10 de fevereiro de 2014

"A ansiedade pode cortar. A ansiedade pode cortar mais do que qualquer faca, mais do que qualquer lâmina. A ansiedade, quando não corta, não é ansiedade. É uma marca branca da ansiedade. É uma quietude. Uma quietude ansiosa. E a ansiedade, quando é ansiedade, não admite uma única gota, um único grama, de quietude. Se é ansiedade: é só ansiedade. Se tem quietude, por mais reduzida que seja a quantidade, não é ansiedade."
Pedro Chagas Freitas,
In Sexus Veritas Vol I, pág324






Boa semana

9 de fevereiro de 2014






Para a Soldado Desconhecida.



Para a Estrela Pleasures, com direito a foto da capa do CD Acoustic dos Nouvelle Vague, gravado em Alcobaça a 5/2/09 e que tenho um exemplar.









Para a Inês do Eroticamente Falando e Fragmentos Intemporais


Na falta de c*** para uma ***a, fui à estante.
Vou passar a tarde nisto. Ao menos estou a sorrir e a rir e muito!! Nesta série é quando os 4 fazem uma aposta sobre quem aguenta mais tempo sem se masturbar!!






Para o Shiver.


Para o David.

Don't think... Just let it flow

(Versão original)





8 de fevereiro de 2014








Continuando a tradição: para a MissM.
Mesmo depois do sexo ainda havia sexo. Mesmo depois do orgasmo ainda havia prazer. Talvez ela não o soubesse. Talvez ela não soubesse que mesmo depois do sexo ainda havia sexo para ele. Talvez ela não soubesse que mesmo depois do orgasmo anda havia prazer para ele. 
Ele observava-a nua. Ele observava os passos dela naquele exíguo espaço. Ele observava-a. Observava os movimentos dela, na sua elegância feminina, discreta. E nesse observar ele centrava-se nas suas pernas, extraordinariamente bem torneadas, robustas, sem nunca deixarem de ser femininas. 
Ele observava-a, sempre, mesmo enquanto falam já depois do sexo, já depois do orgasmo.
Ele demorava-se ainda nela.



7 de fevereiro de 2014

"Para bater uma boa punheta são precisas três coisas. Um caralho, uma mão e uma cabeça. O caralho é o sujeito, a mão é quem o sujeita, a cabeça imagina uma sujeita."

O Meu PiPi, Sermões

Resgata-me. Rouba-me à monotonia dos dias. Deixa que te encoste à parede e te dispa com violência e te ame com  todo o vagar. Deixa que sinta cada um dos teus poros nos meus poros, na minha boca, nas minhas pobres mãos, que só ao toque do teu corpo desabrocham.
Deixa que te provoque os gemidos que parecam o silêncio de uma noite de verão.
Deixa-me percorrer o teu corpo, alfa e omega.
Entrelaça os teus pés nos meus, qual muralha intransponível, útero.
No fim o cheiro no ar como se ali habitasse a primavera. NO fim, o orgasmo dos corpos e o teu abraço como terra húmida, no fim a tua carícia, a mão mãe no meu rosto menino.

Ou por favor enterra-me a lâmina bem fundo no coração e seca de uma vez por todas estas lágrimas e cala-me o sofrimento que não acaba e nasce na memória de ti.




Sablés com textura de rebuçados citrinos












"I got the poison, I got the remedy"


Ai Margarida



retomando a tradição de dedicar músicas, fica esta para a Girl With Tattoo


bom fim de semana







Bom fim de semana

6 de fevereiro de 2014


X

merdas lá de casa: rebentos de rábano que plantei.

5 de fevereiro de 2014

o jantar desta noite: uma focaccia -feita por moi meme- com presunto, alfaces e tomate. acompanhou um rosé do douro superior, casa Reboredo madeira que não me enche as medidas, apesar de gostar muito dos brancos desta casa. Ainda houve de sobremesa um brownie de chocolate Mars, mas que não fotografei.

Vi ontem a primeira parte deste polémico (?) filme de Lars Von Trier. 
Não conheço toda a obra do autor, não posso por isso armar-me em crítico de algibeira, de bancada. Nem tenho, de todo, perfil para isso.
Parece que o filme é muito polémico, mas, para dizer a verdade não percebo o porquê. Já vi filmes não serem sobre sexo (se é que este o é) e serem muito mais chocantes.

Aviso à navegação: apesar de ter estudado e ser licenciado (?) em filosofia, essa nobre e superior ciência sobre a vida, não sou gajo para embarcar em críticas literárias ou filmicas usando chavões como: corrente estética, para dar apenas um exemplo. Por isso, estas palavras que se seguem são apenas fruto da minha sensibilidade -duvidosa- e da minha maneira -também duvidosa pois claro- de ter vivido o filme.

Ninfomaníaca não é um filme sexual, muitos menos é um filme chocante, que nos incomoda e faz mexer na cadeira. Não é um filme que nos deixe a pensar: como é possível imaginar coisa tão hedionda, como é possível alguém transpôr esta imundice para uma tela?! Como já disse, há filmes, na minha opinião, que não sendo sobre sexo, têm cenas muitas mais incómodas, lembro-me de Shame, 7 Pecados (a cena do strap-on faca), a cena final de Brown Bunny de Vincent Gallo ou A Serbian Film, mas a lista podia, claro, estender-se.

Ninfomaníaca é um mini tratado filosófico, geral e generalista sobre a vida, que parte, sim, da vivência sexual de alguém. Digo isto porque, durante todo o diálogo entre a ninfomaníaca e o seu "escutador", há uma infinidade de metáforas. Digo isto porque, o que se desenrola na tela mais parece uma constante metáfora, um constante diálogo socrático. É metáforas sobre a pesca, sobre música, a santíssima trindade, referências inclusivé à arquitectura, a  Epicuro, etc, tudo a partir da vida sexual da personagem feminina do filme, a ninfomaníaca. E, sim, há uma cena non-sense, que me fez imediatamente lembrar, esta outra de Archie Bunker. Depois de verem Ninfomaníaca Volume I, vão perceber esta minha associação.


Sim, acho um bom filme, complexo, cerebral, muito racional, daí o apelidá-lo de socrático.
Sim, um bom filme. Sólido, bem conduzido de conduzido alguém com um nível cultural muito à frente.

Acho um bom filme. Acho que sim, arrojado, mas daí a polémico e/ou pornográfico, vai um mundo de diferença. Mesmo a sub-frase "Esqueça o amor", até isso não é exactamente verdade.




4 de fevereiro de 2014

2 de fevereiro de 2014

já não tenho força para mais.
isto fica por aqui.
amanhã logo se vê.


" "Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"

Cântico negro

José Régio

1 de fevereiro de 2014

             "Não sou nada.
              Nunca serei nada.
              Não posso querer ser nada.
              À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
      Janelas do meu quarto,
      Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
      (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
      Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
      Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
      Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
      Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
      Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
      Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
      Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
      Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
      (...)
      Falhei em tudo."
Álvaro de Campos, Tabacaria

31 de janeiro de 2014

Sobre mim, alguém escreveu:

"Gostava que um dia olhasses para ti e visses na tua pessoa o mesmo que eu vejo quando te olho:

Um homem bonito, muito bonito, na beleza evidente e naquela que sobretudo se nota de olhos fechados.
Um homem apaixonado, que exala um entusiasmo cativante pelas coisas de que gosta, enlevando os sentidos de quem o escuta.
Um homem intenso, que põe de si em tudo o que faz de forma sincera e espontânea.
Um homem atento, que capta de modo sensível a circunstância particular, que por vezes é dúbia e incerta. 
Um homem menino, que conserva a doçura e a meiguice da infância, de modo puro e desarmadamente simples.

Este homem tem na pele sinais, que ponto a ponto, nos desafiam a traçar um desenho e a sonhar com a possibilidade de um desfecho, como nos jogos infantis.
Tem nos olhos o desejo, a vontade, a ânsia que inebria e atrai, que delicia e encanta.
Na boca, o deleite voluptuoso que nos extasia, o onírico que se efectiva. 

A fragilidade, o desassossego, são reflexos de uma alma inquieta que procura, que questiona, repercutindo que não é de uma figura mitológica que falamos mas sim de um homem, carne e osso, que sente, sente muito, sente demasiado, e por esse excesso, sofre."
"Glossário

Considerámos inútil explicar plavras como cona, racha, grelo, rata, pissa, pixota, caralho, colhões, esporrar-se(verbo), esporra (substantivo), entesar, masturbar, chupar, foder, encaralhar, metê-lo, enconar, enrabar, descarregar, pissa postiça, fufa, sessenta e nove, minete, puta, bordel.
Tais palavras são familiares a todas as meninas."

Pierre Louys
Manual de Civilidade para meninas


Ora aqui está, quiçá, pela primeira vez neste espaço de merda um vídeo bem sensual e provocatória, sendo que, claro, a música é, na minha opinião, uma valente merda, ditada a ser esquecida daqui a um  par de anos.





Nada disto fui eu que fiz. Publico porque apesar de tudo fui eu que tirei as fotos.
Uma análise aos número de leitores/pessoas que acompanham esta merda, seria como uma discussão entre governo e sindicatos em volta dos números da adesão a uma greve.



tenho de  me pôr na alheta embora seja algo contra-natura, mas esta é a verdade. ir pró caralho. moer os cornos doutra maneira. chorar de outra maneira estender a mão de outra maneira. 
Como diz o "meu" enorme Eugénio de Andrade:

"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus."


Já me chamaram de tudo no curso que frequento. 

Hoje, com habitualmente, trago alguma louça minha de casa e algum material para embelezar os empratamentos. Hoje por exemplo, trouxe uns pós novos que adquiri e que, naturalmente são comestíveis e permitem dar uma cor e uma vivacidade brutal aos pratos, a saber, pó de ouro e pó violeta e vermelho. Também trouxe flores de alecrim.

O chef de pastelaria que está connosco hoje, fez uns empratamentos bem bonitos. Vai a malta vai para tirar fotos. Mas, como hoje me deu nos cornos, disse que ninguém tinha a minha autorização para tirar fotos, só se o chef autorizasse.
Foi o fim da picada.
Vão pó caralho e chamem-me santo. A única coisa que ainda não me chamaram.
Sim, quando quero sou um granda filho da puta e consigo fazer frente a mil touros.

Ontem, fizemos um teste. Havia uma pergunta que era: "O que quer dizer a frase : "...de escravo tornaram-se servos.". Tenho para mim que muita gente, mesmo no contexto da disciplina deve ter ficado como um burro a olhar para um palácio.
Jantar. Ontem.



bom fim de semana




bom fim de semana
O que as notícias não mostram nem dizem, é que na Ucrânia também há muita gente a favor da manutenção da relação política-económica com a Rússia e não com a União Europeia.
O que as notícias não mostram nem dizem, nem entrevistam ninguém sobre essa dimensão do problema na Ucrânia, é que há muita gente que não quer uma relação política-económica com a União Europeia, não tanto por questões ideológicas e históricas, mas antes porque, muitos Ucranianos sabem que, se entrarem na União Europeia vão ter indústria, produção, postos de trabalho destruídos, como aconteceu nos anos 80 em Portugal.
E isto tudo, apesar de os Ucranianos, de facto, estarem fartos da família que governa o país, a família do presidente da Ucrânia, sobre a qual até há uma anedota interessante: o presidente sobrevoa uma região do país de helicóptero e vê grandes zonas despovoadas, abandonadas e de repente vê uma fábrica e pergunta de quem é a fábrica e dizem: Sr. Presidente é de um seu filho. A coisa repete-se mais duas vezes, uma vez que o presidente tem 3 filhos, até que o presidente diz: mas neste país só eu e os meus filhos é que trabalhamos?!
Olhemos para o estado da Europa.
Olhemos para o estado da Rússia.
Onde preferias estar?

geopoliticamente a coisa é muita mais complexa do que a simplicidade apresentada nas notícias.

30 de janeiro de 2014

Estou a pensar emigrar. Já não pelo desemprego. Já não pelo estado deste país. Já não por estes políticos de merda. Apenas porque já não posso ouvir falar em praxes e Meco, foda-se.