby come with me, let's just make a body
Between us, I need you to see me,
God I've been waiting, please don't leave me needing
When you go I will always be there,"





26 de janeiro de 2014

The Devil

"The Devil
The Devil
Will come"




Tivemos a 2ª guerra mundial e depois Vietname. Agora temos Afeganistão e se forem todos tão maus como este, estamos bem.


Como os filmes de domingo deviam ser. Os dialogs são extraordnários! e poder ver Gandolfini é sempre um prazer! 



entretanto a tarde tatin já está no forno e os scones também.


100% Woody Allen, com um desempenho fenomenal de Cate Blanchett

25 de janeiro de 2014

Ligou-lhe. Ouviu a sua voz a dizer "tou!". Não lhe respondeu. Colocou apenas o seu telemóvel junto à coluna de música.

Deixou a música viajar de um lado para o outro. Pensou que ela não ficaria até ao fim. Ficou. 
Quando a música acabou desligou a chamada. Sem mais.

Mais tarde, já noite bem escura foi  o seu telefone que tocou. Era o número para onde havia ligado antes. Era ela. Foi a vez de ele dizer "tou". Do outro lado apenas o som fundo da garganta dela que lhe dava a entender que ela se tocava.
A voz foi crescendo, cada vez mais funda, até ao limite.

Epílogo.

"It's not you. It's me."
E depois sempre o impulso, o ímpeto, uma quase loucura ou uma loucura mesmo. Os parcos 1,70 m e os 70 kg como um touro enraivecido, louco. Um comboio desgovernado. As palavras sem nexo, sem sentido, que acabam, em última análise por me ferir ainda mais a mim. A deixarem-me ainda mais angustiado, mais triste, mais desiludido comigo. A deixarem-me a alma e o coração completamente encarquilhados, mirrados. O semblante absolutamente fechado, pesado. Os olhos a quererem explodir.O perguntar-me como é possível ainda. Como um caracol, encolher-me imediatamente para dentro de mim, ainda mais para dentro de mim. Achar sempre que está controlado, que não volta acontecer e voltar sempre a acontecer, outra e outra vez. E o cansaço de mim. O cansaço do erro repetido. O reconhecer o erro, identificar o erro. A impossibilidade de o corrigir. Essa lucidez dilacerante onde me afundo e mergulho inevitavelmente como se me cortasse todo em mil lâminas e tudo de mim jorrasse menos a dor. A dor como esqueleto, a dor como espinal medula, a dor como coração, a dor como oxigénio.
Ficar triste, ser ainda mais triste. Sorrir ainda menos.
Só.

24 de janeiro de 2014


jantar de agora mesmo.
acompanhou o resto do branco Marka (douriense)





sim, a "minha" voz, a do Duckman e george Constanza são uma e a mesma pessoa. e melhor, bate certo tanto na série seinfeld como na série Duckman, a personalidade de ambos.


23 de janeiro de 2014

"Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."



Pouco ou nada mudou na minha vida desde esta manhã até agora. E várias horas passaram. E até corri 30 minutos que me faz sentir muito bem, mas esta filho da puta de vazio, de vontade de chorar, de vez em quando lá vem. A impaciência, a ansiedade, a insatisfação, a frustração, essas filhas da puta de vez em quando lá voltam. E ser pai não é fácil. Sentir-me sozinho e ter tanto às minhas costas com tão pouco para lutar contra essa merda chamada realidade, chamada vida. que desespero caralho.

publico isto ou não? se não publico escondo parte do que sou e é como se eu tapasse esta palinha que tenho para respirar. esta merda estúpida a que me habituei. se publico, exponho, mostro que sou frágil. apetece-me apagar tudo e publicar apenas uma merda toda em branco. apetece-me gritar espernear chorar partir merdas.



e se eu fechar o blog e quem quiser seguir-me, achando que vale a pena, pedir-mo? e se eu meter aqui de rajada uma quantas cenas e depois tentar desligar-me disto que é uma boa merda? e se eu for pró caralho? e se eu fechar isto e limitar-me a seguir blog e a comentar?e se eu começasse a fazer yoga? se calhar se chorasse mais? comprar um cão? é verdade já tenho um! deixar crescer a barba e emigrar pró dubai? criar outro blog anónimo pra poder continuar a respirar por esta palinha? mas como se eu sou isto? foda-se!!

hoje foi dia de ir ao mercado legal das drogas. e isto vem a propósito do quê? nada. absolutamente nada mas isto não pode ser a toda a hora órgãos genitais masculinos e femininos e poesia e musiquinhas e essas merdas que por aqui espalho. panfletos rascas publicidade de merda.

Imperdível.
"Dorso
terso
morno
denso 
Corpo 
nu

Horto
 Berço
Torso
tenso
Torre
Tu"

David Mourão Ferreira
O Corpo Iluminado





" Sinto-me sempre aquém.  sinto-me sempre ninguém. Observo-me de fora para dentro. Como se eu não fosse eu. Como se eu estivesse a observar-me como se observa outra pessoa."
Pedro Chagas Freitas
In Sexus Veritas, pág. 314
7$


"I'll be the mirror where you are a queen 
Your fellow magician of the waking dream 
Hung with a hammer and a glass of wine 
I'll be your woman and you can be mine."





22 de janeiro de 2014





"Tesoura ou tesoira (do latim tonsorius, a, um, "tosquiar", "podar", "raspar") é um objecto utilizado para cortar materiais (...) As lâminas, que podem ou não ser muito afiadas, cortam o material em questão através da acção de forças mecânicas cisalhantes, aplicadas segundo um princípio de alavanca. "




Majesty

"Could it be that I'm your
Could it be that you are my majesty

You could have been my king"



In lust we trust #4