26 de fevereiro de 2014

Eu, cagão me assumi



 Entrada: torricado de sardinha em tomate.
Ninguém fez uma entrada. O chefe disse que não podia avaliar a entrada porque não fazia parte do que era para ser avaliado, mas provou e disse que estava bom. Aconselhou-me a não passar o pão na frigideira para não secar tanto


Emincé de porco com molho de moscatel e arroz de frutos secos.
O chefe disse que o arroz estava bom embora tivesse provado melhores. mas gostou muito do molho que estava saboroso e não talhou. Disse que a carne estava bem cortada. Expliquei que tinha usado nata com 35% de gordura para o molho ficar com textura e sabor e que coloquei a carne por cima do molho porque queria que a carne sobresaísse no molho e não que se confundisse no meio do molho. Diz que gostou desse detalhe e do detalhe da flor de sal em cima da carne.
O que fiz diferente dos meus colegas é que usei mesmo manteiga para fritar a carne e não coloquei de uma só vez, todas as chalotas. Eles colocaram todas de uma vez e usarem vaqueiro e a nata que usaram era uma ligeira só com 10% de gordura. Deixei a carne menos tempo na frigideira que os meus colegas. Eles fritaram aquilo a sério, fazendo com a carne parecesse borracha, a minha não tendo ficado em sangue (que não pode ser na carne de porco) estava mais macia. Não a  fritei de uma vez só para, na altura de empratar regenerar a carne e terminar a sua confecção sendo, claro, servida quente.
Perguntou ainda onde tinha arranjado os micro-legumes, ficou espantado quando lhe disse que os planto eu mesmo (já aqui coloquei fotos dessa minha plantação.)


Sobremesa: manga (tão simples quanto isto). Ninguém fez uma sobremesa
Gostou do empratamento e disse que já havia feito a manga assim com gelado e um crocante de ananás. Expliquei que me lembrei das mesmas duas coisas: o gelado para complemento de sabor e encher o prato e o crocante para conferir outra textura, mas que seria já muita coisa e preferi não inventar. 


Depois da prova o chefe passou algum tempo a falar comigo sobre ao mundo da cozinha em geral.

Tenho a certeza que no conjunto fiz o(s) melhor(es) prato(s), com detalhes com que mais ninguém teve esse cuidado, como a flor de sa,l a carne cortada de modo o mas regular possível, o molho muito apurado, em que tive um cuidado como se estivesse a cuidar do meu bem mais valioso.

Ainda não fez a apreciação geral do desempenho da malta. Serei mencionado, discretamente, pelo chefe, pois sei que ele sabe que já houve várias situações parvas entre mim e alguns dos meus colegas, em que estes ainda podiam ficar a ganhar e aprender, mas não, fazem o contrário. Aliás, deu a entender na nossa conversa depois da avaliação do meu prato isso mesmo, que me borrife nos meus colegas, atrasados mentais, e eu, que continue a aprender. "isto há-de acabar" disse ele "e depois você vai à sua vida".

Os colegas que viram os meus pratos ficaram de queixo aberto a olhar e a dizer: "que bonito!" e os que provaram o molho da carne dizem que era o melhor molho de todos.

A diferença entre mim e os meus colegas, é que, sou simplesmente melhor que eles e uma das razões para isso acontecer é que a minha referência são os melhores chefes de cozinha e eles, a teleculinária e a revista bimby.

Eu, cagão me assumi. Completamente

Eu, cagão me assumo

Estou num intervalo de uma aula na cozinha, com um chefe de cozinha a sério. Essa aula consiste na confecção de um prato para posterior avaliação e, passar ou não à disciplina.
Saiu-me em sorte um prato de porco e que é simples, muito simples.

Eu, que sou um gajo medroso e pouca confiança, estou absolutamente seguro do que vou fazer, do que estou a fazer.
Mais, nem vou só fazer o prato que o chefe pediu, vou fazer outros dois, uma entrada e uma sobremesa. Tudo simples claro, para não meter os pés pelas mãos e o tiro não me sair pela culatra. Mais ninguém fez 3 pratos. Eu tive essa ideia.
Tenho tudo preparado na cozinha. A entrada, a esta hora, está pronta, falta empratar os vários elementos. A sobremesa faz-se no momento, uma vez que, sendo fruta, não se quer exposta ao ar muito tempo. E para o prato principal tenho a misé-en-place toda pronta. Só preciso de um bico de fogão para fazer a coisa.

Haverá foto-reportagem, claro, ou não teria acontecido e haverá certamete, depois, texto mais longo e bem maçador sobre como fiz as coisas, que, de certeza, ficarão boas e, melhores que a dos meus colegas.
Eu, cagão me assumo.

beijinhos e abraços e até já.



25 de fevereiro de 2014

What You Asked For




Welcome to Extravagance.







Resposta aberta à "Maria"

Sugeres Maria que crie um blog sobre "cozinha". Não és a primeira pessoa a sugeri-lo. A minha resposta a isso é este texto que escrevi em outubro de 2012, como resposta a uma sugestão em tudo idêntica. Eis então a minha resposta:

 "nunca poderia ter um blog de/com receitas. Fica a isso a dever-se ao facto de eu ser tudo o que por esta tasca merdosa aqui há: a depressão e as gargalhadas, a cozinha e os vinhos, o filho e eu, a escola, o desemprego e a procura de um, as foda,s dadas ou imaginadas ou desejadas, os passeios que dei ou não dei, os concertos a que fui ou não, a ira a raiva e a doçura e amizade, o que já fui, as musicas que oiço e por aqui vou deixando, o que li e gostava de ler, os gestos, as vontades e desejos, as fotografias, ordinário ou querido, meigo ou esgroviado, mais ou menos gaja, sensível ou não, atento ou não a detalhes, os cheiros e cores.
Eu sou um, todo, inteiro, bom ou mau, com o que tenho de bom e mau, com o que se passa de bom e mau na minha vida,  mas sou eu. Seria por isso incapaz de me dividir em mil pedaços, em mil blogs."


Obrigado Maria pela tua presença.

Beijinhos.

24 de fevereiro de 2014

Receita da sopa de abóbora assada ( a pedido da Nikita e DN)

A pedido aqui fica a receita de sopa de abóbora assada. mas se permitem, antes, alguns apontamentos:

1. esta receita que a seguir descrevo, pode ser aplicada a qualquer vegetal. Só a esse vegetal -qualquer que seja- ou a vários juntos.
2. já pensei em fazer uma "pasta" aqui na tasca só para as coisas da cozinha, mas, não o sei fazer, por isso, sempre que quiserem alguma receita do que aqui coloco, é só pedirem.
3. e agora a receita:

Num recipiente que posso ir ao forno colocar a abóbora descascada e sem graínhas; deitar azeite, pimenta moída na altura, sal, tomilho (muito), cebola e outras ervas aromáticas a gosto. 
Assar a uns 160º/180º. Quando estiver assado, retira-se do forno e pica-se tudo muito bem (mesmo muito bem). Passa-se o preparado pelo passador (para perder grumos e ficar com textura mais regular; dá mais trabalho mas o resultado final é substancialmente melhor) e depois volta ao processador. Nesta altura acrescenta-se água (quente) a gosto até o creme ter a textura desejada. Rectificam-se temperos.

As sementes de sésamo: coloca-se frigideira ao lume e depois de quente metem-se sementes de sésamo em quantidade a gosto. Deixam-se alourar ligeiramente e dispõem-se por cima do creme, na hora de servir, ou seja, as sementes de sésamo só são colocadas no prato individual.
Também acompanha bem com pão frito.

O Carnaval de lá e de cá

Começam as imagens sobre carnavais, tanto em Estarreja, essa maravilhosa cidade com um sempre agradável no ar, onde tive a felicidade de dar aulas, como no Brasil e só penso: "quase! quase que no Brasil o Carnaval é tão grandioso como o de Ovar ou Estarreja!"
Achava sempre que a maré viva que recorrentemente a invadia, devia ser gozada e aproveitada por aquele que com o seu corpo  sabia controlar essa força interior gigantesca que a atirava  de forma desmedida para fora de si mesma. Que aquela força bruta que a arrebatava e transparecia no olhar lânguido e nos movimentos sôfregos do seu corpo, tinha de ser absorvida por aquele corpo masculino que tão bem sabia dosear a absorção dessa força e que tão bem sabia usar essa força que dela irradiava, para a devolver a si própria, qual eterno retorno, amplificando-lhe o prazer, perceptível por gemidos. Ela sabia-se pandora perante aquele homem, testemunha constante das explosões violentas da sua lascívia. Ela sabia que aquele homem a sabia interpretar, como se os seus movimentos, a sua respiração funda, fosse um esquisso para o que se adivinhava aquando do encontro daqueles corpos ávidos do mais profundo desejo animal.
No entanto, havia alturas em que ela não conseguia suster a primavera do seu corpo.





23 de fevereiro de 2014



DO substantivo no feminino


a·ven·tu·ra 
substantivo feminino
1. Feito extraordinário.
2. Caso inesperado que sobrevém e que merece ser relatado.
3. Acaso.

ven·tu·ra 
substantivo feminino
1. Fortuna prósperasorte.
2. Felicidade.
3. Destinoacaso.
4. Riscoperigo.









creme de abóbora assada com sementes de sésamo tostadas

22 de fevereiro de 2014

" Quer um uísque? Este banal líquido amarelo constitui, nos tempos de hje, depis da viagem de circum-navegação e da chegada do primeiro escanfandre à Lua, a única possibilidade de aventura(...)"

António Lobo Antunes.
Os Cus de Judas
Dom Quixote
pág, 151


sim eu disse que não gosto de uísque e é verdade, mas tou a precisar de uma cena forte.
Cenário: cozinha com o computador ligado à Tv e onde passava ininterruptamente O Mio babbino caro interpretado por Maria callas e que ontem aqui coloquei. João pai ultimava o jantar.

João filho entra na cozinha.

João esperto: qué isto que tás a ouvir pai? não gosto!
João pai: chama-se ópera!
João esperto: não gosto!
João pai: o pai gosta muito.
João esperto: nunca te tinha ouvido a ouvir ópera! não gosto de ópera pai! Pai!!
João parvo: diz filho!
João esperto: porque é que parece que a mulher tá a chorar?



 vinho que acompanhou e bem a refeição, uma vez que se tratando de porco, o doce natural do colheita tardia contrabalançou com o "gordo" do porco  e o corpo do bechámel na batata gratin, que hoje, por já ter a ligação mais sólida, já não se desmontou.





21 de fevereiro de 2014

Jantar cá de casa


 batata gratin antes de ir ao forno

 a batata gratin, espetada de frango em marinada de ervas e sementes
 como eu calculava, o João filho adorou esta batata.


"Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões.  Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outras tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho puído. Não me habituo: não posso ver uma árvore sem espanto, e acabo desconhecendo a vida e titubeando como comecei a vida. Ignoro tudo, acho tudo esplêndido, até as coisas vulgares: extraio ternura duma pedra."

Raul Brandão

" (...)
   So put your hand into my hand,
   And baby we'll forget,
   That life had even started,
   Before our hands had met. "




20 de fevereiro de 2014

Nero II

"Tu
és o anjo negro
da boca...

do meu corpo"

Maria Teresa Horta




Leva-me para a cama.
Foge comigo.
"Carmim

Não te digo tanto quanto
quero
nem te faço tudo quanto sonho

Não me basto junto a ti
secreta
quando me entrego e a ti me oponho

Não te conto sequer
porque imagino
ser  desejo
o carmim da boca

Morro de sede perto dos teus lábios
de ti quero ir bebendo
e ficar louca"

Maria Teresa Horta












"          
              I

É o mar, meu amor
na febre dos teus olhos

É o manso fascínio
da onda que se inventa

É o mar, meu amor
mestiço nos teus olhos

É o mirto, o queixume
a mansidão tão lenta

               II

É o mar, meu amor o
 lastro dos sentidos
que afogas nos olhos
sem nunca te afundares

É o mar, meu amor
que transportas nos olhos
e onde eu nado o tempo
sem nunca me encontrar."

Maria Teresa Horta, As Palavras do Corpo
pág. 72

18 de fevereiro de 2014

Ainda o 14 de fevereiro e agora a sério

o declaração da menina misteriosa para o João filho e que deu longas horas de conversa, como se um pai, ao olhar para um desenho, pudesse saber quem era a menina.


A sandwich club

Bem, como parece que a puta da sandes fez sucesso fica a receita pró  menino e prá menina:

Ingredientes: (uma sandex)

  • pão de forma (3 fatias)
  • ovo 
  • bacon
  • tomate
  • alface
  • maionese
  • peito de perú/frango (original é galinha)
1. Cozer o peito. Depois laminá-lo fino. Reservar
2. Cozer o ovo. Cortar em fatias. Reservar.
3. Cortar o tomate em rodelas finas e arranjar as folhas de alface.
4. Fritar o bacon numa frigideira. Não é preciso adicionar gordura. A gordura do bacon é suficiente. Depois de bem frito, reservar.
5. Tostar ligeiramente o pão.

Montar a sandex:
Uma fatia de pão barrada com maionese a gosto, colocar os restantes ingredientes por camadas. Colocar uma segunda fatia de pão, novamente com maionese. Voltar a colocar todos os ingredientes por camadas. Terminar com a última fatia de pão. 
Para a sandex não se desmanchar podem colocar uns palitos a "firmar" o produto.
Podem retificar temperos de sal e pimenta na montagem do bicho.

Uma batata frita acompanha muito bem assim como uma cerveja.

Podem usar esta sandes como refeição ou ceia.

A quantidade dos ingredientes enquanto recheio é à vontade do freguês, mas vão aperceber-se, depois de a fazerem várias vezes, que devem jogar com certas quantidades, para se realçarem sabores e texturas (paneleirices de cozinheiro com a mania).

Sandwich club é a cena mais vendida nos hoteis de todo o mundo, enquanto snack para os room service.
Eu, como sou uma puta fina, a primeira vez que comi uma foi no Ritz em Lisboa. Depois fui ao Cool Jazz fest, em Mafra, ver a Maria Bethânia, para fazer jeito a uma pessoa (calhou que o concerto foi para lá de bom)



A verdadeira, agorinha mesmo:, com a maionese que hoje tive paciência de fazer, o pão de forma e ovo cozido.



Depois de ter visto Nifomaníaca Volume I, hoje fui ver o volume II.

O volume II começa com a acção exactamente no mesmíssimo sítio onde havíamos ficado no fim de Volume I.
O Volume II é isso mesmo, a continuação do I, por isso nada de novo, metáforas e mais metáforas. Aquele que apelidei de "escutador" -intencionalmente- finalmente é apresentado e assumido e comparado com isso, um confissor, alguém que ouve, atentamente, sem julgar. Sem julgar por razões evidentes que se denotam no aspecto austero da sua casa, no suporte físico usado para ouvir música, nas metáforas que elabora a partir da vida da ninfomaníaca, pela cultura geral que apresenta, tal qual um padre. Há até um outro elemento semelhante entre este escutador do filme e um padre de verdade, mas não sou desmancha-prazeres e não digo qual é.
Há uma certa reviravolta nos acontecimentos do filme -não na vida da personagem feminina- o que era expectável, confesso que não esperava o fim, embora, olhando para a coisa de modo estritamente racional, vários indícios assim apontavam.
A reviravolta na mulher, de facto acontece, qual epifania, depois de ela se dar conta de toda a sua vida até então.

Mesmo existindo elementos novos neste segundo volume, a persistência na metáfora, a visão flosófica da coisa - neste caso foi Zenão de Eleia, foram buscar as aporias de Zenão; a perpesctiva dialéctica da vida ao estilo hegelianao também presente-, repetida exaustivamente, acabou por me cansar, ao ponto de, a última metáfora, a da luz, não ter tido qualquer impacto na minha pessoa. Estive aliás à espera, a todo o momento, que o confissor se saísse com Parménides à conta da luz e da sua simbologia, mas não, faltou essa ao Von Trier, sendo que o Freud está em alta neste volume.

Se puderem vejam a coisa num acto só. Ganha mais sentido e provavelmente não cansa com as metáforas.

ah! também há metáforas com árvores e aquela coisa do morrer de pé e renascer e subir e ultrpassar limites e assim e assado. 

Nero

A sua alma era habitada pelo negro. Os seus olhos eram negros, fundos como um poço. Preto era a cor que o definia. Não que fosse uma alma atormentada, não, era uma alma negra porque cor nenhuma o definia.  Era uma alma negra porque vibrava, sempre, na sua memória, aquela cor preta dela que ele tinha de despir. Era uma alma negra porque se assemelhava a um corvo quando a cobria, quando a possuía, albergando por inteiro em si o corpo feminino que diante si se dispunha ao sexo. Era uma alma negra porque o seu corpo se agigantava, se transformava nas asas de um corvo durante o sexo, as asas que sustentam um corpo, as asas que elevam o corpo a outro estado, as asas que permitem ao olhar ganhar uma visão mais ampla. Era uma alma negra porque para ele, durante o sexo, não havia cor. Para ele, durante o sexo só há sexo. Sexo, duro, violento, espesso, como um rio de tinta por entre flocos imaculados de neve. O sexo apenas durante o sexo. O olhar negro do corvo durante o sexo. O voo negro do corvo era o sexo. Ele era o sexo durante o sexo. 

Mas ele pousava, sempre.



Cunt Tease



17 de fevereiro de 2014

Jantar



 a "minha" "falsa" sandwich club.

15 de fevereiro de 2014

Coisas que convém não esquecer sobre mim (3ª actualização)


  • nasci em lisboa mas sinto-me alentejano
  • adoro os meus pais e a minha infância
  • venero o sexo feminino e em particular a minha mãe e a mãe dela
  • não sou de ladrar
  • tenho uma pancada enorme por saltos altos
  • sou licenciado em filosofia
  • sou pai
  • adoro desporto
  • adoro fotografia
  • o meu escritor favorito é Vergílio Ferreira
  • adoro sexo e dizem que sou uma boa foda
  • tive uma pastelaria
  • estou desempregado
  • adoro cozinha
  • estou a tirar um curso de cozinha
  • sou humilde
  • sou ingénuo
  • não sou tão estúpido como possa parecer
  • reparo em detalhes picuinhas nas mulheres
  • olho sempre para as mãos e pés de uma mulher
  • adoro moscatel de setúbal (preferência roxo)
  • tenho um irmão, mais velho
  • gosto da minha casa
  • tenho uma mota e gosto muito dela consequentemente gosto de andar de moto
  • adoro ser professor
  • estimo muito a minha hi-fi
  • sou tímido
  • adoro conversar
  • sei que é bizarro os dois pontos anteriores mas é verdade
  • sou amigo
  • gosto de estar sozinho
  • sou frágil
  • sou ávido de emoções e atenção
  • não sou perfeito
  • não sou uma personagem como o Duckman ou o Corto Maltese, sou uma pessoa,com toda a carga filosófica e etimológica que a palavra acarreta.
  • gosto muito do Seinfeld
  • gosto de rir
  • gosto de sorrir
  • não estou 100% satisfeito com o novo look da tasca mas ou não tenho paciência ou não sei configurá-lo para o que tenho em mente
  • gosto de cinema, poesia, dança, musica, literatura, passear
  • adoro a primavera
  • adoro a luz e o céu azul
  • adoro o mar
  • sou guloso
  • há muitas coisa que apesar de tudo, não falo no blog
  • não fui à tropa, fui dado como inapto (esta é nova por aqui)
  • tenho duas pós-graduações
  • vivo medicado há uns 6 anos para uma depressão que dizem ser crónica 
  • já vi coisas que na realidade não aconteceram
  • choro às vezes
  • sou impulsivo
  • consigo ser frio
  • sou irascível
  • dificilmente guardo rancor
  • sou acessível
  • sou um gajo bem disposto
  • sou parvo
  • a minha rádio favorita é a "Radar"
  • conheço a Malena pessoalmente
  • adoro a Malena
  • a Malena sabe muitos segredos meus que mais ninguém sabe
  • gosto de perfumes
  • o perfume não é entendido por mim como um acessório, mas como extensão de mim e consequentemente expressão de um estado de espírito
  • gosto de relógios
  • sou muitíssimo discreto
  • só fumo socialmente e apenas cigarrilhas Romeu e Julieta
  • não gosto de whisky, excepto Talisker
  • apesar de tudo, continua a haver muito de mim que poucos sabem, conhecem.


a sobremesa de ontem ao jantar cá por casa e que se repetiu hoje ao almoço.

14 de fevereiro de 2014

Ontem comecei a tratar do meu estágio final de curso. O IEFP arranja estágio se necessário, mas prefiro tentar arranjar por mim mesmo. Contactar eu inicialmente com as pessoas do local (perfil) que me interessa, ver as pessoas, apresentar-me. 
Se tudo correr bem conseguirei fazer o estágio final num hotel de Lisboa com 5 estrelas. Um hotel de uma das maiores  e mais conceituadas cadeias de hotéis do mundo.


"-Amo-te.
 -Amo-te.
Só uma mentira cala outra mentira."

Pedro Chagas Freitas
In Sexus Veritas, pág 483

13 de fevereiro de 2014

Amanhã é um dos dias mais parvos do ano mas tenho que fazer algo com o pirolito porque o gajo sabe que é dia dos namorados. Ainda é pequeno para trazer a namorada a comer aqui em casa, então a namorada dele amahã serei eu e teremos por isso uma noite dos rapazes. O que implica a noite dos rapazes? um jantar intimista entre nós dois em que lhe faço figuras com a comida, implica comermos com vela apesar de comermos no chão da sala enquanto vemos o cartoon network, implica já ter feito uma mousse de chocolate para nós, implica vermos um filme e comer pipocas (que eu faço) e implica eu ter de fazer as brincadeiras todas que ele quer e ficarmos acordados até tarde.

O que me passa pela cabeça nas escadas do serviço SO.

Éramos três a querer ver a minha mãe mas só dois podiam entrar. Ainda pensei que conseguisse vê-la depois de saírem as outras duas pessoas, mas não tive sucesso. Enquanto isso, esperei, num átrio pequeno junto a umas escadas.
Vi passarem algumas pessoas pela escada e uma marcou-me. Uma mulher nova, chorava porque o prognóstico sobre a tia era que podia estar por horas a sua morte. Soube isto, porque ouvi da própria para duas pessoas que esperavam por ela ali ao meu lado.
E pensei, meu deus como tudo isto é bizarro, estranho. Devia saber que todos os seres são mortais, porquê a aflição? a aflição é por razões óbvias, as mesmas que me deixam a mim mesmo triste pelo estado de saúde da minha mãe que se encontra hospitalizada para operação à vertebra D12 (é diabética tem hiper-tensão  e teve um AVC há uns 15 ou mais anos; já foi operada às carótidas e foi declarada cadáver nessa operação e vai a caminho dos 75 anos). A aflição daquela mulher é a minha, é a de qualquer um, perder-se quem se gosta, quem se quer, quem se precisa. Mas é estranho, porque sabemos que somos mortais. E muitos dizem que são religiosos, então ainda menos razão teriam para ficar tristes, porque quando morrer esse alguém, irá para um sítio melhor, para perto do criador. Não convém esquecer que segundo a religião esta vida terrena é apenas um ponto de passagem para uma vida muito melhor que esta. Lembro-me ainda do professor Cassiano Reimão. O professor Cassiano Reimão leccionou-me 3 seminários no curso de filosofia, sendo que o último  foi o de liecenciatura. O dito pofessor esteve sempre muito ligado à perspectica existencialista da filosofia, pelo menos nos seminários que me orientou. Aliás, a sua tese de mestrado é sobre Sartre e a tese de doutoramento - a que assisti à prova na Universidade Nova de Lisboa- é na mesma linha. Certa aula, falando-se sobre a experiência da morte, sobre a própria morte -numa altura em que o pai do profesor havia morrido-, o professor Cassiano Reimão fez um bonito e inteligente discurso sobre o tema, comparando a nossa visão -filosofia- com a da filha, que, era, na altura, estudante final do curso de enfermagem em St. Maria. DE tudo o que ele disse nesse discurso, lembro-me perfeitamente de ele dizer que achava que a filha lhe apresentava uma perspectiva completamente diferente da que nós em filsoofia tínhamos da morte, da experi~encia da morte, da dimensão do eu, da corporeidade, do corpo, da dor, da alma. da pessoa. Dizia o professor que nós devíamos passar uns tempos  a assistir a autóspias e a acompanhar o trabalho dos médicos e enfermeiros e perceber a perspectiva deles sobre a morte, a dor, etc. Dizia ele, que, os médicos e enfermeiros deviam vir para a nossa faculdade ganhar a nossa perspectiva sobre a morte, a dor, a pessoa, a alma, etc.
Não fosse esse curso não me seria, provavelmente possível racionalizar isto. No entanto, o medo de perder a minha mãe é enorme e não imagino como suportarei a vida sem a minha mãe.

Espero que amanhã consiga vê-la.
Enquanto secava o cabelo ao João depois de ele ter saído do banho outro dia, o gajo sai-se com esta:

João esperto: Pai! se morreram todas as pessoas do mundo, o mundo acaba?
João Parvo: não filho!
João esperto: mas se não há pessoas como é que nascem pessoas?
João parvo: não nascem, mas o mundo existe à mesma.
João esperto: e os outros bichos?
João parvo: que têm os bichos filho?
João esperto: também morrem todos?
João parvo: podem morrer. olha os dinossauros, morreram todos!
João esperto: sim morreram todos, eu sei, mas então como é que apareceram outros bichos? e as pessoas vieram de onde?

Depois desisti. Dei-me por vencido.

Absolutamente imperdível






Ursula Rucker - Lonely Can Be Sweet



Please, come sit dowAnnotaten
I need to set you straight before we go any further

I've learned from loneliness
That lonely can be bitter and lonely can be sweet
Sure, I know I don't need a man to be complete
and I also know that what I want and what I need don't always meet
But being alone ain't all that bad cause see
I've been there and I've done that
I'm in the midst of an evolution of myself
I was tired of the search, so had to sit it on the shelf

Lonely can be sweet, lonely can be sweet
My soul's music, my life beat
Lonely can be sweet, lonely can be sweet, lonely can be sweet
My soul's music, my life beat
Lonely can be sweet

I haad been looking for my cowboy, like that girl says in that song
Where have all the cowboys gone
In my former life my once cowboys have gone hoochie hopping and car shopping
riding their egos like wild horses
or collision courses with their machismo, while I slow slaughtered
as their valor and virtue drowned in deep water, deep water
So I decided to chill with me for the moment and play my own violins
And strike my own candlelight
So every night is my night

Lonely can be sweet, lonely can be sweet
My soul's music, my life beat
Lonely can be sweet, lonely can be sweet, lonely can be sweet
My soul's music, my life beat
Lonely can be sweet

Are you listening
I need to be completely sure that you're listening

I used to think that the moons name might as well have been Lonely
Now I sip my night full like it where blackberry marsala
Then lick the excess off my lips
So as not to waste one drop of it's sweetness
I satisfy my wonderlust
With the wildness of the night and the comfort of myself
I've taken up hedonism as a hobby
And have made it harder for the next man to step into my life without a plan
For how to please me better than I pleased myself
So if you've come without a plan, than make a swift retreat cause

Lonely can be sweet, lonely can be sweet
My soul's music, my life beat
Lonely can be sweet, lonely can be sweet, lonely can be sweet
My soul's music, my life beat
Lonely can be sweet

12 de fevereiro de 2014







Apesar de algumas vicissitudes no dia de hoje, consegui ter um jantar muito bom, ainda para mais, do agrado do João filho. Aliás, fiz este jantar por causa dele, para ele. Puré de batata, que me andava a pedir há uns dias e carne picada. O vinho que acompanhou foi este, excelente. Vinho trazido da cerimónia Mesa Marcada 10 Melhores Chefes e Restaurantes, onde estive com o meu irmão com o pão da família.
Só consegui jantar isto porque deixei tudo feito ontem, hoje, foi só aquecer. 
A receita do puré tem "segredos"(não há segredos na cozinha, há técnicas, daí as aspas) que vou passar para quem, tropeçando aqui nesta merda, possa querer.

Puré de batata:
Levam-se duas chalotas a caramelizar com manteiga. Depois de caramelizadas, deita-se leite quente suficiente para tapar as batatas que se vão cozer. Depois de cozidas, passam-se as batatas num passe-vite. (as chalotas podem ir junto com as batatas).A seguir passa-se o puré  obtido por um passador com a ajuda de uma colher ou umas varas. Depois leva-se o puré obtido, já passado pelo passador, a um processador -vulgo, Bimby-, durante uns 10 minutos em velocidade alta -aí um 7-.
Se for para ser comido logo, acrescenta-se leite  ou natas a  gosto e temperos (ervas; pimentas; queijo; chás; açafrão ou que passar pela cabeça) enquanto o preparado é emulsionado na Bimby.
Se não for para ser comido logo, guarda-se no frio e na altura de comer faz-se o passo descrito anteriormente. 
O puré vai ficar aveludado e sem grumos.

Dá trabalho? pois dá! mas é por isso que na tasca da esquina se paga 10 euros por uma refeição completa já com bebida e café e se paga 40 ou 50 no restaurante mais ou menos xpto!

Programa Novas Oportunidades

"Sexo contigo, cada vez melhor."

Penso na sms e encontro elementos comuns a 4 pessoas(duas anas e duas marias, por exemplo). Essas 4 pessoas, mulheres, todas, elogiam/elogiaram o sexo comigo.

Outra, disse um dia: "agora quimica, tesão, à vontade e outras coisas cm tenho ctg,n se arranjam assim"

Num passado mais longíquo, uma outra falara com uma amiga e dizia-lhe que era pena a distância entre nós, porque de resto até era fixe e que eu era bom na cama.

Ela, diriam os british, my -the- special one, conversando comigo no msn disse isto:
"porque o que eu queria mesmo era isto:
X diz:
ser a tua mulher, a tua puta, a tua companheira, a tua submissa, a tua amiga, a tua dona, a tua escrava. ser debochada contigo, para ti e em função de ti, porque o aprecias, e porque faz parte da tua natureza ser assim. ser capaz de conciliar isso com uma vida normal. ter conforto emocional e afectivo e sermos libertinos e debochados
X diz:
por ser essa a nossa natureza e não outra.
X diz:
o que queria era ter carinho, conforto, amor nos padrões normais, socialmente aceites e manter vivo, porque faz parte da nossa natureza, o deboche, a libertinagem.
X diz:
com a certeza de que no fim continuamos a ser um do outro; mais um do outro"
Também dizia ela, que eu era, de todos, aquele que melhor órgão sexual tinha, que a enchia na perfeição.

Isto tudo para chegar à triste conclusão: será que sou uma espécie de John Holmes, perdido em filosofias, literaturas, quando devia ser um porno-star? Será que, se me deslocasse a um centro de novas oportunidades e construísse um portefolio com base no meu -suposto- desempenho sexual, tinha as minhas competências todas validadas? será que afinal só valho apenas isso? parece que sim. Ao menos sirvo para algo, vá lá vá lá...



Texto originalmente publicado em 2009 aqui pela tasca.


 Ando com o meu coração à vista de todos para alguém que dele se queira alimentar. Sou eu que quero. Sou eu que digo, "tás a ver o meu coração?! podes levar um bocado se quiseres!" e sorrio. Sorrio sempre, porque sei que estou a dar o que tenho de melhor, o meu coração. Por isso tiro de dentro de mim e ando com ele pela rua a oferecê-lo, como aquelas pessoas que distribuem jornais gratuitos nas filas de trânsito das grandes cidades. Eu faço o mesmo, mas com o meu coração. Ando com ele, espalho-o para quem se queira dele alimentar, como quem dá milho aos pombos. Já aconteceu na minha vida haver quem se tivesse querido alimentar dele. Quem se alimenta do meu coração alimenta-me. Este é o segredo. É por isso que ele nunca acaba. Quando alguém pega um pedaço do meu coração, nascem-me mais pedaços, é por isso que tenho sempre coração para oferecer, ele regenera-se quando o levam. Não tenho muita gente a alimentar-se do meu coração, mas vou conseguindo conservá-lo. 
Não quero que o levem e devolvam, quero que o levem, que o tomem seu.
Como um louco ando por todo o lado à pergunta de quem queira o meu coração.

Dou o meu coração a comer.

Aqui, esta é a 3753 vez que o dou a comer.

dizem que deixco o serviço bem feito, vá la vá lá.
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A notícia que importa e me entristece



Segundo um estudo da Santa Casa, 5% dos sem-abrigo são licenciados.

Sagitário