4 de agosto de 2019

Dúvidas

Duas mulheres a terem/fazerem sexo, gemem coisas como: "ain caralhao!!"?.

1 de agosto de 2019

Lembro-me do último dia que vi a minha mãe com vida.
Quando ela entrou no garcia de orta, em fins de novembro, tive sempre para mim, que ela já não saía dali com vida, e assim aconteceu.
Certo dia de novembro de 2016, a Mimi, uma extraordinária senhora cabo verdeana foi acordar-me. Disse-me: João a tua mãe não está bem, temos de ligar aos bombeiros. Falei com a minha mãe, dizia que se sentia bem mas liguei ao 112. Foram buscá-la...e foi o fim....a casa ficou vazia. ficou a faltar a minha mãe e a mimi. a vida,  o movimento que a casa tinha perdeu-se.
Chegou a ter alta do hospital e quando aguardava a sua chegada, ligam do hospital a dizer que ela se sentiu mal e que por prevenção ficaria no hospital. Depois disto terá vivido mais um par de dias.
Um dia, como hábito, saí do trabalho, de mota, e fui vê-la. Lembro-me da sua voz. Só a voz era ela, tudo o resto já não....o olhar já estava noutro lugar, estava quente, extraordinariamente quente e a suar. Sei que estive pouco tempo com ela e devia ter estado mais. Sei que a abracei e sei que quando saí pensei que devia ter estado mais tempo com ela e lembro-me de estranhar o calor que ela emanava.
No dia seguinte, ligam-me do hospital. tinha morrido.

25 de maio de 2019

olha que quatro....sim e o realizador?!

14 de maio de 2019

Portugal Londres

Raul Martins, Pres. da Associação da Hotelaria de Portugal deu uma entrevista no telejornal da TVI. Vi e ouvi. Acho que não vivo no mesmo mundo do Sr. raul Martins, não obstante algumas -raras- verdades que o Sr disse.

8 de maio de 2019

peso morto para mim próprio....

6 de maio de 2019

Khruangbin - Cómo Me Quieres (Official Video)





Estava numa lista grande de vinis que o meu irmão me pediu. Quando fui buscar, ouvi, achei um espectáculo, achei que em parte, toda a música queira ser um pouco esta música, de modos que também comprei para mim, em vinyl, claro.

4 de maio de 2019

Avengers - Endgame

Vi vários filmes da série Avengers. Não sei se vi os 22 que "eles" dizem que este Endgame faz referência, mas vi uns quantos.
A verdade é que os via sempre com uma dose de cepticismo, fruto talvez de alguma mania intelectualista por a língua falada não ser a checa, sueca, búlgara, ou bielo-russa, nem existirem planos de 20 minutos da mesma coisa, pávida e serena, imóvel, mas no fim, aquele pedaço de acção, dava-me gozo e deixava-me satisfeito, para lá de estúpidos e pretensiosos intelectualismos que não tenho nem posso almejar. os filmes, preenchiam os requisitos para que eram criados e desse ponto de vista, achava-os bom, gostava deles. Ponto.
O mesmo não se passa com Endgames e não tem a ver com o facto da duração nem com o tê-lo visto sem legendas e numa sala enorme com uma qualidade de imagem e som brutais.
O que se passa é que na génese do filme, está....um certo intelectualismo e filosofia presentes, que o trnam, por isso, maçadores, ao contrário dos outros.
As personagens estão enredadas em raciocínios e pensamentos profundos, a que se vêm obrigados, medindo, como num jogo de xadrez, as infinitas possibilidades de cada jogada, leia-se, acção e as suas devidas consequências, na tentativa de salvar o mundo.
Se em todos os outros filmes o maniqueísmo está presente, neste ainda mais e por causa disso que o filme é mais desinteressante e gorou as minhas expectativas de 3 horas de barulho infernal de tiro e porradaria. É neste maniqueísmo que as personagens estão enredadas de modo extremamente marcante, por via das acções e das suas consequências.
O filme chega a ser tão filosófico ao ponto de me levar as aulas de filosofia de uma treta qualquer que tive na universidade onde li e analisei o Poema de parménides. No poema de parménides, um jovem montado nuns corcéis, percorre um caminho das trevas para a luz, simbolizando a luz, o conhecimento. Isto é tão forte, que chega a falar-se em passagem das trevas para a luz (usando estas expressões), no discurso do Iron Man, já depois da sua morte no filme numa gravação que deixa no seu capacete. No limite, esta morte é até, simbolicamente, a morte de Sócrates ou Jesus Cristo.
mas há mais. Reflexões intricadas sobre as viagens no tempo e as suas consequências, mais uma vez, a questão das acções e suas consequências....mesmo quando o capitão América vai viajar no tempo e depois aparece no presente -tempo actual do filme-, mas velho e casado, onde, assume, portanto, viver a vida bla bla bla
Querem porradaria e barulho, não vão ver Avengers Endgame.

29 de abril de 2019

Os outros não sei. Os outros, ou seja, vocês, ou seja, até mesmo ninguém porque este espaçito já não é o que era -não faz mal-, não sei. Eu tenho. Eu, dos outros, de alguns homens, de algumas mulheres, de algumas pessoas, tenho inveja. Não pela beleza, não pela riqueza, não pelos bens que possuem, não pelo que já viajaram, viram e provaram. Invejo muitas pessoas pela sua racionalidade e, com ela, serem capazes de se distanciar e analisar logicamente as situações. Com ela, simplesmente serem capazes. Não deixarem que sangue e soro se misture. Com ela, serem capazes. Com ela, serem o que querem. Não que sejam perfeitos, tenho noção que o não são, mas são capazes. Eu não sou. Simplesmente não sou.



"Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar!
Quando voltar, é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça, é tudo tão verdade!"
Almada Negreiros

25 de abril de 2019

como um touro bravo, ensaguentado, cansado, cheio de farpas, mas de pé...

21 de abril de 2019

Luxos

Ganho num mês em Londres, o que ganho em portugal em 3, por isso, já me posso dispôr a alguns luxos. Há um invariável ( e único aliás) que ficou do meu pai amplificado pelo meu irmão através da Hi-Fi: a música. Abundam lojas que envergonham duas Fnac's juntas.
Sozinho, consigo ter maior disponibilidade -ainda que sem a minha hi-fi- para apreciar a música, a que vou comprando (tudo em vinil) e vem com código para descarregar em MP3, seja ela música nova que descubro sejam bandas que já conhecia.
É o caso do momento, em que leio Javier Marías, O teu rosto amanhã (III) e oiço nos head-phones Nils Frahm.

Não os tenho contados, mas mais de meia dúzia seguramente já comprados, entre discografia completa de The Smiths, Depeche Mode, Mogwai, U2 (estes, todos usados bem baratos e em bom estado) entre outros que descobri como Rozi Plain ou Krhuangbin, etc. e há sempre mais que quero comprar....não sei quantos quilos tenho em vinil aqui no quarto mas uns quantos já certamente!

20 de abril de 2019

Calor

Não saí à rua, quer dizer, durante o dia. Cheguei ao restaurante às 7 da manhã. entrei, usando o código da porta e só saí por voltas das 23, por isso, digo, não saí à rua. Mas parecia que estava na primavera de portugal. Sol, luz, muita luz e um céu azul. Percebia-se isso pela clarabóia que temos no tecto da cozinha.
Esteva calor. Aliás, o meu telemóvel com cartão português indicava chuva em portugal e 24 graus em Londres!!!
Hoje, por um dia, voltei à minha terra natal.

11 de abril de 2019

"Só é derrotado quem desiste de lutar"

Acho que é assim a frase de Mário Soares.


Não sei se é a primeira vez, mas fui ao chão com toda a violência. Fui derrotado, ou deixei-me derrotar, e estou agora numa encruzilhada, num labirinto. Ainda procurei no telefone por urgências, mas nem todos os hospitais estão abertos 24h/7 com urgências, vim a descobrir...só os hospitais principais. O que é um hospital principal e podia ir a um? Qual? Onde? quanto tempo lá levaria? teria transporte para casa?


Lá estava, hoje, a mulher alta magra e feia do sax a tocar músicas graves, pesadas e tristes como ela parece ser.

7 de abril de 2019

Londres

Londres é uma cidade bonita. O melhor adjectivo que lhe costumo encontrar é: majestosa. Os edifícios imperiais, burgueses, vitorianos, majestosos, enormes. Os edifícios alinhados na mesma arquitectura, imaculados, como se nunca por ali tivessem caído bombas na II grande guerra. Edifícios sumptuosos misturados com bairros excêntricos como Soho, Brick Lane, Camden Town e tantos outros. Edifícios negros históricos a fazer lembrar a cidade do Porto, misturados com a modernidade financeira como Canary Wharf ou o "distrito financeiro" junto ao centro, como por exemplo, perto da Torre de Londres. A London Bridge e a Millennium Bridge.
Mas é à noite, quando saio do trabalho, que lhe encontro ainda mais brilho, mais encanto. cada dealhe e recorte de um edifício saliente pela luz.
No entanto, quando caminho pelas ruas e avenidas é estranho: porque já me habituei à cidade mas sei que não sou de cá, nada disto é meu: não é a minha língua, a minha luz ou o cheiro de lisboa, o Tejo e o oceano. A pacatez de lisboa quando comparada com a imensidão de Londres. O país de Churchill e Tatcher, Beatles, Queen, Shakespeare, DEpeche Mode, Smiths, William Blake, etc, o pais de grandes nomes da história,  entranhou-se em mim mas uma segunda pele mas sei que num instante a pele pode cair. Não estranho já a mulher madura, elegante, que é Londres, mas não deixa de ser estranho andar por aqui.
E afinal, no dia seguinte, vim mesmo com o gajo debaixo do braço como um puto com um brinquedo novo.
Cada dia, hora, minuto e segundo de sacrifício em inglaterra, materializado num disco, um acto de amor para o meu irmão

5 de abril de 2019

Ontem, por volta das 24h, na estação do tube que uso, Green Park, vejo este poster. Tirei fotografia e assim que tive rede encaminhei para o meu irmão.

Ele, afinal, já sabia da coisa, eu não. Conversámos. Que gostava de ter o vinyl. Eu também, pensei.
Não que não se arranje pela net, mas é uma das vantagens de estar/viver em Londres, tropeçamos em lojas de música com vinis aos pontapés (e a sensação de ter aquela rodela na mão trazida da loja  é indescritível): Flash Back, Rough Trade, Container records, Music Inn, SistaRay, Phonica Records.e tantas tantas outras...disse-lhe: numa folga vou à procura.
Hoje cheguei a casa, e comecei a procurar pelo vinil nas lojas da grande Londres. Encontrei...encomendei...não o vinil normal, a versão Deluxe. Só é pena que não possa já ir buscar amanhã. Queria ir buscar amanhã, colocar uma foto no facebu e dizer-lhe:
"Mano já está, já tens um. é teu. oferta minha."
Para memória futura: o comprovativo do pedido. depois, é ir comer num indiano em brick lane e quando disponível, vir como um puto, todo contente, com o vinil debaixo do braço trazido da loja.
Thanks for your order #476554
2x
Henryk Górecki: Symphony No. 3 (Symphony Of Sorrowful Songs), Beth Gibbons and the Polish National Radio Symphony Orchestra, LP+
Heavyweight Black Vinyl housed in Deluxe tip-on Gatefold Sleeve with Mounted 16 Page Booklet Insert and Bonus DVD featuring Concert Film.

Já agora, uma faixa que, é de cortar a respiração:

31 de março de 2019

São 2.51h. Saí às 00.34. Fiz por isso. cada minuto, ao fim de 60, são uma hora a mais que me é paga. No fim do mês, o corpo paga, naturalmente, mas há o retorno financeiro que nem num milhão de vidas esperei quando comparado com o que recebia em Portugal. E, quando me deito, apesar de não ver o meu filho, é nele que penso. É pelo fim do mês que espero para receber o ordenado "milionário" e poder disponibilizar-lhe mais dinheiro e mais alguns "luxos" que de outro modo não poderia.

outro dia lá estava a mulher do sax, queria tê-lo dito e não disse. lá estava ela, magra, alta e feia. tocava uma música grave, muito intensa mas triste.

Saí do trabalho. percorri, como habitual a Picadilly street. Vi o bentley. todos os dias vejo um ou mais bentleys. ontem vi um benteley, um ferrari e um lamborghini...é um país sem dúvida mais rico...

hoje comprei uma máquina de café nexpresso. tive sorte, onde a fui comprar, um sítio catita, uma espécie de distrito do dinheiro onde estão por exemplo J.P.Morgan e Morgan Stanley, tem uma supermercado género Supermercado do Corte Inglês (Lisboa) e, por sorte, tinham um modelo a 76£, ora, o mais barat que havia encontrado em duas outras lojas nexpresso custava 90£. Foi o meu luxo e prémio de consolação por esta solidão e pelo sacrifício físico e psíquico que tenho feito. Em abono da verdade também, o café, um café é um balúrdio e, regra geral, em quantidades tipo baldes de 5 litros...quando versão amaricano...ou curtíssimo quando versão expresso. Para piorar a coisa, servido regra geral, em copos de papel para levar, como se se tratasse de um tubo para a urina da manhã, para levar na manhã seguinte ao senhor doutor.

Já são 3 da manhã. tenho os auriculares colocados e oiço Dead Combo.
Quando esta note cheguei a casa vi luz na cozinha. Era o rafa. falámos. O rafa trabalha em vídeo/fotografia/design. Certa vez, estava eu na cozinha a ver uns vinis que comprei e o rafa ficou interessado pelo design das capas e conteúdos interiores. Nem conhecia os músicos, muito menos aquele álbum em particular: nils frahm e olafur arnalds. Bateu-me depois um dia à porta do quarto a dizer que jáos tinha ouvid no you tube que era de cortar a respiração. bateu-me no coração, disse. Hoje, mostrou-me um vídeo por s realizado onde há uma voz off, um poeta, que fala, fazendo-me lembrar Ursula Rucker, sobre Londres, sobre a pobreza e a riqueza. Lindo o vídeo, adorei. Fiquei encantado pelo Rafa ter gostado tanto daquela música e a ter usado para o seu filme. Mas o rafa sai amanhã de casa...tenho pena, afeiçoei-me a ele...estou a ouvir Dead Combo porque, falando sobre música, me lembrei de lhe recomendar. escrevi num papel o nome: Dead Combo, numa folha de um bloco que havia na mesa da cozinha. escrevi também Ursula Rucker. Espero que goste. espero que a música, estas músicas o façam lembrar-se de mim, como eu me recordarei sempre dele, de cada vez que olhar/ouvir o álbum de nils frahm e olafur arnalds.

Hoje, drante o dia, lembrei-me dela várias vezes. Dos seus passos quando saí do banho. passos em pontas. A barriga das pernas, extremamente torneadas a realçarem naqueles seus movimentos felinos. Passo ante passo, silenciosa e delicadamente, em pontas, como um felino que se aproxima da presa, mas no caso, era ela que decidia quando e como era a presa. E as suas mãos delicadas como estiletes de flor a limparem o corpo.