11 de fevereiro de 2014




O sexo tinha hora e local marcado. Apenas isso era por eles controlado, a hora, o local. O que ia entre eles acontecer naquela hora, naquele local já não era por eles controlado.
Depois de ultrapassada a porta e de esta ser fechada, os seres que ali estavam não eram  já os mesmos que se haviam encontrado minutos antes. Estavam já transfigurados.
 Ele, explodia imediatamente para o exterior, para ela, num frémito avassalador, onde ela o recebia qual esponja, recebia o seu corpo, o peso dele, a pele e o cheiro dela, o calor, era isso que lhe dava vida a ela, ele, inteiro, todo, nela. Ela, toda, inteira, nua na alma, aberta no olhar e nos gemidos. Os corpos entrelaçados, numa complexa filigrana que só eles sabiam tecer. Os corpos sedentos, ávidos,  animais descontrolados em busca da luz inaugural. Os corpos violentados, completamente despidos, ultrapassando barreiras definindo linhas concretas naquele espaço que era pequeno para tamanha fome e no entanto sempre o odor do orvalho, a subtileza do perfume de uma fruta acabada de colher. E no entanto, a simbiose entre os corpos.
 Era isso que acontecia ali, um espectáculo grandioso, irrepetível a cada momento porque não havia regras, porque era sempre a primeira vez.
Os dois corpos, vida.

Outra vez, eu, este blog e um fio de cabelo

"Se uma emoção é um conjunto de alterações no estado do corpo associadas a certas imagens mentais que activaram um sistema cerebral específico, a essência do sentir de uma emoção é a experiência dessas alterações em justaposição com as imagens mentais que iniciaram o ciclo."

António Damásio, 
o Erro de Descartes

"Afecto: estado psicológico elementar que determina sensações agradáveis ou penosas no indivíduo, em função de sentimentos que nutre em relação a pessoas ou outros seres."


Não digo que seja um gajo perfeito, fisicamente e moralmente. Não o sou certamente. Em tempos tê-lo-ei sido, aliás, fui mesmo. Em 2002 comecei a desgraçar-me, mas até aí, era um gajo certinho. Mas enfim, adiante.

Como fui certa vez apelidado pela minha enorme amiga e grande conhecedora de mim, a Malena, sou muito intenso. É verdade.
E eis que estou num daqueles momentos raros de elevada auto-estima e lucidez aguçada.
Sim sou intenso, sou assim, para o bem e para o mal. Não quero cá merdas light e meio-gordos ou menos gordo, ou menos quente, quero o que as coisas são, como são e mais nada. Não posso comer lagosta todos os dias e beber todos os dias o melhor vinho verde, mas gosto, dentro das minhas possibilidades comer bem. O mesmo com o resto em que me meto. Basta para isso ler isto que alguém um dia escreveu sobre mim e que é verdade em tudo. Por isso, voltando ao título deste texto, estou por inteiro nesta merda a que vulgarmente se chama de blog como procuro estar no dia a dia nas coisas e pessoas que me rodeiam.

Voltemos ao "eu".
Sou um gajo altamente inflamável nos afectos. Facilmente me rasgo em afectos, me desfaço em afectos. me dou completo de afectos, por isso mesmo, há umas quantas pessoas deste mundo que me olham e conhecem não enquanto um gajo descaracterizado que martela teclas num computador e copia imagens sexuais com o rato do seu computador. Não, conhecem-me enquanto a pessoa, com afectos, que está por detrás desta merda vai para 5 anos. E esses afectos estão aqui espalhados.  Aliás, não é por acaso que, ao ter recentemente alterado o visual da tasca, coloquei nos "posts" antigos o nome de: "outros pedaços de mim", porque este blog sou eu, por inteiro. Por isso, repito, pela enésima vez, há aqui de tudo.

E chegarem até mim não é difícil. Requer aliás muito pouco esforço. Percorrer o tal fio de cabelo para chegar a mim, não custa rigorosamente nada. Só não o faz quem não quer ou não tem interesse por qualquer razão. Está no seu direito.

Apesar dos meu enormes defeitos, nesta  minha vida -a da World Wide Web- sou franco e autêntico. Como a Malena sempre me avisa, devo ter cuidado e não expôr-me tanto. caralho eu tento, mas é-me difícil ser um filho da puta frio e calculista e encarar o sexo e as mulheres como um pedaço de carne que se mastiga e deita fora. É-me difícil encarar a mulher como simplesmente uma cona para foder. É-me difícil encarar a mulher como uma puta de quem me sirvo sem mais para vazar os meus colhões.
É estúpido, porque isso era o que devia fazer. Assim, não eram os meus afectos eram os dos outros e eu tinha dado mais uma foda -ou não- e pronto, não me chateava, não ficava a remoer nas coisas, passava à puta seguinte ou à que tivesse naquela altura disponível para eu vazar os colhões.

A caminho dos 40 anos ainda tenho muito para viver e aprender. Sem dúvida e, apesar de tudo, com muitos afectos para dar a quem quiser e sempre a precisar que me façam o mesmo, que me estendam aquele pequeno fio de cabelo, como eu estendo em cada post aqui, vai já para 5 anos.

Sweet Tides



Beautiful Drug





10 de fevereiro de 2014






Fui acusado de bulling no curso que frequento. Uma mulher de 44 anos e outra de 32 ou 33 acusaram-me de bulling. É verdade, não estou a brincar. A mim e mais dois colegas. Acusados por duas coelgas mais papistas que o papa.

Agora mesmo, numa aula de pastelaria, ninguém tinha a receita de creme pasteleiro. Fui buscar o meu livro de receitas, abri na página da receita de creme pasteleiro e deixei quem quisesse, que copiasse a receita, incluindo as pessoas que violento e agrido, pelos vistos.

Gosto tanto de dar estaladas de luva branca.

Mad About You



"A ansiedade pode cortar. A ansiedade pode cortar mais do que qualquer faca, mais do que qualquer lâmina. A ansiedade, quando não corta, não é ansiedade. É uma marca branca da ansiedade. É uma quietude. Uma quietude ansiosa. E a ansiedade, quando é ansiedade, não admite uma única gota, um único grama, de quietude. Se é ansiedade: é só ansiedade. Se tem quietude, por mais reduzida que seja a quantidade, não é ansiedade."
Pedro Chagas Freitas,
In Sexus Veritas Vol I, pág324






Boa semana

9 de fevereiro de 2014






Para a Soldado Desconhecida.



Para a Estrela Pleasures, com direito a foto da capa do CD Acoustic dos Nouvelle Vague, gravado em Alcobaça a 5/2/09 e que tenho um exemplar.









Para a Inês do Eroticamente Falando e Fragmentos Intemporais


Na falta de c*** para uma ***a, fui à estante.
Vou passar a tarde nisto. Ao menos estou a sorrir e a rir e muito!! Nesta série é quando os 4 fazem uma aposta sobre quem aguenta mais tempo sem se masturbar!!






Para o Shiver.


Para o David.

Don't think... Just let it flow

(Versão original)





8 de fevereiro de 2014








Continuando a tradição: para a MissM.
Mesmo depois do sexo ainda havia sexo. Mesmo depois do orgasmo ainda havia prazer. Talvez ela não o soubesse. Talvez ela não soubesse que mesmo depois do sexo ainda havia sexo para ele. Talvez ela não soubesse que mesmo depois do orgasmo anda havia prazer para ele. 
Ele observava-a nua. Ele observava os passos dela naquele exíguo espaço. Ele observava-a. Observava os movimentos dela, na sua elegância feminina, discreta. E nesse observar ele centrava-se nas suas pernas, extraordinariamente bem torneadas, robustas, sem nunca deixarem de ser femininas. 
Ele observava-a, sempre, mesmo enquanto falam já depois do sexo, já depois do orgasmo.
Ele demorava-se ainda nela.



7 de fevereiro de 2014

"Para bater uma boa punheta são precisas três coisas. Um caralho, uma mão e uma cabeça. O caralho é o sujeito, a mão é quem o sujeita, a cabeça imagina uma sujeita."

O Meu PiPi, Sermões

Resgata-me. Rouba-me à monotonia dos dias. Deixa que te encoste à parede e te dispa com violência e te ame com  todo o vagar. Deixa que sinta cada um dos teus poros nos meus poros, na minha boca, nas minhas pobres mãos, que só ao toque do teu corpo desabrocham.
Deixa que te provoque os gemidos que parecam o silêncio de uma noite de verão.
Deixa-me percorrer o teu corpo, alfa e omega.
Entrelaça os teus pés nos meus, qual muralha intransponível, útero.
No fim o cheiro no ar como se ali habitasse a primavera. NO fim, o orgasmo dos corpos e o teu abraço como terra húmida, no fim a tua carícia, a mão mãe no meu rosto menino.

Ou por favor enterra-me a lâmina bem fundo no coração e seca de uma vez por todas estas lágrimas e cala-me o sofrimento que não acaba e nasce na memória de ti.




Sablés com textura de rebuçados citrinos












"I got the poison, I got the remedy"


Ai Margarida



retomando a tradição de dedicar músicas, fica esta para a Girl With Tattoo


bom fim de semana







Bom fim de semana

6 de fevereiro de 2014


X

merdas lá de casa: rebentos de rábano que plantei.

5 de fevereiro de 2014

o jantar desta noite: uma focaccia -feita por moi meme- com presunto, alfaces e tomate. acompanhou um rosé do douro superior, casa Reboredo madeira que não me enche as medidas, apesar de gostar muito dos brancos desta casa. Ainda houve de sobremesa um brownie de chocolate Mars, mas que não fotografei.

Vi ontem a primeira parte deste polémico (?) filme de Lars Von Trier. 
Não conheço toda a obra do autor, não posso por isso armar-me em crítico de algibeira, de bancada. Nem tenho, de todo, perfil para isso.
Parece que o filme é muito polémico, mas, para dizer a verdade não percebo o porquê. Já vi filmes não serem sobre sexo (se é que este o é) e serem muito mais chocantes.

Aviso à navegação: apesar de ter estudado e ser licenciado (?) em filosofia, essa nobre e superior ciência sobre a vida, não sou gajo para embarcar em críticas literárias ou filmicas usando chavões como: corrente estética, para dar apenas um exemplo. Por isso, estas palavras que se seguem são apenas fruto da minha sensibilidade -duvidosa- e da minha maneira -também duvidosa pois claro- de ter vivido o filme.

Ninfomaníaca não é um filme sexual, muitos menos é um filme chocante, que nos incomoda e faz mexer na cadeira. Não é um filme que nos deixe a pensar: como é possível imaginar coisa tão hedionda, como é possível alguém transpôr esta imundice para uma tela?! Como já disse, há filmes, na minha opinião, que não sendo sobre sexo, têm cenas muitas mais incómodas, lembro-me de Shame, 7 Pecados (a cena do strap-on faca), a cena final de Brown Bunny de Vincent Gallo ou A Serbian Film, mas a lista podia, claro, estender-se.

Ninfomaníaca é um mini tratado filosófico, geral e generalista sobre a vida, que parte, sim, da vivência sexual de alguém. Digo isto porque, durante todo o diálogo entre a ninfomaníaca e o seu "escutador", há uma infinidade de metáforas. Digo isto porque, o que se desenrola na tela mais parece uma constante metáfora, um constante diálogo socrático. É metáforas sobre a pesca, sobre música, a santíssima trindade, referências inclusivé à arquitectura, a  Epicuro, etc, tudo a partir da vida sexual da personagem feminina do filme, a ninfomaníaca. E, sim, há uma cena non-sense, que me fez imediatamente lembrar, esta outra de Archie Bunker. Depois de verem Ninfomaníaca Volume I, vão perceber esta minha associação.


Sim, acho um bom filme, complexo, cerebral, muito racional, daí o apelidá-lo de socrático.
Sim, um bom filme. Sólido, bem conduzido de conduzido alguém com um nível cultural muito à frente.

Acho um bom filme. Acho que sim, arrojado, mas daí a polémico e/ou pornográfico, vai um mundo de diferença. Mesmo a sub-frase "Esqueça o amor", até isso não é exactamente verdade.




4 de fevereiro de 2014

2 de fevereiro de 2014

já não tenho força para mais.
isto fica por aqui.
amanhã logo se vê.


" "Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"

Cântico negro

José Régio

1 de fevereiro de 2014

             "Não sou nada.
              Nunca serei nada.
              Não posso querer ser nada.
              À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
      Janelas do meu quarto,
      Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
      (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
      Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
      Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
      Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
      Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
      Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
      Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
      Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
      Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
      (...)
      Falhei em tudo."
Álvaro de Campos, Tabacaria