31 de janeiro de 2014


bom fim de semana




bom fim de semana
O que as notícias não mostram nem dizem, é que na Ucrânia também há muita gente a favor da manutenção da relação política-económica com a Rússia e não com a União Europeia.
O que as notícias não mostram nem dizem, nem entrevistam ninguém sobre essa dimensão do problema na Ucrânia, é que há muita gente que não quer uma relação política-económica com a União Europeia, não tanto por questões ideológicas e históricas, mas antes porque, muitos Ucranianos sabem que, se entrarem na União Europeia vão ter indústria, produção, postos de trabalho destruídos, como aconteceu nos anos 80 em Portugal.
E isto tudo, apesar de os Ucranianos, de facto, estarem fartos da família que governa o país, a família do presidente da Ucrânia, sobre a qual até há uma anedota interessante: o presidente sobrevoa uma região do país de helicóptero e vê grandes zonas despovoadas, abandonadas e de repente vê uma fábrica e pergunta de quem é a fábrica e dizem: Sr. Presidente é de um seu filho. A coisa repete-se mais duas vezes, uma vez que o presidente tem 3 filhos, até que o presidente diz: mas neste país só eu e os meus filhos é que trabalhamos?!
Olhemos para o estado da Europa.
Olhemos para o estado da Rússia.
Onde preferias estar?

geopoliticamente a coisa é muita mais complexa do que a simplicidade apresentada nas notícias.

30 de janeiro de 2014

Estou a pensar emigrar. Já não pelo desemprego. Já não pelo estado deste país. Já não por estes políticos de merda. Apenas porque já não posso ouvir falar em praxes e Meco, foda-se.

29 de janeiro de 2014

" Não digais: «Tenho vontade de foder.» Dizei: «Sinto-me nervosa.» "

" Não digais: «Vim-me como uma louca.» Dizei: «Sinto-me um pouco cansada.» "

Manual de Civilidade para Meninas
Pierre Louys






28 de janeiro de 2014




"A Mulher Portuguesa Tem um Bocado de Pena dos Homens

A mulher portuguesa não é só Fada do Lar, como Bruxa do Ar, Senhora do Mar e Menina Absolutamente Impossível de Domar. É melhor que o Homem Português, não por ser mulher, mas por ser mais portuguesa. Trabalha mais, sabe mais, quer mais e pode mais. Faz tudo mais à excepção de poucas actividades de discutível contribuição nacional (beber e comer de mais, ir ao futebol, etc). Portugal (i.e., os homens portugueses) pagam-lhe este serviço, pagando-lhes menos, ou até nada.

O pior defeito do Homem português é achar-se melhor e mais capaz que a Mulher. A maior qualidade da Mulher Portuguesa é não ligar nada a essas crassas generalizações, sabendo perfeitamente que não é verdade. Eis a primeira grande diferença: o Português liga muito à dicotomia Homem/Mulher; a Portuguesa não. O Português diz «O Homem isto, enquanto a Mulher aquilo». A Portuguesa diz «Depende». A única distinção que faz a Mulher Portuguesa é dizer, regra geral, que gosta mais dos homens do que das mulheres. E, como gostos não se discutem, é essa a única generalização indiscutível.

A Mulher Portuguesa é o oposto do que o Homem Português pensa. Também nesta frase se confirma a ideia de que o Homem pensa e a Mulher é, o Homem acha e a Mulher julga, o Homem racionaliza e a Mulher raciocina. E mais: mesmo esta distinção básica é feita porque este artigo não foi escrito por uma Mulher.

Porque é que aquilo que o Homem pensa que a Mulher é, é o oposto daquilo que a Mulher é, se cada Homem conhece de perto pelo menos uma Mulher? Porque o Português, para mal dele, julga sempre que a Mulher «dele» é diferente de todas as outras mulheres (um pouco como também acha, e faz gala disso, que ele é igual a todos os homens). A Mulher dele é selvagem mas as outras são mansas. A Mulher dele é fogo, ciúme, argúcia, domínio, cuidado. As outras são todas mais tépidas, parvas, galinhas, boazinhas, compreensíveis.

Ora a Mulher Portuguesa é tudo menos «compreensiva». Ou por outra: compreende, compreende perfeitamente, mas não aceita. Se perdoa é porque começa a menosprezar, a perder as ilusões, e a paciência. Para ela, a reacção mais violenta não é a raiva nem o ódio – é a indiferença. Se não se vinga não é por ser «boazinha» – é porque acha que não vale a pena.

A Mulher Portuguesa, sobretudo, atura o Homem. E o Homem, casca grossa, não compreende o vexame enorme que é ser aturado, juntamente com as crianças, o clima e os animais domésticos. Aturar alguém é o mesmo que dizer «coitadinho, ele não passa disto…» No fundo não é mais do que um acto de compaixão. A Mulher Portuguesa tem um bocado de pena dos Homens. E nisto, convenhamos, tem um bocado de razão.

O que safa o Homem, para além da pena, é a Mulher achar-lhe uma certa graça. A Mulher não pensa que este achar-graça é uma expressão superior da sua sensibilidade – pelo contrário, diverte-se com a ideia de ser oriundo de uma baixeza instintiva e pré-civilizacional, mas engraçada. Considera que aquilo que a leva a gostar de um Homem é uma fraqueza, um fenómeno puramente neuro-vegetativo ou para-simpático – enfim, pulsões alegres ou tristemente irresistíveis, sem qualquer valor.

E chegamos a outra característica importante. É que a Mulher Portuguesa, se pudesse cingir-se ao domínio da sua inteligência e mais pura vontade, nunca se meteria com Homem nenhum. Para quê? Se já sabe o que o Homem é? Aliás, não fossem certas questões desprezíveis da Natureza, passa muito bem sem os homens. No fundo encara-os como um fumador inveterado encara os cigarros: «Eu não devia, mas.. » E, como assim é, e não há nada a fazer, fuma-os alegremente com a atitude sã e filosófica do «Que se lixe».
Homens, em contrapartida, não podiam ser mais dependentes. Esta dependência, este ar desastrado e carente que nos está na cara, também vai fomentando alguma compaixão da parte das mulheres. A Mulher Portuguesa também atura o Homem porque acha que «ele sozinho, coitado; não se governava». O ditado «Quem manda na casa é ela, quem manda nela sou eu» é uma expressão da vacuidade do machismo português. A Mulher governa realmente o que é preciso governar, enquanto o homem, por abstracção ou inutilidade, se contenta com a aparência idiota de «mandar» nela. Mas ninguém manda nela. Quando muito, ela deixa que ele retenha a impressão de mandar. Porque ele, coitado, liga muito a essas coisas. Porque ele vive atormentado pelo terror que seria os amigos verificarem que ele, na realidade, não só na rua como em casa não «manda» absolutamente nada. «Mandar» é como «enviar» – é preciso ter algo para mandar e algo ao qual mandar. Esses algos são as mulheres que fazem.

O Homem é apenas alguém armado em carteiro. É o carteiro que está convencido que escreveu as cartas todas que diariamente entrega. A Mulher é a remetente e a destinatária que lhe alimenta essa ilusão, porque também não lhe faz diferença absolutamente nenhuma. Abre a porta de casa e diz «Muito obrigada». É quase uma questão de educação.

A imagem da «Mulher Portuguesa» que os homens portugueses fabricaram é apenas uma imagem da mulher com a qual eles realmente seriam capazes de se sentirem superiores. Uma galinha. Que dizer de um homem que é domador de galinhas, porque os outros animais lhe metem medo?
Na realidade, A Mulher Portuguesa é uma leoa que, por força das circunstâncias, sabe imitar a voz das galinhas, porque o rugir dela mete medo ao parceiro. Quando perdem a paciência, ou se cansam, cuidado. A Mulher portuguesa zangada não é o «Agarrem-me senão eu mato-o» dos homens: agarra mesmo, e mata mesmo. Se a Padeira de Aljubarrota fosse padeiro, é provável que se pusesse antes a envenenar os pães e ir servi-los aos castelhanos, em vez de sair porta fora com a pá na mão."

Miguel Esteves Cardoso, in ' A Causa das Coisas '


sobremesa hoje (feita no domingo), tarte tatin com gelado de nata.
Há o mito de que os homens não fazem mais que uma coisa ao mesmo tempo. pois bem: escrevo este post, faço o meu jantar e o do meu filho que é diferente do meu, troco sms, ou bebendo um pouco de vinho verde e ainda folheio o livro Cozinha com ciência e arte.
E na cabeça constrói-se outro texto merdoso para este espaço de merda.





Rememorava, languidamente os momentos iniciais. Neles, era como se ambos se atirassem sobre um precipício, onde acontecia o inesperado, por onde andavam perdidos no pulsar do sangue nas suas veias, nos sons que uivavam descontroladamente, ao compasso de cada beijo, cada olhar, cada investida um no outro.
mu·tu·a·li·da·de 
(mutual + -idade)
substantivo feminino
1. Qualidade de mútuo ou estado do que é mútuo.
2. Reciprocidadetroca.
3. Tipo de associação assente nos princípios de ajuda recíproca entre os seus membros e de contribuição colectiva para benefício de cada um dos membros.

re·ci·pro·ci·da·de 
(latim reciprocitas-atis)
substantivo feminino
1. Carácter do que é recíproco.
2. Mutualidade.



27 de janeiro de 2014


O prazer consistia na elaboração de intricados jogos, não uma utopia. O prazer consistia num voo picado sobre as regras do seu próprio prazer para ampliar a sua definição com novas e radiantes descobertas. Com elas, novos estímulos e vontades surgiam. Minotauros que não se deixavam encarcerar em labirintos impostos pela falta de reacção dos outros ao que um simples toque provocava ou ao que os olhos podiam consumir ou a imaginação produzir. Na era estático o prazer, havia sempre a possibilidade de novas combinações ou a adição de novos elementos.




"Quem Morre?

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o "preto no branco" e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente os que resgatam os brilhos dos olhos, sorrisos dos bocejos, orações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar."

Pablo Neruda




Just what is it that you want to do?
We wanna be free
We wanna be free to do what we wanna do
And we wanna get loaded
And we wanna have a good time
That's what we're gonna do
No way baby let's go
We're gonna have a good time
We're gonna have a party

Boa semana.


"...Homens e mulheres e diálogos de corpos, em debates de olhares, em mensagens por dizer que se dizem, esparramadas, no espaço recôndito de um sorriso."

Pedro Chagas Freitas,
In Sexus Veritas, pág. 373


"Don't wanna be in love just with anybody,
I'm tired being just Mr. Anybody,
So baby come with me, let's just make a body
Between us, I need you to see me,
God I've been waiting, please don't leave me needing
When you go I will always be there,"





26 de janeiro de 2014

The Devil

"The Devil
The Devil
Will come"




Tivemos a 2ª guerra mundial e depois Vietname. Agora temos Afeganistão e se forem todos tão maus como este, estamos bem.


Como os filmes de domingo deviam ser. Os dialogs são extraordnários! e poder ver Gandolfini é sempre um prazer! 



entretanto a tarde tatin já está no forno e os scones também.


100% Woody Allen, com um desempenho fenomenal de Cate Blanchett

25 de janeiro de 2014

Ligou-lhe. Ouviu a sua voz a dizer "tou!". Não lhe respondeu. Colocou apenas o seu telemóvel junto à coluna de música.

Deixou a música viajar de um lado para o outro. Pensou que ela não ficaria até ao fim. Ficou. 
Quando a música acabou desligou a chamada. Sem mais.

Mais tarde, já noite bem escura foi  o seu telefone que tocou. Era o número para onde havia ligado antes. Era ela. Foi a vez de ele dizer "tou". Do outro lado apenas o som fundo da garganta dela que lhe dava a entender que ela se tocava.
A voz foi crescendo, cada vez mais funda, até ao limite.

Epílogo.

"It's not you. It's me."
E depois sempre o impulso, o ímpeto, uma quase loucura ou uma loucura mesmo. Os parcos 1,70 m e os 70 kg como um touro enraivecido, louco. Um comboio desgovernado. As palavras sem nexo, sem sentido, que acabam, em última análise por me ferir ainda mais a mim. A deixarem-me ainda mais angustiado, mais triste, mais desiludido comigo. A deixarem-me a alma e o coração completamente encarquilhados, mirrados. O semblante absolutamente fechado, pesado. Os olhos a quererem explodir.O perguntar-me como é possível ainda. Como um caracol, encolher-me imediatamente para dentro de mim, ainda mais para dentro de mim. Achar sempre que está controlado, que não volta acontecer e voltar sempre a acontecer, outra e outra vez. E o cansaço de mim. O cansaço do erro repetido. O reconhecer o erro, identificar o erro. A impossibilidade de o corrigir. Essa lucidez dilacerante onde me afundo e mergulho inevitavelmente como se me cortasse todo em mil lâminas e tudo de mim jorrasse menos a dor. A dor como esqueleto, a dor como espinal medula, a dor como coração, a dor como oxigénio.
Ficar triste, ser ainda mais triste. Sorrir ainda menos.
Só.

24 de janeiro de 2014


jantar de agora mesmo.
acompanhou o resto do branco Marka (douriense)





sim, a "minha" voz, a do Duckman e george Constanza são uma e a mesma pessoa. e melhor, bate certo tanto na série seinfeld como na série Duckman, a personalidade de ambos.


23 de janeiro de 2014

"Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."



Pouco ou nada mudou na minha vida desde esta manhã até agora. E várias horas passaram. E até corri 30 minutos que me faz sentir muito bem, mas esta filho da puta de vazio, de vontade de chorar, de vez em quando lá vem. A impaciência, a ansiedade, a insatisfação, a frustração, essas filhas da puta de vez em quando lá voltam. E ser pai não é fácil. Sentir-me sozinho e ter tanto às minhas costas com tão pouco para lutar contra essa merda chamada realidade, chamada vida. que desespero caralho.

publico isto ou não? se não publico escondo parte do que sou e é como se eu tapasse esta palinha que tenho para respirar. esta merda estúpida a que me habituei. se publico, exponho, mostro que sou frágil. apetece-me apagar tudo e publicar apenas uma merda toda em branco. apetece-me gritar espernear chorar partir merdas.



e se eu fechar o blog e quem quiser seguir-me, achando que vale a pena, pedir-mo? e se eu meter aqui de rajada uma quantas cenas e depois tentar desligar-me disto que é uma boa merda? e se eu for pró caralho? e se eu fechar isto e limitar-me a seguir blog e a comentar?e se eu começasse a fazer yoga? se calhar se chorasse mais? comprar um cão? é verdade já tenho um! deixar crescer a barba e emigrar pró dubai? criar outro blog anónimo pra poder continuar a respirar por esta palinha? mas como se eu sou isto? foda-se!!

hoje foi dia de ir ao mercado legal das drogas. e isto vem a propósito do quê? nada. absolutamente nada mas isto não pode ser a toda a hora órgãos genitais masculinos e femininos e poesia e musiquinhas e essas merdas que por aqui espalho. panfletos rascas publicidade de merda.

Imperdível.
"Dorso
terso
morno
denso 
Corpo 
nu

Horto
 Berço
Torso
tenso
Torre
Tu"

David Mourão Ferreira
O Corpo Iluminado





" Sinto-me sempre aquém.  sinto-me sempre ninguém. Observo-me de fora para dentro. Como se eu não fosse eu. Como se eu estivesse a observar-me como se observa outra pessoa."
Pedro Chagas Freitas
In Sexus Veritas, pág. 314
7$


"I'll be the mirror where you are a queen 
Your fellow magician of the waking dream 
Hung with a hammer and a glass of wine 
I'll be your woman and you can be mine."