Ando com o meu coração à vista de todos para alguém que dele se queira alimentar. Sou eu que quero. Sou eu que digo, "tás a ver o meu coração?! podes levar um bocado se quiseres!" e sorrio. Sorrio sempre, porque sei que estou a dar o que tenho de melhor, o meu coração. Por isso tiro de dentro de mim e ando com ele pela rua a oferecê-lo, como aquelas pessoas que distribuem jornais gratuitos nas filas de trânsito das grandes cidades. Eu faço o mesmo, mas com o meu coração. Ando com ele, espalho-o para quem se queira dele alimentar, como quem dá milho aos pombos. Já aconteceu na minha vida haver quem se tivesse querido alimentar dele. Quem se alimenta do meu coração alimenta-me. Este é o segredo. É por isso que ele nunca acaba. Quando alguém pega um pedaço do meu coração, nascem-me mais pedaços, é por isso que tenho sempre coração para oferecer, ele regenera-se quando o levam. Não tenho muita gente a alimentar-se do meu coração, mas vou conseguindo conservá-lo.
Não quero que o levem e devolvam, quero que o levem, que o tomem seu.
Como um louco ando por todo o lado à pergunta de quem queira o meu coração.
Dou o meu coração a comer.
Aqui, esta é a 3753 vez que o dou a comer.
dizem que deixco o serviço bem feito, vá la vá lá.
Aqui, esta é a 3753 vez que o dou a comer.
dizem que deixco o serviço bem feito, vá la vá lá.














































