Ganho num mês em Londres, o que ganho em portugal em 3, por isso, já me posso dispôr a alguns luxos. Há um invariável ( e único aliás) que ficou do meu pai amplificado pelo meu irmão através da Hi-Fi: a música. Abundam lojas que envergonham duas Fnac's juntas.
Sozinho, consigo ter maior disponibilidade -ainda que sem a minha hi-fi- para apreciar a música, a que vou comprando (tudo em vinil) e vem com código para descarregar em MP3, seja ela música nova que descubro sejam bandas que já conhecia.
É o caso do momento, em que leio Javier Marías, O teu rosto amanhã (III) e oiço nos head-phones Nils Frahm.
Não os tenho contados, mas mais de meia dúzia seguramente já comprados, entre discografia completa de The Smiths, Depeche Mode, Mogwai, U2 (estes, todos usados bem baratos e em bom estado) entre outros que descobri como Rozi Plain ou Krhuangbin, etc. e há sempre mais que quero comprar....não sei quantos quilos tenho em vinil aqui no quarto mas uns quantos já certamente!
21 de abril de 2019
20 de abril de 2019
Calor
Não saí à rua, quer dizer, durante o dia. Cheguei ao restaurante às 7 da manhã. entrei, usando o código da porta e só saí por voltas das 23, por isso, digo, não saí à rua. Mas parecia que estava na primavera de portugal. Sol, luz, muita luz e um céu azul. Percebia-se isso pela clarabóia que temos no tecto da cozinha.
Esteva calor. Aliás, o meu telemóvel com cartão português indicava chuva em portugal e 24 graus em Londres!!!
Hoje, por um dia, voltei à minha terra natal.
Esteva calor. Aliás, o meu telemóvel com cartão português indicava chuva em portugal e 24 graus em Londres!!!
Hoje, por um dia, voltei à minha terra natal.
11 de abril de 2019
"Só é derrotado quem desiste de lutar"
Acho que é assim a frase de Mário Soares.
Não sei se é a primeira vez, mas fui ao chão com toda a violência. Fui derrotado, ou deixei-me derrotar, e estou agora numa encruzilhada, num labirinto. Ainda procurei no telefone por urgências, mas nem todos os hospitais estão abertos 24h/7 com urgências, vim a descobrir...só os hospitais principais. O que é um hospital principal e podia ir a um? Qual? Onde? quanto tempo lá levaria? teria transporte para casa?
Lá estava, hoje, a mulher alta magra e feia do sax a tocar músicas graves, pesadas e tristes como ela parece ser.
Acho que é assim a frase de Mário Soares.
Não sei se é a primeira vez, mas fui ao chão com toda a violência. Fui derrotado, ou deixei-me derrotar, e estou agora numa encruzilhada, num labirinto. Ainda procurei no telefone por urgências, mas nem todos os hospitais estão abertos 24h/7 com urgências, vim a descobrir...só os hospitais principais. O que é um hospital principal e podia ir a um? Qual? Onde? quanto tempo lá levaria? teria transporte para casa?
Lá estava, hoje, a mulher alta magra e feia do sax a tocar músicas graves, pesadas e tristes como ela parece ser.
7 de abril de 2019
Londres
Londres é uma cidade bonita. O melhor adjectivo que lhe costumo encontrar é: majestosa. Os edifícios imperiais, burgueses, vitorianos, majestosos, enormes. Os edifícios alinhados na mesma arquitectura, imaculados, como se nunca por ali tivessem caído bombas na II grande guerra. Edifícios sumptuosos misturados com bairros excêntricos como Soho, Brick Lane, Camden Town e tantos outros. Edifícios negros históricos a fazer lembrar a cidade do Porto, misturados com a modernidade financeira como Canary Wharf ou o "distrito financeiro" junto ao centro, como por exemplo, perto da Torre de Londres. A London Bridge e a Millennium Bridge.
Mas é à noite, quando saio do trabalho, que lhe encontro ainda mais brilho, mais encanto. cada dealhe e recorte de um edifício saliente pela luz.
No entanto, quando caminho pelas ruas e avenidas é estranho: porque já me habituei à cidade mas sei que não sou de cá, nada disto é meu: não é a minha língua, a minha luz ou o cheiro de lisboa, o Tejo e o oceano. A pacatez de lisboa quando comparada com a imensidão de Londres. O país de Churchill e Tatcher, Beatles, Queen, Shakespeare, DEpeche Mode, Smiths, William Blake, etc, o pais de grandes nomes da história, entranhou-se em mim mas uma segunda pele mas sei que num instante a pele pode cair. Não estranho já a mulher madura, elegante, que é Londres, mas não deixa de ser estranho andar por aqui.
Mas é à noite, quando saio do trabalho, que lhe encontro ainda mais brilho, mais encanto. cada dealhe e recorte de um edifício saliente pela luz.
No entanto, quando caminho pelas ruas e avenidas é estranho: porque já me habituei à cidade mas sei que não sou de cá, nada disto é meu: não é a minha língua, a minha luz ou o cheiro de lisboa, o Tejo e o oceano. A pacatez de lisboa quando comparada com a imensidão de Londres. O país de Churchill e Tatcher, Beatles, Queen, Shakespeare, DEpeche Mode, Smiths, William Blake, etc, o pais de grandes nomes da história, entranhou-se em mim mas uma segunda pele mas sei que num instante a pele pode cair. Não estranho já a mulher madura, elegante, que é Londres, mas não deixa de ser estranho andar por aqui.
5 de abril de 2019
Ontem, por volta das 24h, na estação do tube que uso, Green Park, vejo este poster. Tirei fotografia e assim que tive rede encaminhei para o meu irmão.
Ele, afinal, já sabia da coisa, eu não. Conversámos. Que gostava de ter o vinyl. Eu também, pensei.
Não que não se arranje pela net, mas é uma das vantagens de estar/viver em Londres, tropeçamos em lojas de música com vinis aos pontapés (e a sensação de ter aquela rodela na mão trazida da loja é indescritível): Flash Back, Rough Trade, Container records, Music Inn, SistaRay, Phonica Records.e tantas tantas outras...disse-lhe: numa folga vou à procura.
Hoje cheguei a casa, e comecei a procurar pelo vinil nas lojas da grande Londres. Encontrei...encomendei...não o vinil normal, a versão Deluxe. Só é pena que não possa já ir buscar amanhã. Queria ir buscar amanhã, colocar uma foto no facebu e dizer-lhe:
"Mano já está, já tens um. é teu. oferta minha."
Para memória futura: o comprovativo do pedido. depois, é ir comer num indiano em brick lane e quando disponível, vir como um puto, todo contente, com o vinil debaixo do braço trazido da loja.
Thanks for your order #476554
2x
Henryk Górecki: Symphony No. 3 (Symphony Of Sorrowful Songs), Beth Gibbons and the Polish National Radio Symphony Orchestra, LP+
2x
Henryk Górecki: Symphony No. 3 (Symphony Of Sorrowful Songs), Beth Gibbons and the Polish National Radio Symphony Orchestra, LP+
Heavyweight Black Vinyl housed in Deluxe tip-on Gatefold Sleeve with Mounted 16 Page Booklet Insert and Bonus DVD featuring Concert Film.
Já agora, uma faixa que, é de cortar a respiração:
31 de março de 2019
São 2.51h. Saí às 00.34. Fiz por isso. cada minuto, ao fim de 60, são uma hora a mais que me é paga. No fim do mês, o corpo paga, naturalmente, mas há o retorno financeiro que nem num milhão de vidas esperei quando comparado com o que recebia em Portugal. E, quando me deito, apesar de não ver o meu filho, é nele que penso. É pelo fim do mês que espero para receber o ordenado "milionário" e poder disponibilizar-lhe mais dinheiro e mais alguns "luxos" que de outro modo não poderia.
outro dia lá estava a mulher do sax, queria tê-lo dito e não disse. lá estava ela, magra, alta e feia. tocava uma música grave, muito intensa mas triste.
Saí do trabalho. percorri, como habitual a Picadilly street. Vi o bentley. todos os dias vejo um ou mais bentleys. ontem vi um benteley, um ferrari e um lamborghini...é um país sem dúvida mais rico...
hoje comprei uma máquina de café nexpresso. tive sorte, onde a fui comprar, um sítio catita, uma espécie de distrito do dinheiro onde estão por exemplo J.P.Morgan e Morgan Stanley, tem uma supermercado género Supermercado do Corte Inglês (Lisboa) e, por sorte, tinham um modelo a 76£, ora, o mais barat que havia encontrado em duas outras lojas nexpresso custava 90£. Foi o meu luxo e prémio de consolação por esta solidão e pelo sacrifício físico e psíquico que tenho feito. Em abono da verdade também, o café, um café é um balúrdio e, regra geral, em quantidades tipo baldes de 5 litros...quando versão amaricano...ou curtíssimo quando versão expresso. Para piorar a coisa, servido regra geral, em copos de papel para levar, como se se tratasse de um tubo para a urina da manhã, para levar na manhã seguinte ao senhor doutor.
Já são 3 da manhã. tenho os auriculares colocados e oiço Dead Combo.
Quando esta note cheguei a casa vi luz na cozinha. Era o rafa. falámos. O rafa trabalha em vídeo/fotografia/design. Certa vez, estava eu na cozinha a ver uns vinis que comprei e o rafa ficou interessado pelo design das capas e conteúdos interiores. Nem conhecia os músicos, muito menos aquele álbum em particular: nils frahm e olafur arnalds. Bateu-me depois um dia à porta do quarto a dizer que jáos tinha ouvid no you tube que era de cortar a respiração. bateu-me no coração, disse. Hoje, mostrou-me um vídeo por s realizado onde há uma voz off, um poeta, que fala, fazendo-me lembrar Ursula Rucker, sobre Londres, sobre a pobreza e a riqueza. Lindo o vídeo, adorei. Fiquei encantado pelo Rafa ter gostado tanto daquela música e a ter usado para o seu filme. Mas o rafa sai amanhã de casa...tenho pena, afeiçoei-me a ele...estou a ouvir Dead Combo porque, falando sobre música, me lembrei de lhe recomendar. escrevi num papel o nome: Dead Combo, numa folha de um bloco que havia na mesa da cozinha. escrevi também Ursula Rucker. Espero que goste. espero que a música, estas músicas o façam lembrar-se de mim, como eu me recordarei sempre dele, de cada vez que olhar/ouvir o álbum de nils frahm e olafur arnalds.
Hoje, drante o dia, lembrei-me dela várias vezes. Dos seus passos quando saí do banho. passos em pontas. A barriga das pernas, extremamente torneadas a realçarem naqueles seus movimentos felinos. Passo ante passo, silenciosa e delicadamente, em pontas, como um felino que se aproxima da presa, mas no caso, era ela que decidia quando e como era a presa. E as suas mãos delicadas como estiletes de flor a limparem o corpo.
outro dia lá estava a mulher do sax, queria tê-lo dito e não disse. lá estava ela, magra, alta e feia. tocava uma música grave, muito intensa mas triste.
Saí do trabalho. percorri, como habitual a Picadilly street. Vi o bentley. todos os dias vejo um ou mais bentleys. ontem vi um benteley, um ferrari e um lamborghini...é um país sem dúvida mais rico...
hoje comprei uma máquina de café nexpresso. tive sorte, onde a fui comprar, um sítio catita, uma espécie de distrito do dinheiro onde estão por exemplo J.P.Morgan e Morgan Stanley, tem uma supermercado género Supermercado do Corte Inglês (Lisboa) e, por sorte, tinham um modelo a 76£, ora, o mais barat que havia encontrado em duas outras lojas nexpresso custava 90£. Foi o meu luxo e prémio de consolação por esta solidão e pelo sacrifício físico e psíquico que tenho feito. Em abono da verdade também, o café, um café é um balúrdio e, regra geral, em quantidades tipo baldes de 5 litros...quando versão amaricano...ou curtíssimo quando versão expresso. Para piorar a coisa, servido regra geral, em copos de papel para levar, como se se tratasse de um tubo para a urina da manhã, para levar na manhã seguinte ao senhor doutor.
Já são 3 da manhã. tenho os auriculares colocados e oiço Dead Combo.
Quando esta note cheguei a casa vi luz na cozinha. Era o rafa. falámos. O rafa trabalha em vídeo/fotografia/design. Certa vez, estava eu na cozinha a ver uns vinis que comprei e o rafa ficou interessado pelo design das capas e conteúdos interiores. Nem conhecia os músicos, muito menos aquele álbum em particular: nils frahm e olafur arnalds. Bateu-me depois um dia à porta do quarto a dizer que jáos tinha ouvid no you tube que era de cortar a respiração. bateu-me no coração, disse. Hoje, mostrou-me um vídeo por s realizado onde há uma voz off, um poeta, que fala, fazendo-me lembrar Ursula Rucker, sobre Londres, sobre a pobreza e a riqueza. Lindo o vídeo, adorei. Fiquei encantado pelo Rafa ter gostado tanto daquela música e a ter usado para o seu filme. Mas o rafa sai amanhã de casa...tenho pena, afeiçoei-me a ele...estou a ouvir Dead Combo porque, falando sobre música, me lembrei de lhe recomendar. escrevi num papel o nome: Dead Combo, numa folha de um bloco que havia na mesa da cozinha. escrevi também Ursula Rucker. Espero que goste. espero que a música, estas músicas o façam lembrar-se de mim, como eu me recordarei sempre dele, de cada vez que olhar/ouvir o álbum de nils frahm e olafur arnalds.
Hoje, drante o dia, lembrei-me dela várias vezes. Dos seus passos quando saí do banho. passos em pontas. A barriga das pernas, extremamente torneadas a realçarem naqueles seus movimentos felinos. Passo ante passo, silenciosa e delicadamente, em pontas, como um felino que se aproxima da presa, mas no caso, era ela que decidia quando e como era a presa. E as suas mãos delicadas como estiletes de flor a limparem o corpo.
19 de março de 2019
Boss
My boss:
http://www.corrigansmayfair.co.uk/about-us/#richardcorrigan
My kitchen:
https://www.youtube.com/watch?v=UtH1IdTAcfA
http://www.corrigansmayfair.co.uk/about-us/#richardcorrigan
My kitchen:
https://www.youtube.com/watch?v=UtH1IdTAcfA
14 de março de 2019
13 de março de 2019
A mulher do sax
É uma mulher alta. Magra. Deve medir 1.85/1.90. É feia. Tem um nariz saliente, veja-a sempre de calças de ganga e uma camisa. reparei que hoje tinha uma trança. Cabelo castanho. Encontro-a com frequência na estação do metro que uso, "Green Park".
Está sempre do lado direito, depois de descer as primeiras escadas rolantes, no "ponto" autorizado pelo Mayor da cidade.
É alta e magra e feia. Toca um saxofone que não sei naturalmente o nome. parece um clarinete, mas é um saxofone pelo som.
É pelo menos a terceira ou quarta vez que a vejo/oiço. Não costumo gostar das músicas que toca. Já reparei que forma apenas uma bolsa de ar na sua cara, do seu lado esquerdo enquanto toca o saxofone.
Hoje, quando descia as escadas, reconheci o som do saxofone. Achei bonita a música e quando a vista permitiu, confirmei que era mesmo a mulher alta magra e feia do saxofone. Como gostei da música, abri a carteira e procurei uma moedas. Desenrasquei 60p, o equivalente a uns 80 cêntimos. Deitei-os para dentro da caixa do instrumento onde identifiquei muitas moedas de um 1 pound. Levantei a cabeça e fiz um sinal de "bom", "obrigado". Tinha os olhos fechados. Fiquei triste porque não viu que deixei o que pude. Fiquei contente porque me lembro que das outras vezes que vi a mulher magra alta e feia do saxofone, tocava de olhos abertos.
Está sempre do lado direito, depois de descer as primeiras escadas rolantes, no "ponto" autorizado pelo Mayor da cidade.
É alta e magra e feia. Toca um saxofone que não sei naturalmente o nome. parece um clarinete, mas é um saxofone pelo som.
É pelo menos a terceira ou quarta vez que a vejo/oiço. Não costumo gostar das músicas que toca. Já reparei que forma apenas uma bolsa de ar na sua cara, do seu lado esquerdo enquanto toca o saxofone.
Hoje, quando descia as escadas, reconheci o som do saxofone. Achei bonita a música e quando a vista permitiu, confirmei que era mesmo a mulher alta magra e feia do saxofone. Como gostei da música, abri a carteira e procurei uma moedas. Desenrasquei 60p, o equivalente a uns 80 cêntimos. Deitei-os para dentro da caixa do instrumento onde identifiquei muitas moedas de um 1 pound. Levantei a cabeça e fiz um sinal de "bom", "obrigado". Tinha os olhos fechados. Fiquei triste porque não viu que deixei o que pude. Fiquei contente porque me lembro que das outras vezes que vi a mulher magra alta e feia do saxofone, tocava de olhos abertos.
Os enamoramentos - javier Marias
Despia-se vagarosamente, como as árvores. Despia-se calmamente. Ao contrário das outras mulheres. As outras mulheres demoravam a vestir-se, a arranjar-se. Pois ela não. Despir-se, para ela, era compor-se, daí a lentidão em gestos desenhados por uma matemática feita de uma razão apaixonada. Tirava a roupa e dobrava-a em gestos desenhados por réguas e esquadros.
Despia-se, sem pressa.
Tirava toda a roupa, deixando apenas a lingerie. Nessa altura, sentava-se na beira da cama e calçava os seus saltos altos.
Demorava a chegar aqui. O tempo que as outras mulheres levariam a arranjar-se; o cabelo, as unhas, a maquilhagem. Ela, era tirar a roupa que lhe roubava o tempo até que a primavera do seu corpo se desse todo, nas suas férreas e apaixonadas curvas femininas de mulher.
Despia-se, sem pressa.
Tirava toda a roupa, deixando apenas a lingerie. Nessa altura, sentava-se na beira da cama e calçava os seus saltos altos.
Demorava a chegar aqui. O tempo que as outras mulheres levariam a arranjar-se; o cabelo, as unhas, a maquilhagem. Ela, era tirar a roupa que lhe roubava o tempo até que a primavera do seu corpo se desse todo, nas suas férreas e apaixonadas curvas femininas de mulher.
9 de março de 2019
Devia ser simples. Fazer as preparações, para, à hora do serviço, dá-lo. Dá-l signifca ouvir/ler cada ticket e preparar o que é devido à minha bancada. Mas, mas...há a minha cabeça que me desgraça. A falta de confiança e a falta de focar e concentrar. Sendo racional, creio, nem se pode dizer que tenha feito um mau trabalho. De facto, a primeira mesa demorou e sem necessidade, até porque havia, à altura, poucos tickets. O sub-chefe apertou-me os calos e como eu tremi por uns minutos largos, mas como digo, o resto da noite correu bem. Mas há sempre o peso sob a cabeça, a auto-condenação...devia ser tudo simples mas há sempre a minha cabeça pelo meio, que eu tento mas não consigo controlar...há este misto de sentimentos, uma vontade vertiginosa de relatar tanta coisa, os Bentleys que me habituei a ver diariamente, Londres imponente, o sem-abrigo com telemóvel, a polícia no metro, as obras na casa e no meu quarto que vêm interromper a minha rotina, invadir a minha pouca privacidade, as músicas e as memórias de tanta coisa que são a minha companhia diária. Não ter ninguém, absolutamente ninguém para falar dói.
É uma profissão dura, como tantas outras, não é mais dura que outras, mas é difícil, como a vida, por isso,é um sítio onde não há amigos. Passo a tarde a falar com eles (alguns) e depois, quando menos se espera, caem em cima sem misericórdia. Mas a culpa é minha que não respondo. Não é profissão para não se responder, mas eu não respondo. Como hoje, ao fim da noite, o colega J. fez o favor de me apontar partes da bancada que estavam com manchas, que tinha de limpar...sem que, naturalmente eu, tivesse metido o nariz nas limpezas dele ou respondido à sua observação
terei dito tudo?
ah pois, hoje é sexta feira, dia de as mulheres (?) saírem à rua como se estivessem em Portugal no Verão e fossem para o casamento da rainha...muitas delas, nada mais que miúdas que não fazem nada mais que ser ridículas. poucas das que se arranjam para parecer mulheres, das que vejo,poucas o são mesmo. Poucas têm a postura e a atitude de mulher. A maioria, julgo, não passa de barbies que dão nas vistas sem dúvida, mas ao ponto de serem ridículas no seus saltos altos completamente abertos, óptimos para o frio e chuva de Londres e as suas poucas vestes que igualmente as agasalha deste calor tórrido londrino.
terei dito tudo? talvez não. Mas é tarde. preciso dormir. Passar à frente. Descansar dos medo de hoje para os voltar a enfrentar amanhã, porque sempre que estou acordado, tenho um enorme desafio que é chegar ao fim do dia. Enfrentar um dia inteiro de solidão, onde, às vezes, já dou por mim a pensar em inglês misturado com português. Dormir, descansar, fugir às horas, porque acordado, tenho de ser como o Lucky Luke, mais rápido que a própria sombra.
É uma profissão dura, como tantas outras, não é mais dura que outras, mas é difícil, como a vida, por isso,é um sítio onde não há amigos. Passo a tarde a falar com eles (alguns) e depois, quando menos se espera, caem em cima sem misericórdia. Mas a culpa é minha que não respondo. Não é profissão para não se responder, mas eu não respondo. Como hoje, ao fim da noite, o colega J. fez o favor de me apontar partes da bancada que estavam com manchas, que tinha de limpar...sem que, naturalmente eu, tivesse metido o nariz nas limpezas dele ou respondido à sua observação
terei dito tudo?
ah pois, hoje é sexta feira, dia de as mulheres (?) saírem à rua como se estivessem em Portugal no Verão e fossem para o casamento da rainha...muitas delas, nada mais que miúdas que não fazem nada mais que ser ridículas. poucas das que se arranjam para parecer mulheres, das que vejo,poucas o são mesmo. Poucas têm a postura e a atitude de mulher. A maioria, julgo, não passa de barbies que dão nas vistas sem dúvida, mas ao ponto de serem ridículas no seus saltos altos completamente abertos, óptimos para o frio e chuva de Londres e as suas poucas vestes que igualmente as agasalha deste calor tórrido londrino.
terei dito tudo? talvez não. Mas é tarde. preciso dormir. Passar à frente. Descansar dos medo de hoje para os voltar a enfrentar amanhã, porque sempre que estou acordado, tenho um enorme desafio que é chegar ao fim do dia. Enfrentar um dia inteiro de solidão, onde, às vezes, já dou por mim a pensar em inglês misturado com português. Dormir, descansar, fugir às horas, porque acordado, tenho de ser como o Lucky Luke, mais rápido que a própria sombra.
3 de março de 2019
Soho
Não sei se esta "Soho" é a Soho londrina que já percorri por duas ou três vezes, e que, ainda assim, nada conheço dada o seu tamanho e encanto, beleza e excentricidade. Quero achar que sim, que é.
Não sendo a música favorita dos The Pogues do meu pai, quero acreditar que esta é a Soho que infelizmente o meu pai não conheceu, por isso, um dia, vou a Soho beber uma pint pelo meu pai.
Velar
ve·lar 1 - Conjugar
(latim vigilo, -are)
"velar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/velar [consultado em 03-03-2019].
(latim vigilo, -are)
verbo transitivo
1. Estar de vigia a, estar de guarda a, geralmente durante as horas habitualmente dadas ao sono. = VIGIAR
2. [Figurado] Proteger.
3. Proteger.
4. Não abandonar.
5. Interessar-se com vigilante zelo.
6. Exercer vigilância sobre.
"velar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/velar [consultado em 03-03-2019].
Sempre que regresso a casa, lá está ele. Todos os dias, seja a que hora for...acredito que seja a minha mãe a velar por mim, a cada minuto que aqui estou.
Etiquetas:
Eu. Mãe,
fotografia,
Vida
1 de março de 2019
O dia em algumas imagens
à saída do metro...descoberto por acidente
a caminho das imagens abaixo tiradas dou-me com esta placa num edifício...
"aquela" rodela de vinyl continua a ser mágica assim como o som destes dois senhores juntos
"O Supermarine Spitfire foi um avião de caça britânico utilizado na Segunda Guerra Mundial, e foi o único caça aliado que operou durante todo o conflito.Projetado em 1936 por Reginald Mitchell (criador, na década de 1920, do também famoso Supermarine S6), entrou em serviço em agosto de 1938, na versão Mk I. Seu nome do inglês spit (cuspir) e fire (fogo), pode ser traduzido como "cuspidor de fogo" e designa uma pessoa (especialmente mulher) de temperamento explosivo.[1]"
26 de fevereiro de 2019
Primeiro estranha-se
" (...)
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
(...) "
24 de fevereiro de 2019
Ele, o Naoris
Naoris.
Não sei por onde começar. Podia começar que estávamos a bater os dois os dentes de frio, mas não, é o nome: Naoris. Começo por aqui, chama-se Naoris.
Estávamos sentados os dois, estupidamente, dei-me depois conta, à sombra, quando ao lado estava um banco ao sol.
Comecamos a alar quando uma rapariga lhe perguntou onde era o centro da segurança social. Ele respondeu-lhe e disse depois: ainda eu acho que falo mal inglês. Foi aí que comecámos a falar. falámos. Ele tem 24 anos num corpo de homem. Alto, forte, robusto, cabelo castanho escuro, passava por um italiano, espanhol ou até mesmo português, mas não, era de uma ex-república da Urss do Báltico. E dizia ele que no país dele estavam -20 graus mas que não era tão frio como aquele dia em Londres. era um vento frio, muito frio.
falamos durante cerca de 30 minutos. O tempo de o naors ir ao encontro da sua hora que era antes da minha no centro da segurança social.
Era a segunda vez que estava em Inglaterra. Estava a trabalhar numa empresa de limpezas numa zona de casas de milionários, disse. Não tinha vergonha do que fazia, mas disse-me: tenho apenas 24 anos, hei-de conseguir melhores empregos. Certamente pensei. Não tenho nada a perder disse-me. De certeza pensei, e disse-lho. Despediu-se, era hora de ir. Continuei, sozinho mas mudei de banco. Quando chegou a minha hora entrei, sentei-me e lá estava ele, o Naoris.
Quis pedir-lhe o telefone, mas não o fiz. Uma certa dose de desespero e vontade de querer criar laços com alguém. Mas não o fiz. Pelo meio da conversa o Naoris comentou que trabalhava longe dali, por isso achei que não faria sentido. procura-se uma amizade para beber uma cerveja, fugir da rotina e matar a solidão.
Naoris. Era de uma república do báltico. Alto, forte, bonito e inteligente pareceu-me.
espero que o Naoris esteja bem e tudo lhe corra pelo melhor.
Não sei por onde começar. Podia começar que estávamos a bater os dois os dentes de frio, mas não, é o nome: Naoris. Começo por aqui, chama-se Naoris.
Estávamos sentados os dois, estupidamente, dei-me depois conta, à sombra, quando ao lado estava um banco ao sol.
Comecamos a alar quando uma rapariga lhe perguntou onde era o centro da segurança social. Ele respondeu-lhe e disse depois: ainda eu acho que falo mal inglês. Foi aí que comecámos a falar. falámos. Ele tem 24 anos num corpo de homem. Alto, forte, robusto, cabelo castanho escuro, passava por um italiano, espanhol ou até mesmo português, mas não, era de uma ex-república da Urss do Báltico. E dizia ele que no país dele estavam -20 graus mas que não era tão frio como aquele dia em Londres. era um vento frio, muito frio.
falamos durante cerca de 30 minutos. O tempo de o naors ir ao encontro da sua hora que era antes da minha no centro da segurança social.
Era a segunda vez que estava em Inglaterra. Estava a trabalhar numa empresa de limpezas numa zona de casas de milionários, disse. Não tinha vergonha do que fazia, mas disse-me: tenho apenas 24 anos, hei-de conseguir melhores empregos. Certamente pensei. Não tenho nada a perder disse-me. De certeza pensei, e disse-lho. Despediu-se, era hora de ir. Continuei, sozinho mas mudei de banco. Quando chegou a minha hora entrei, sentei-me e lá estava ele, o Naoris.
Quis pedir-lhe o telefone, mas não o fiz. Uma certa dose de desespero e vontade de querer criar laços com alguém. Mas não o fiz. Pelo meio da conversa o Naoris comentou que trabalhava longe dali, por isso achei que não faria sentido. procura-se uma amizade para beber uma cerveja, fugir da rotina e matar a solidão.
Naoris. Era de uma república do báltico. Alto, forte, bonito e inteligente pareceu-me.
espero que o Naoris esteja bem e tudo lhe corra pelo melhor.
22 de fevereiro de 2019
cheguei agora a casa. a casa que não é a minha casa. que não me diz boa noite até amanhã, que não tem os cheiros que já não conheço.
tenho razões para achar que o dia correu bem e razões para achar que o dia correu mal. Estou cansado, cansado até ao último poro, não sei como aguento, como o meu corpo aguenta.
e há o naoris de quem eu tanto quero falar, mas este cansaço não deixa.
já na cama, sem banho tomado nem nada no estômago, bebo uma sagres. sim, uma sagres, encontra-se com facilidade.bebo-a porque sim...não consigo falar do naoris. não sei como aguento.
tenho razões para achar que o dia correu bem e razões para achar que o dia correu mal. Estou cansado, cansado até ao último poro, não sei como aguento, como o meu corpo aguenta.
e há o naoris de quem eu tanto quero falar, mas este cansaço não deixa.
já na cama, sem banho tomado nem nada no estômago, bebo uma sagres. sim, uma sagres, encontra-se com facilidade.bebo-a porque sim...não consigo falar do naoris. não sei como aguento.
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