28 de fevereiro de 2014
27 de fevereiro de 2014
26 de fevereiro de 2014
Eu, cagão me assumi
Entrada: torricado de sardinha em tomate.
Ninguém fez uma entrada. O chefe disse que não podia avaliar a entrada porque não fazia parte do que era para ser avaliado, mas provou e disse que estava bom. Aconselhou-me a não passar o pão na frigideira para não secar tanto
Emincé de porco com molho de moscatel e arroz de frutos secos.
O chefe disse que o arroz estava bom embora tivesse provado melhores. mas gostou muito do molho que estava saboroso e não talhou. Disse que a carne estava bem cortada. Expliquei que tinha usado nata com 35% de gordura para o molho ficar com textura e sabor e que coloquei a carne por cima do molho porque queria que a carne sobresaísse no molho e não que se confundisse no meio do molho. Diz que gostou desse detalhe e do detalhe da flor de sal em cima da carne.
O que fiz diferente dos meus colegas é que usei mesmo manteiga para fritar a carne e não coloquei de uma só vez, todas as chalotas. Eles colocaram todas de uma vez e usarem vaqueiro e a nata que usaram era uma ligeira só com 10% de gordura. Deixei a carne menos tempo na frigideira que os meus colegas. Eles fritaram aquilo a sério, fazendo com a carne parecesse borracha, a minha não tendo ficado em sangue (que não pode ser na carne de porco) estava mais macia. Não a fritei de uma vez só para, na altura de empratar regenerar a carne e terminar a sua confecção sendo, claro, servida quente.
Perguntou ainda onde tinha arranjado os micro-legumes, ficou espantado quando lhe disse que os planto eu mesmo (já aqui coloquei fotos dessa minha plantação.)
Sobremesa: manga (tão simples quanto isto). Ninguém fez uma sobremesa
Gostou do empratamento e disse que já havia feito a manga assim com gelado e um crocante de ananás. Expliquei que me lembrei das mesmas duas coisas: o gelado para complemento de sabor e encher o prato e o crocante para conferir outra textura, mas que seria já muita coisa e preferi não inventar.
Depois da prova o chefe passou algum tempo a falar comigo sobre ao mundo da cozinha em geral.
Tenho a certeza que no conjunto fiz o(s) melhor(es) prato(s), com detalhes com que mais ninguém teve esse cuidado, como a flor de sa,l a carne cortada de modo o mas regular possível, o molho muito apurado, em que tive um cuidado como se estivesse a cuidar do meu bem mais valioso.
Ainda não fez a apreciação geral do desempenho da malta. Serei mencionado, discretamente, pelo chefe, pois sei que ele sabe que já houve várias situações parvas entre mim e alguns dos meus colegas, em que estes ainda podiam ficar a ganhar e aprender, mas não, fazem o contrário. Aliás, deu a entender na nossa conversa depois da avaliação do meu prato isso mesmo, que me borrife nos meus colegas, atrasados mentais, e eu, que continue a aprender. "isto há-de acabar" disse ele "e depois você vai à sua vida".
Os colegas que viram os meus pratos ficaram de queixo aberto a olhar e a dizer: "que bonito!" e os que provaram o molho da carne dizem que era o melhor molho de todos.
A diferença entre mim e os meus colegas, é que, sou simplesmente melhor que eles e uma das razões para isso acontecer é que a minha referência são os melhores chefes de cozinha e eles, a teleculinária e a revista bimby.
Eu, cagão me assumi. Completamente
Eu, cagão me assumo
Estou num intervalo de uma aula na cozinha, com um chefe de cozinha a sério. Essa aula consiste na confecção de um prato para posterior avaliação e, passar ou não à disciplina.
Saiu-me em sorte um prato de porco e que é simples, muito simples.
Eu, que sou um gajo medroso e pouca confiança, estou absolutamente seguro do que vou fazer, do que estou a fazer.
Mais, nem vou só fazer o prato que o chefe pediu, vou fazer outros dois, uma entrada e uma sobremesa. Tudo simples claro, para não meter os pés pelas mãos e o tiro não me sair pela culatra. Mais ninguém fez 3 pratos. Eu tive essa ideia.
Tenho tudo preparado na cozinha. A entrada, a esta hora, está pronta, falta empratar os vários elementos. A sobremesa faz-se no momento, uma vez que, sendo fruta, não se quer exposta ao ar muito tempo. E para o prato principal tenho a misé-en-place toda pronta. Só preciso de um bico de fogão para fazer a coisa.
Haverá foto-reportagem, claro, ou não teria acontecido e haverá certamete, depois, texto mais longo e bem maçador sobre como fiz as coisas, que, de certeza, ficarão boas e, melhores que a dos meus colegas.
Eu, cagão me assumo.
beijinhos e abraços e até já.
25 de fevereiro de 2014
Resposta aberta à "Maria"
Sugeres Maria que crie um blog sobre "cozinha". Não és a primeira pessoa a sugeri-lo. A minha resposta a isso é este texto que escrevi em outubro de 2012, como resposta a uma sugestão em tudo idêntica. Eis então a minha resposta:
"nunca poderia ter um blog de/com receitas. Fica a isso a dever-se ao facto de eu ser tudo o que por esta tasca merdosa aqui há: a depressão e as gargalhadas, a cozinha e os vinhos, o filho e eu, a escola, o desemprego e a procura de um, as foda,s dadas ou imaginadas ou desejadas, os passeios que dei ou não dei, os concertos a que fui ou não, a ira a raiva e a doçura e amizade, o que já fui, as musicas que oiço e por aqui vou deixando, o que li e gostava de ler, os gestos, as vontades e desejos, as fotografias, ordinário ou querido, meigo ou esgroviado, mais ou menos gaja, sensível ou não, atento ou não a detalhes, os cheiros e cores.
Eu sou um, todo, inteiro, bom ou mau, com o que tenho de bom e mau, com o que se passa de bom e mau na minha vida, mas sou eu. Seria por isso incapaz de me dividir em mil pedaços, em mil blogs."
Obrigado Maria pela tua presença.
Beijinhos.
"nunca poderia ter um blog de/com receitas. Fica a isso a dever-se ao facto de eu ser tudo o que por esta tasca merdosa aqui há: a depressão e as gargalhadas, a cozinha e os vinhos, o filho e eu, a escola, o desemprego e a procura de um, as foda,s dadas ou imaginadas ou desejadas, os passeios que dei ou não dei, os concertos a que fui ou não, a ira a raiva e a doçura e amizade, o que já fui, as musicas que oiço e por aqui vou deixando, o que li e gostava de ler, os gestos, as vontades e desejos, as fotografias, ordinário ou querido, meigo ou esgroviado, mais ou menos gaja, sensível ou não, atento ou não a detalhes, os cheiros e cores.
Eu sou um, todo, inteiro, bom ou mau, com o que tenho de bom e mau, com o que se passa de bom e mau na minha vida, mas sou eu. Seria por isso incapaz de me dividir em mil pedaços, em mil blogs."
Obrigado Maria pela tua presença.
Beijinhos.
24 de fevereiro de 2014
Receita da sopa de abóbora assada ( a pedido da Nikita e DN)
A pedido aqui fica a receita de sopa de abóbora assada. mas se permitem, antes, alguns apontamentos:
1. esta receita que a seguir descrevo, pode ser aplicada a qualquer vegetal. Só a esse vegetal -qualquer que seja- ou a vários juntos.
2. já pensei em fazer uma "pasta" aqui na tasca só para as coisas da cozinha, mas, não o sei fazer, por isso, sempre que quiserem alguma receita do que aqui coloco, é só pedirem.
3. e agora a receita:
Num recipiente que posso ir ao forno colocar a abóbora descascada e sem graínhas; deitar azeite, pimenta moída na altura, sal, tomilho (muito), cebola e outras ervas aromáticas a gosto.
Assar a uns 160º/180º. Quando estiver assado, retira-se do forno e pica-se tudo muito bem (mesmo muito bem). Passa-se o preparado pelo passador (para perder grumos e ficar com textura mais regular; dá mais trabalho mas o resultado final é substancialmente melhor) e depois volta ao processador. Nesta altura acrescenta-se água (quente) a gosto até o creme ter a textura desejada. Rectificam-se temperos.
As sementes de sésamo: coloca-se frigideira ao lume e depois de quente metem-se sementes de sésamo em quantidade a gosto. Deixam-se alourar ligeiramente e dispõem-se por cima do creme, na hora de servir, ou seja, as sementes de sésamo só são colocadas no prato individual.
Também acompanha bem com pão frito.
O Carnaval de lá e de cá
Começam as imagens sobre carnavais, tanto em Estarreja, essa maravilhosa cidade com um sempre agradável no ar, onde tive a felicidade de dar aulas, como no Brasil e só penso: "quase! quase que no Brasil o Carnaval é tão grandioso como o de Ovar ou Estarreja!"
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Devaneios
Achava sempre que a maré viva que recorrentemente a invadia, devia ser gozada e aproveitada por aquele que com o seu corpo sabia controlar essa força interior gigantesca que a atirava de forma desmedida para fora de si mesma. Que aquela força bruta que a arrebatava e transparecia no olhar lânguido e nos movimentos sôfregos do seu corpo, tinha de ser absorvida por aquele corpo masculino que tão bem sabia dosear a absorção dessa força e que tão bem sabia usar essa força que dela irradiava, para a devolver a si própria, qual eterno retorno, amplificando-lhe o prazer, perceptível por gemidos. Ela sabia-se pandora perante aquele homem, testemunha constante das explosões violentas da sua lascívia. Ela sabia que aquele homem a sabia interpretar, como se os seus movimentos, a sua respiração funda, fosse um esquisso para o que se adivinhava aquando do encontro daqueles corpos ávidos do mais profundo desejo animal.
No entanto, havia alturas em que ela não conseguia suster a primavera do seu corpo.
No entanto, havia alturas em que ela não conseguia suster a primavera do seu corpo.
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23 de fevereiro de 2014
DO substantivo no feminino
a·ven·tu·ra
substantivo feminino
1. Feito extraordinário.
2. Caso inesperado que sobrevém e que merece ser relatado.
3. Acaso.
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tou que tou
22 de fevereiro de 2014
" Quer um uísque? Este banal líquido amarelo constitui, nos tempos de hje, depis da viagem de circum-navegação e da chegada do primeiro escanfandre à Lua, a única possibilidade de aventura(...)"
António Lobo Antunes.
Os Cus de Judas
Dom Quixote
pág, 151
sim eu disse que não gosto de uísque e é verdade, mas tou a precisar de uma cena forte.
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fim de semana
Cenário: cozinha com o computador ligado à Tv e onde passava ininterruptamente O Mio babbino caro interpretado por Maria callas e que ontem aqui coloquei. João pai ultimava o jantar.
João filho entra na cozinha.
João esperto: qué isto que tás a ouvir pai? não gosto!
João pai: chama-se ópera!
João esperto: não gosto!
João pai: o pai gosta muito.
João esperto: nunca te tinha ouvido a ouvir ópera! não gosto de ópera pai! Pai!!
João parvo: diz filho!
João esperto: porque é que parece que a mulher tá a chorar?
João filho entra na cozinha.
João esperto: qué isto que tás a ouvir pai? não gosto!
João pai: chama-se ópera!
João esperto: não gosto!
João pai: o pai gosta muito.
João esperto: nunca te tinha ouvido a ouvir ópera! não gosto de ópera pai! Pai!!
João parvo: diz filho!
João esperto: porque é que parece que a mulher tá a chorar?
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vinho que acompanhou e bem a refeição, uma vez que se tratando de porco, o doce natural do colheita tardia contrabalançou com o "gordo" do porco e o corpo do bechámel na batata gratin, que hoje, por já ter a ligação mais sólida, já não se desmontou.
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Vida
21 de fevereiro de 2014
Jantar cá de casa
como eu calculava, o João filho adorou esta batata.
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Vida
"Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outras tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho puído. Não me habituo: não posso ver uma árvore sem espanto, e acabo desconhecendo a vida e titubeando como comecei a vida. Ignoro tudo, acho tudo esplêndido, até as coisas vulgares: extraio ternura duma pedra."
Raul Brandão
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20 de fevereiro de 2014
"Carmim
Não te digo tanto quanto
quero
nem te faço tudo quanto sonho
Não me basto junto a ti
secreta
quando me entrego e a ti me oponho
Não te conto sequer
porque imagino
ser desejo
o carmim da boca
Morro de sede perto dos teus lábios
de ti quero ir bebendo
e ficar louca"
Maria Teresa Horta
Não te digo tanto quanto
quero
nem te faço tudo quanto sonho
Não me basto junto a ti
secreta
quando me entrego e a ti me oponho
Não te conto sequer
porque imagino
ser desejo
o carmim da boca
Morro de sede perto dos teus lábios
de ti quero ir bebendo
e ficar louca"
Maria Teresa Horta
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"
I
É o mar, meu amor
na febre dos teus olhos
É o manso fascínio
da onda que se inventa
É o mar, meu amor
mestiço nos teus olhos
É o mirto, o queixume
a mansidão tão lenta
II
É o mar, meu amor o
lastro dos sentidos
que afogas nos olhos
sem nunca te afundares
É o mar, meu amor
que transportas nos olhos
e onde eu nado o tempo
sem nunca me encontrar."
Maria Teresa Horta, As Palavras do Corpo
pág. 72
I
É o mar, meu amor
na febre dos teus olhos
É o manso fascínio
da onda que se inventa
É o mar, meu amor
mestiço nos teus olhos
É o mirto, o queixume
a mansidão tão lenta
II
É o mar, meu amor o
lastro dos sentidos
que afogas nos olhos
sem nunca te afundares
É o mar, meu amor
que transportas nos olhos
e onde eu nado o tempo
sem nunca me encontrar."
Maria Teresa Horta, As Palavras do Corpo
pág. 72
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Poesia
18 de fevereiro de 2014
Ainda o 14 de fevereiro e agora a sério
o declaração da menina misteriosa para o João filho e que deu longas horas de conversa, como se um pai, ao olhar para um desenho, pudesse saber quem era a menina.
A sandwich club
Bem, como parece que a puta da sandes fez sucesso fica a receita pró menino e prá menina:
Ingredientes: (uma sandex)
Ingredientes: (uma sandex)
- pão de forma (3 fatias)
- ovo
- bacon
- tomate
- alface
- maionese
- peito de perú/frango (original é galinha)
1. Cozer o peito. Depois laminá-lo fino. Reservar
2. Cozer o ovo. Cortar em fatias. Reservar.
3. Cortar o tomate em rodelas finas e arranjar as folhas de alface.
4. Fritar o bacon numa frigideira. Não é preciso adicionar gordura. A gordura do bacon é suficiente. Depois de bem frito, reservar.
5. Tostar ligeiramente o pão.
Montar a sandex:
Uma fatia de pão barrada com maionese a gosto, colocar os restantes ingredientes por camadas. Colocar uma segunda fatia de pão, novamente com maionese. Voltar a colocar todos os ingredientes por camadas. Terminar com a última fatia de pão.
Para a sandex não se desmanchar podem colocar uns palitos a "firmar" o produto.
Podem retificar temperos de sal e pimenta na montagem do bicho.
Podem retificar temperos de sal e pimenta na montagem do bicho.
Uma batata frita acompanha muito bem assim como uma cerveja.
Podem usar esta sandes como refeição ou ceia.
A quantidade dos ingredientes enquanto recheio é à vontade do freguês, mas vão aperceber-se, depois de a fazerem várias vezes, que devem jogar com certas quantidades, para se realçarem sabores e texturas (paneleirices de cozinheiro com a mania).
Sandwich club é a cena mais vendida nos hoteis de todo o mundo, enquanto snack para os room service.
Eu, como sou uma puta fina, a primeira vez que comi uma foi no Ritz em Lisboa. Depois fui ao Cool Jazz fest, em Mafra, ver a Maria Bethânia, para fazer jeito a uma pessoa (calhou que o concerto foi para lá de bom)
A verdadeira, agorinha mesmo:, com a maionese que hoje tive paciência de fazer, o pão de forma e ovo cozido.
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Depois de ter visto Nifomaníaca Volume I, hoje fui ver o volume II.
O volume II começa com a acção exactamente no mesmíssimo sítio onde havíamos ficado no fim de Volume I.
O Volume II é isso mesmo, a continuação do I, por isso nada de novo, metáforas e mais metáforas. Aquele que apelidei de "escutador" -intencionalmente- finalmente é apresentado e assumido e comparado com isso, um confissor, alguém que ouve, atentamente, sem julgar. Sem julgar por razões evidentes que se denotam no aspecto austero da sua casa, no suporte físico usado para ouvir música, nas metáforas que elabora a partir da vida da ninfomaníaca, pela cultura geral que apresenta, tal qual um padre. Há até um outro elemento semelhante entre este escutador do filme e um padre de verdade, mas não sou desmancha-prazeres e não digo qual é.
Há uma certa reviravolta nos acontecimentos do filme -não na vida da personagem feminina- o que era expectável, confesso que não esperava o fim, embora, olhando para a coisa de modo estritamente racional, vários indícios assim apontavam.
A reviravolta na mulher, de facto acontece, qual epifania, depois de ela se dar conta de toda a sua vida até então.
Mesmo existindo elementos novos neste segundo volume, a persistência na metáfora, a visão flosófica da coisa - neste caso foi Zenão de Eleia, foram buscar as aporias de Zenão; a perpesctiva dialéctica da vida ao estilo hegelianao também presente-, repetida exaustivamente, acabou por me cansar, ao ponto de, a última metáfora, a da luz, não ter tido qualquer impacto na minha pessoa. Estive aliás à espera, a todo o momento, que o confissor se saísse com Parménides à conta da luz e da sua simbologia, mas não, faltou essa ao Von Trier, sendo que o Freud está em alta neste volume.
Se puderem vejam a coisa num acto só. Ganha mais sentido e provavelmente não cansa com as metáforas.
ah! também há metáforas com árvores e aquela coisa do morrer de pé e renascer e subir e ultrpassar limites e assim e assado.
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Nero
A sua alma era habitada pelo negro. Os seus olhos eram negros, fundos como um poço. Preto era a cor que o definia. Não que fosse uma alma atormentada, não, era uma alma negra porque cor nenhuma o definia. Era uma alma negra porque vibrava, sempre, na sua memória, aquela cor preta dela que ele tinha de despir. Era uma alma negra porque se assemelhava a um corvo quando a cobria, quando a possuía, albergando por inteiro em si o corpo feminino que diante si se dispunha ao sexo. Era uma alma negra porque o seu corpo se agigantava, se transformava nas asas de um corvo durante o sexo, as asas que sustentam um corpo, as asas que elevam o corpo a outro estado, as asas que permitem ao olhar ganhar uma visão mais ampla. Era uma alma negra porque para ele, durante o sexo, não havia cor. Para ele, durante o sexo só há sexo. Sexo, duro, violento, espesso, como um rio de tinta por entre flocos imaculados de neve. O sexo apenas durante o sexo. O olhar negro do corvo durante o sexo. O voo negro do corvo era o sexo. Ele era o sexo durante o sexo.
Mas ele pousava, sempre.
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tou que tou
17 de fevereiro de 2014
15 de fevereiro de 2014
Coisas que convém não esquecer sobre mim (3ª actualização)
- nasci em lisboa mas sinto-me alentejano
- adoro os meus pais e a minha infância
- venero o sexo feminino e em particular a minha mãe e a mãe dela
- não sou de ladrar
- tenho uma pancada enorme por saltos altos
- sou licenciado em filosofia
- sou pai
- adoro desporto
- adoro fotografia
- o meu escritor favorito é Vergílio Ferreira
- adoro sexo e dizem que sou uma boa foda
- tive uma pastelaria
- estou desempregado
- adoro cozinha
- estou a tirar um curso de cozinha
- sou humilde
- sou ingénuo
- não sou tão estúpido como possa parecer
- reparo em detalhes picuinhas nas mulheres
- olho sempre para as mãos e pés de uma mulher
- adoro moscatel de setúbal (preferência roxo)
- tenho um irmão, mais velho
- gosto da minha casa
- tenho uma mota e gosto muito dela consequentemente gosto de andar de moto
- adoro ser professor
- estimo muito a minha hi-fi
- sou tímido
- adoro conversar
- sei que é bizarro os dois pontos anteriores mas é verdade
- sou amigo
- gosto de estar sozinho
- sou frágil
- sou ávido de emoções e atenção
- não sou perfeito
- não sou uma personagem como o Duckman ou o Corto Maltese, sou uma pessoa,com toda a carga filosófica e etimológica que a palavra acarreta.
- gosto muito do Seinfeld
- gosto de rir
- gosto de sorrir
- não estou 100% satisfeito com o novo look da tasca mas ou não tenho paciência ou não sei configurá-lo para o que tenho em mente
- gosto de cinema, poesia, dança, musica, literatura, passear
- adoro a primavera
- adoro a luz e o céu azul
- adoro o mar
- sou guloso
- há muitas coisa que apesar de tudo, não falo no blog
- não fui à tropa, fui dado como inapto (esta é nova por aqui)
- tenho duas pós-graduações
- vivo medicado há uns 6 anos para uma depressão que dizem ser crónica
- já vi coisas que na realidade não aconteceram
- choro às vezes
- sou impulsivo
- consigo ser frio
- sou irascível
- dificilmente guardo rancor
- sou acessível
- sou um gajo bem disposto
- sou parvo
- a minha rádio favorita é a "Radar"
- conheço a Malena pessoalmente
- adoro a Malena
- a Malena sabe muitos segredos meus que mais ninguém sabe
- gosto de perfumes
- o perfume não é entendido por mim como um acessório, mas como extensão de mim e consequentemente expressão de um estado de espírito
- gosto de relógios
- sou muitíssimo discreto
- só fumo socialmente e apenas cigarrilhas Romeu e Julieta
- não gosto de whisky, excepto Talisker
- apesar de tudo, continua a haver muito de mim que poucos sabem, conhecem.
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